Quando falamos em ídolos recentes do Timão, de fato pensamos em diversos nomes. Você com toda a certeza imaginou Paulinho, Fagner, Tite e entre outros. Contudo, um nome especial precisa entrar nessa categoria: Kyle “Zoom” Fuller. Na coluna do basquete desta semana, falaremos um pouco mais sobre o gringo da fiel da bola laranja.

QUEM É KYLE FULLER?

Ala armador e camisa 2 do Corinthians, “Zoom” é o melhor jogador da equipe nesta temporada. Além de sempre dar seu máximo dentro de quadra, seu estilo e sua personalidade logo caíram nas graças da torcida. Mas não é só isso que faz de Fuller um ídolo.

Aceitou reduzir seu salário e não sair da equipe durante a recente crise financeira vinda do futebol, sendo peça crucial do time durante o NBB. Só para exemplificar, na atual temporada, sua média é de 20 pontos por jogo (atualmente a 3ª maior de toda a liga).

Presença garantida não só como titular do Timão, mas também do jogo das estrelas. Participou da equipe “Mundo”, onde só atletas estrangeiros jogam, liderados por Shamell Stallworth.

SUA HISTÓRIA ATÉ O TIMÃO

Nascido em 27 de janeiro de 1992, Kyle Alejandro Fuller é natural de Compton, na Califórnia. Antes de ser o principal jogador da equipe corintiana, Zoom jogou pela universidade de Vanderbilt. Foi companheiro de equipe do pivô nigeriano Festus Ezeli, ex-Golden State Warriors.

Contudo, pouco jogou no basquete universitário e decidiu buscar novos desafios. Logo após, aproveitou de sua descendência peruana e foi buscar oportunidades na América do Sul. Como dificilmente jogaria pela seleção principal de onde nasceu, resgatou suas raízes e optou defender o Peru no basquete.

Sendo destaque pelo Toros de Aragua da Venezuela, recebeu o convite do técnico Gustavo Conti para integrar a equipe do Paulistano em 2017. Logo em sua primeira temporada, tornou-se um dos protagonistas da equipe com uma média de 11 pontos por jogo. Assim, influenciou para a conquista do inédito título do NBB da equipe, como um dos melhores jogadores do Paulistano na temporada.

Zoom Fuller na transição rápida pela universidade de Vanderbilt. Foto: Reprodução / SCCP Scouts

A CHEGADA

Mesmo que tenha sido destaque, seu contrato com a equipe do Paulistano durou apenas um ano. O Corinthians passou muitos anos com o núcleo de basquete profissional inativo, mas com um bom projeto, venceu a Liga Ouro em 2017 e retornou ao NBB em 2018.

Para reforçar a equipe nesse retorno à elite do basquete, um pacotão de reforços foi anunciado. Entre eles, o pivô Guilherme Teichmann, ex-Minas, o armador Ricardo Fischer, ex-Athletic Bilbao, o ala Guilherme Giovannoni, ex-Vasco, e Kyle Fuller, ex-Paulistano.

Com uma primeira temporada avassaladora, Zoom foi o cestinha do campeonato com média de 20.7 pontos por jogo. Além disso, levou o Corinthians para as quartas de finais do NBB. Mas, uma derrota para o Flamengo (campeão da edição),encerrou a participação da equipe alvinegra.

O QUASE TÍTULO SUL AMERICANO

Por consequência da grande temporada feita, o Timão conseguiu a vaga para a Liga Sul-Americana de Basquete em 2019. Liderados pela dupla Fischer & Fuller, a equipe atropelou todos os adversários na fase de grupos e conquistou a classificação.

O último grande título conquistado pelo Corinthians havia sido o Campeonato Brasileiro de 1996. Ou seja, desde quando Oscar Schmidt ainda liderava a equipe, o Timão não levantava um caneco. Porém, Fuller estava motivado a conquistar o título internacional. Enfrentando o duro time do Botafogo na final, o alvinegro de Parque São Jorge acabou derrotado.

Com o placar agregado de 152 x 148 em duas partidas, os cariocas levantaram a taça. Mesmo com Zoom mantendo grande marca de 12.83 pontos por jogo, não foi o suficiente. O ala armador Jamaal Smith aproveitou da frágil marcação individual do Timão para converter cinco arremessos de 3 pontos na partida. Seu desempenho foi tão importante, que o mesmo tatuou a conquista internacional do Botafogo no corpo.

Fuller recebe um passe e realiza o catch and shoot para 3 pontos. Foto: Reprodução / Sccp Scouts

IMPACTO EM 2021

O apelido de “Zoom” não é atoa. Sua velocidade e rápida transição da defesa para o ataque são fatores que tem sido cruciais para o Timão desde 2018. Mas outro número também impressiona: sua média de 39,8% na linha dos 3 pontos na temporada 2021 – maior de toda sua carreira.

Liderar a equipe, se doar 150% em quadra e decidir jogos são pontos que não faltam para definir Fuller. Suas duas jogadas principais, o catch and shoot do perímetro e o pick and roll com suporte do pivô causaram dor de cabeça para todas as equipes na temporada. Além disso, nesta temporada, Zoom Fuller chegou próximo do seu recorde pessoal, realizando 30 pontos contra a equipe da Unifascisa.

É fato que se hoje o Timão tem chances de correr por fora na briga pelo título, muito se deve ao seu desempenho ofensivo. Como foi mencionado, o ala armador teve oportunidades de deixar a equipe, mas optou por reduzir seu salário e permanecer. Afinal, como disse o próprio atleta:

“… do fundo do meu coração, sem basquete, eu sou corintiano, muito corintiano. Meu sangue é preto e branco mano, eu sou muito favela, muito louco. Porque vocês estão perguntando se eu vou ficar, se eu nunca sai? Por favor, está tudo bem com vocês? Eu sou Gringo da Favela, não esquece, eu não vou embora não… “

Fuller aproveitando da falha da marcação em zona para o catch and shoot. Foto: Reprodução/ Sccp Scouts

Foto destaque: Reprodução / Willian Oliviera / LNB

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