Que diferença o Cantillismo faz no Corinthians? Desde que chegou ao clube, em janeiro de 2020, Víctor Cantillo sofre críticas a respeito de sua posição. Afinal, qual a função do meia? Ele é primeiro volante? Meia-central? Meia- atacante?

Pensando nisso, com o propósito de entender melhor sua passagem no Timão, analisaremos hoje a atuação do meia colombiano.

CONHECENDO O ATLETA

Víctor Danilo Cantillo Jiménez nasceu dia 15 de Outubro de 1993 (27 anos), em Zona Bananera, Colômbia. Veio do Junior Barranquilla para o Corinthians no dia 9 de Janeiro de 2020, pelo valor de 2,7 milhões de euros.

Até o momento, foram 31 jogos e apenas três assistências oficiais pelo alvinegro, contudo, outros números devem ser observados. Um fato que muitos críticos do atleta levam em consideração é o de apenas três gols em 124 jogos em toda sua carreira (nenhum pelo Corinthians). Mas, quando se fala de Cantillo, esses números “crus” não devem ser a prioridade da discussão.

O atleta faz a diferença na construção de jogadas sendo peça chave do meio de campo. Além disso, tem a importante função de conectar a defesa com o ataque, papel que ficou eternizado por jogadores como o italiano Pirlo.

PELO JUNIOR BARRANQUILLA

Mas afinal, o que Cantillo fazia no seu ex clube? Por que ele era considerado sempre uma peça importante? Vejamos no frame abaixo:

Cantillo pelo Junior Barranquilla. Foto: Reprodução/ Sccp Scouts

Pegando como exemplo a partida contra o Boca Juniors, pela Libertadores em 2018. Cantillo é a primeira opção da saída de bola, como um primeiro volante. É o homem com a função de iniciar o planejamento ofensivo da equipe buscando a bola entre os zagueiros.

Definitivamente, essa postura faz o jogo da equipe fluir com mais facilidade. Afinal, sem ele para buscar a bola, o meio de campo perde muito do seu envolvimento no jogo.

Mas afinal, Cantillo é um primeiro volante? Ele ajuda na marcação? Por que as críticas sobre esse fundamentos? Vejamos no frame a seguir:

Cantillo na defesa. Foto: Reprodução / Sccp Scouts

Ainda pelo Junior Barranquilla, nesse lance em específico, o colombiano consegue interceptar a bola. Assim, neutralizando a jogada ofensiva adversária. Fato é que Cantillo não é um exímio defensor, mas sua qualidade de interceptação e roubadas de bola chama bastante atenção.

Pelo Clausura 2019, último campeonato que jogou em seu ex-time, teve média de 0.9 interceptações por jogo. Além disso, média de 1.6 divididas por jogo durante toda a competição.

O QUE TROUXE CANTILLO PARA O BRASIL

O mito que o meia não ajuda na defesa é derrubado diretamente por esses números. Mas os motivos que o levaram para o Corinthians foram seus passes, já que possui grande visão de jogo. Sua posição de maior destaque definitivamente é como segundo volante.

Enfiada de bola. Foto: Reprodução / SCCP Scouts

No frame acima, Cantillo realiza uma jogada quase que assinada com seu nome. Volta para próximo dos zagueiros, pega a bola, acalma o jogo e em seguida, busca uma opção. Veja que há quatro jogadores do Independiente Medellín próximos a ele, mas nenhum de seu time. Assim, o meia vê uma oportunidade para um lançamento e seu companheiro de time marca o gol.

Foram sete assistências oficiais em 91 jogos pelo ex-clube, contudo, outro dado interessante deve ser analisado. Sua média da carreira em precisão de passe é de 90% por jogo, ou seja, cometendo pouquíssimos erros. Esses passes geram jogadas ofensivas, que geram gols, sempre iniciando por seus pés.

Comprovando essa ideia, temos o dado de 1.6 passes decisivos por partida, ainda falando sobre o Clausura 2019. O que isso significa? Que em todos os jogos da competição, Cantillo deu no mínimo um passe que resultou em assistência, gol ou finalização para o gol.

NO CORINTHIANS

Pelo Timão, o atleta não teve vida fácil. No comando de Tiago Nunes, foi testado como primeiro volante, segundo volante e meia central. Contudo, ao lado de Gabriel (um verdadeiro marcador), parece ter se encontrado. Vagner Mancini trouxe ao Corinthians um padrão tático, coisa que faltava e muito.

Além disso, o trabalho de Mancini fez com que Cantillo aumentasse seus fundamentos defensivos. Nessa temporada, soma uma média de 1.2 interceptações por jogo, número maior que pelo seu ex-time. Outro detalhe importante é a média de duas grandes chances criadas por jogo. Vejamos no frame abaixo:

Lançamento para Fagner. Foto: Reprodução / SCCP Scouts

Cantillo busca uma opção, vê o lateral da Ponte Preta de costas e lança para Fagner. O lateral corintiano cruza, mas a finalização vai para fora. Caso tivesse sido gol, não seria uma assistência de Cantillo, mas a jogada partiu inteira dê seus pés.

Isso justifica o que foi citado acima, sobre sua relativa baixa média de assistências. Contudo, o Cantillismo dentro do jogo vai muito além do “passe final”.

AFINAL, QUAL A POSIÇÃO DE CANTILLO?

Entendendo toda a dinâmica do Cantillismo, o debate final é certo: qual a posição dele no Corinthians? Fato é que, após a chegada de Mancini, sua evolução tanto defensivamente quanto ofensivamente é clara. Afinal, após ser combinado com Gabriel, Camacho, Xavier e Éderson, fica cada vez mais evidente que não pode jogar tão recuado.

Cantillo precisa atuar como segundo volante, isto é, tendo como prioridade iniciar o planejamento ofensivo da equipe. Apesar de ajudar na defesa, ter um primeiro volante para essa função libera o colombiano para o jogo. Vejamos no frame abaixo:

Lançamento para Ramiro. Foto: Reprodução / Sccp Scouts

Quase que do meio campo, Cantillo intercepta a bola e busca uma opção. Sua grande visão de jogo encontra Ramiro em um lindo lançamento, resultando no gol de empate contra o São Paulo. Jogada assinada pelo colombiano, que participa e muito do jogo.

Dessa maneira, o volante é hoje um dos nomes de maior destaque no Corinthians. Em seus últimos cinco jogos pelo Timão (Santos, Flamengo, Atlético Paranaense, Ceará e Bahia), possui uma nota média de 7.1 pelo Sofascore. Impactando nos dois lados do campo, Cantillo é um jogador que atua de área à área no meio de campo alvinegro.

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