Depois de um mês da demissão de Tiago Nunes, o Corinthians tem um novo técnico. Vagner Mancini chega com a dura tarefa de assumir um clube que está na zona de rebaixamento e vive crise dentro e fora de campo, algo que não é novo na sua carreira. Neste texto, o SCCP Scouts traz um pouco da sua trajetória, características, pontos positivos e negativos.

Por Jhonata Souza

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O inicio de Vagner Mancini como treinador foi no Paulista de Jundiaí, onde fez história conquistando logo de cara o maior titulo da sua carreira, a Copa do Brasil de 2005. Após uma passagem no futebol árabe, ele assumiu o Grêmio em 2008 e depois de ser demitido passou por diversos clubes: Vitória (4x), Santos, Vasco, Ceará, Cruzeiro, Sport, Náutico, Athletico, Botafogo, Chapecoense, São Paulo, Atlético Mineiro e Atlético Goianiense.

Organização, movimentação e o contra ataque como arma letal

Do Paulista de 2005 até o Atlético Goianiense de 2020, os melhores trabalhos feitos por Mancini foram marcados por alguns pontos em comum que podem ser vistos no Timão. Eram equipes que se destacaram por serem organizadas taticamente, sendo possível ver as ideias do técnico e como eram bem executadas.

No momento defensivo, as equipes de Mancini costumam se defender com duas linhas de quatro visando ceder poucos espaços para o adversário. Além disso, pressionam o portador da posse para forçar a roubada de bola e usar outra característica em comum: a velocidade dos contra-ataques. O torcedor corinthiano vai lembrar do Vitória, comandado por Mancini, acabando com a série invicta de 34 jogos da equipe alvinegra em 2017, usando bastante esse tipo de jogada.

Só que para o funcionamento dessa ideia, Mancini gosta de trabalhar com quartetos de ataque que combinem movimentação e velocidade, ou seja, ter pontas com boa velocidade, como por exemplo: Cirino e Everton no Athletico em 2013, Antony e Everton Felipe no São Paulo de 2019, Janderson e Ferrareis no Goianiense em 2020. Além de ter um atacante de mobilidade como camisa 9, casos de Ederson em 2013 e Renato Kayser em 2020.

O “bombeiro” Vagner Mancini

Assumir clubes em situações complicadas, como a vivida atualmente pelo Timão, não é nenhuma novidade na carreira do técnico. Em 2011, 2013 e 2017 assumiu Cruzeiro, Athletico e Vitória, respectivamente, e conseguiu evitar o rebaixamento das equipes. Em 2019 assumiu um São Paulo eliminado na Pré-Libertadores antes da chegada do Cuca. Lá deu espaço a alguns jogadores e levou o Tricolor até a final do Paulistão daquele ano. Porém, nem tudo são flores. Mancini possui a marca negativa de ter participação em cinco rebaixamentos na Série A.

Entre essas situações tem uma que se destaca e pode servir como esperança ao torcedor corinthiano: o Athletico em 2013. Mancini chegou com a equipe paranaense no Z-4 e em pouco tempo iniciou uma arrancada que os levou a terminar o Brasileirão entre os quatros melhores. Além disso, comandou o Athletico para a final da Copa do Brasil, cujo perderia para o Flamengo.

Esse trabalho em especifico mostra uma qualidade que Mancini demonstrou algumas vezes na carreira: a capacidade de pegar equipes em baixa e lhes dar competitividade, resultando em boas campanhas em mata-mata. Lembrando que o Corinthians está para estrear nas oitavas de final da Copa do Brasil e ter um treinador com bom histórico na competição pode ser um sinal de esperança.

Falta de sucesso em grandes clubes

Ao mesmo tempo em que a carreira de Vagner Mancini tem alguns pontos positivos que podem animar o torcedor, existem pontos que trazem dúvida sobre a capacidade dele de fazer um bom trabalho no Corinthians. Ele não deixou nenhuma saudade nas passagens que teve em grandes clubes no país.

Muitos dos trabalhos de Mancini na sua carreira seguiram um roteiro parecido: começo com bons resultados, oscilação, queda de desempenho, problemas internos e por fim a demissão. Mancini tem dificuldades em trabalhos de longo prazo e as relações com diretoria e elenco vão se deteriorando com o passar do tempo. Uma definição que serve para diversos técnicos do futebol brasileiro.

Último trabalho de Vagner Mancini

No comando do Atlético Goianiense foram 18 jogos, contando Brasileirão e Copa do Brasil, com 5 vitórias, 6 empates, 7 derrotas, 18 gols marcados e 23 sofridos. O trabalho na equipe goiana era bom e os resultados estavam acima das expectativas iniciais. O Dragão começou o Brasileirão como grande favorito ao rebaixamento, mas chega na reta final do primeiro turno ocupando a décima segunda colocação com 3 pontos de folga da zona do rebaixamento. Na Copa do Brasil, alcançou as oitavas de final, eliminando o Fluminense no caminho.

Os resultados acompanhavam o bom desempenho visto dentro de campo. Era uma equipe bastante organizada taticamente, na qual se podia ver as ideias do técnico sendo executada pelos jogadores. Pressão no portador da posse, intensidade, uso do goleiro na saída de bola, movimentação no ataque, rápida transição, jogo pelos lados e chegada com vários jogadores à área. Essas eram algumas das principais ideias vistas no trabalho de Mancini no Atlético.  

Elenco do Corinthians precisa de confiança para se reerguer (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Vagner Mancini não era o nome favorito dos torcedores e chega com desconfiança por conta do seu passado sem sucesso em grandes clubes do país, porém é um técnico que já viveu esse tipo de situação, chegando em um clube pressionado. Em curto prazo pode ser capaz de dar ao Corinthians duas coisas que a equipe não possui atualmente: organização e competitividade.

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