Antes de fazer qualquer análise aprofundada sobre o tema, é importante ter algo em vista: o trabalho do Tiago Nunes no Corinthians foi ruim. Pode-se ter vários argumentos, defesas, contrapontos, mas é inegável que ele não emplacou no Timão como se imaginava.

Coluna escrita por @iurimedeiros13

Agora, podemos entrar nos motivos que levaram a isso. E aí teremos falhas do Tiago, da diretoria e dos jogadores. Como é em grande parte dos casos, o fracasso de um trabalho é um fracasso coletivo. Sem heróis ou vilões. O Corinthians em 2020, como um todo, deu errado até aqui.

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FALHAS DA DIRETORIA

Começando hierarquicamente, a gestão atual do clube não favoreceu em nada o andamento do trabalho do Tiago. Desde a formulação do elenco, o planejamento para a temporada foi ruim, como em anos anteriores.

É claro que o clube contratou bons jogadores como Luan, Cantillo e Jô; reintegrou peças da confiança do Tiago como Pedro Henrique e Camacho, mas a grande carência do time não foi sanada.

O trabalho do Tiago no Athletico Paranaense era muito dependente de pontas ativos, que participassem do jogo e aparecessem em zonas de finalização. Estamos em setembro e o Corinthians não tem esse jogador.

O alvinegro disputou a sua partida mais importante do ano (jogo de ida contra o Guaraní-PAR) com Janderson de titular. O mesmo Janderson que hoje está emprestado para o Atlético-GO para ter mais minutos e aprimorar seus fundamentos.

Jogadores como Gustavo Mosquito, Léo Natel, Everaldo até podem ser importantes dentro de um bom coletivo. Mas o Corinthians precisava de um protagonista nas beiradas do campo, que o clube não tem desde 2015 com o Malcom.

Além disso, a falta da contratação de um zagueiro canhoto, com boa construção de jogo, fez com que Tiago improvisasse o Danilo Avelar na zaga após a venda do Pedro Henrique. Como estamos vendo, Avelar ainda tem severas dificuldades atuando na posição, especialmente defendendo a área.

O ponto não é falar que se o Corinthians tivesse um ponta confiável e um zagueiro canhoto a equipe iria “voar”. Mas sim, que se você contrata peças que são fundamentais para um modelo de jogo do seu treinador, a chance de sucesso é maior.

Sem contar que, a crise financeira que o clube enfrenta, afetou diretamente dentro dos gramados. Pedro Henrique, que vinha sendo o melhor zagueiro da equipe na temporada, foi vendido durante a parada. Carlos Augusto, lateral-esquerdo de confiança do Tiago no retorno dos jogos, seguiu o mesmo caminho.

Um dinheiro que entra para estancar o “sangue” nos nossos cofres, mas que arrasa com um trabalho em andamento. Hoje o Corinthians precisa vender jogadores para se sustentar, e esse nunca é um cenário bom para um treinador.

E claro, tem a parte mais importante: o Timão deve salários. Nenhum profissional se sente a vontade com essa situação. E aí não é entrar no mérito do “deixar de correr” e sim que isso é uma situação chata, que pode influenciar no ambiente do grupo.

FALHAS DO TIAGO NUNES

Tiago Nunes na beira do gramado em Corinthians x Palmeiras
Tiago Nunes na beira do gramado em Corinthians x Palmeiras (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Agora entramos no personagem principal. Tiago simplesmente não entregou o que ele prometia no início de temporada. Aspectos coletivos e escolhas individuais foram minando seu trabalho, que começou promissor, mas terminou da pior forma possível.

A equipe começou bem o ano. Tanto na Flórida Cup, como nos primeiros jogos do Paulista, a postura do time foi boa. Pontos como a harmonia entre a dupla Camacho e Cantillo, a potencialização do futebol do Fagner jogando bem aberto e a importância do Boselli como pivô elevaram as expectativas do torcedor.

Jogos como contra o Botafogo-SP, Ponte Preta, Santos e Guaraní-PR (volta) foram de controle do Corinthians, com um futebol vistoso, de fluidez, e forte marcação.

Após a eliminação na Pré-Libertadores houve a primeira queda de desempenho. Jogos contra Água Santa, Santo André, Novorizontino e Ituano já não apresentaram o mesmo padrão.

Porém, cobrar excelentes atuações naquela altura do campeonato não parecia o mais sensato, ainda mais tendo em vista o impacto emocional de uma eliminação e o estágio do time, que ainda estava em formação.

Com a parada, a expectativa era que o Tiago reservasse seu tempo para ajustar os problemas defensivos, especialmente a transição defensiva. O seu Corinthians criava, tinha volume, mas pecava na recomposição.

Com o retorno dos jogos, o que parecia impossível aconteceu: o Corinthians se classificou para a fase de mata-mata do Paulista. Até melhor, foi para a final da competição, perdendo para o rival Palmeiras apenas nos pênaltis.

Falando em desempenho, entretanto, já se via mudanças comportamentais que preocupavam. Sem o Cantillo nos primeiros jogos, infectado pela COVID-19, o time enfrentou dificuldades em ter fluidez com a bola e ainda por cima não havia corrigido os problemas defensivos, embora os números fossem bons.

O grande jogo do time no período foi contra o Red Bull Bragantino, explorando a bola longa com o Jô e atacando de forma bem coordenada e apoiada.

Uma escolha do Tiago que chamou atenção foi a retirada do Camacho do time titular e a manutenção do Gabriel. O recado parecia ser que ele visava um time mais cuidadoso com a defesa, mas na prática se via uma equipe ainda mais engessada com a bola e que deixava ainda mais espaços sem ela.

Com a recuperação do Cantillo para o início do Brasileiro, a expectativa era que talvez a dupla com Camacho fosse reeditada, mas não. O ponto é: seja com Gabriel e Éderson, Gabriel e Cantillo ou Cantillo e Éderson, a nossa dupla de volantes não funcionava. Simplesmente não havia entendimento entre eles.

O grande destaque do time no início do ano era como Camacho facilitava o “serviço” do Cantillo e vice-versa, qualificando nossa transição. Ao invés disso, tivemos duplas que pouco se entendiam em campo e protegiam pessimamente suas costas, dando muito espaço aos adversários.

O desempenho no Brasileiro foi fraco. De forma geral, um time que não soube lidar contra pressões altas, pouco pressionou os adversários no campo de ataque e se defendeu de forma ruim, seja em transição ou com a defesa postada.

Aquele padrão que se via no início do ano desapareceu. Constantes trocas de time, incertezas, justificativas que não condiziam com o que acontecia dentro de campo… O Corinthians aparentava não ter rumo.

A menção honrosa fica para a partida contra o Coritiba, na qual o time produziu bem ofensivamente, com o adendo que o Coxa jogou com 10 em grande parte da partida.

No geral, a palavra que resumiu a participação do Corinthians até aqui no Brasileiro é: desequilíbrio. Um time que até tem um bom número de gols (11), mas que sofre muitos (12). Todo jogo do time a defesa falha em lances que custam pontos.

FALHAS DOS JOGADORES

Fagner, de pênalti, marcou o primeiro gol da Neo Química Arena
Fagner, de pênalti, marcou o primeiro gol da Neo Química Arena (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Muitos jogadores estão devendo. É claro que um bom coletivo potencializa o individual, mas o que se viu do Corinthians, especialmente no Brasileirão, é um “show” de falhas técnicas que estão custando resultados.

Cássio, Fagner, Avelar, Gabriel, Ramiro… E a lista continua. Muitos erros de fundamentos, como passe e domínio. Falhas de leitura, de inteligência para ocupar os espaços… A tomada de decisão em lances cruciais tem sido péssima também.

É muito difícil não enxergar o momento técnico dos nossos jogadores, figuras fundamentais nesses últimos anos e no primeiro semestre. Em um momento conturbado, e agora sem treinador, é fundamental que eles chamem a responsabilidade e entreguem o que se espera deles.

CONCLUSÃO

O que se conclui disso? O Corinthians atualmente é um time de péssima gestão, com graves problemas coletivos e com jogadores em péssimos momentos. A sensação é crítica e de impotência.

É importante o torcedor entender que não vai chegar um salvador da pátria que vai resolver tudo. É um problema sistêmico, de difícil solução a curto prazo.

O Tiago Nunes não foi o “vilão” da história, embora não tenha sido vítima. Ele fez parte de uma engrenagem que começou errada desde o início.

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