Por Bruno Cassiano

“O futebol mudou”. Essa é uma frase com a qual o grande público do futebol tem contato, mas não consegue entender completamente. As partidas hoje em dia são muito mais disputadas nos toques de bola do que na imposição física. Isso faz com o que a tática se sobressaia à truculência, como em outros tempos.

Um dos grandes exemplos disso é o time de futebol feminino do Corinthians, que com tática e habilidade conseguiu chegar a 3 finais e conquistou dois títulos em 2019, um ano no qual foi praticamente invencível. Dentre tantas qualidades que fez esse time ser vencedor e recordista, está a saída de bola. Algo de suma importância para as construções ofensivas do time.

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Arthur Elias costuma usar 4 defensoras a frente da goleira, duas zagueiras centrais, duas laterais e duas volantes à frente dessa primeira linha, responsáveis pela distribuição do jogo. Em tese, tudo semelhante a qualquer outro time, a diferença aparece quando a bola rola, com as características e o posicionamento de cada uma em campo.

No Corinthians cada uma das quatro goleiras sabem jogar com os pés razoavelmente bem, isso nos dias de hoje é praticamente essencial. Cada vez mais quem está debaixo das traves é exigida a ter certo domínio. Isso dá a segurança necessária para que as zagueiras possam voltar o jogo caso necessário e assim elas consigam dar o passe em outro lugar ou, em último caso, quebrar.

As zagueiras de Arthur Elias, além da marcação sincronizada, têm, como as goleiras, o passe e domínio tranquilos. A partir das escolhas delas é que uma jogada pode começar, quebrando as linhas adversária com um passe central para as volantes ou até mesmo dando um passe lateral para o avanço em velocidade pelos flancos. Essa é a possibilidade que faz com que a escolha seja de certa forma imprevisível. Isso faz com que o outro time tenha dúvidas, e cada segundo de dúvida pode gerar um avanço, assim como o adversário pode adiantar seu time em uma marcação com mais pressão, o que faz sobrar espaços em algum outro local.

As laterais sempre se apresentam à frente, conseguem carregar a bola por boa faixa do campo. Quem acompanhava o futebol feminino não se surpreendia quando alguma das laterais se apresentava no ataque, mas as adversárias muitas vezes não esperavam. Esse avanço funcionava de forma eficiente quando o time precisava atacar mais, as  laterais se tornavam pontas enquanto o time agredia, e por vezes conseguiam ter quatro ou cinco atacantes, com aquelas que são de ofício atuando na área enquanto o avanço ocorria pelas beiradas.

Por último, e talvez mais importantes, as volantes do Corinthians de Arthur Elias. O setor responsável por pensar inicialmente as ações e direções do time é solto, muitas vezes entra em campo com duas jogadoras com maior habilidade nos passes longos e curtos do que na marcação. Mesmo quando uma jogadora mais “presa” está em campo, o time só tem a ganhar com o bote do que perder com o passe. É nessa faixa do campo que escolhas como o ritmo do time é ditado e elas conseguem fazer com muita eficiência.

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