No dia 13 de dezembro de 2018, o Corinthians anunciou o seu quinto reforço para a temporada de 2019. Tratava-se do meio-campista Ramiro. O Timão adquiriu 70% do jogador e assinou um contrato até 2022 com o atleta que tinha, um ano antes, sido importante para o time de Renato Gaúcho na conquista da Libertadores.

Vale ressaltar que, além do jogador ex-Grêmio e do treinador Fábio Carille, a equipe alvinegra havia concluído a negociação de outros quatros atletas: Richard e Michel Macedo, que seguem no elenco, e André Luís e Gustavo Silva (Mosquito), que estão emprestados atualmente.

  • Acompanhe análises, dados e curiosidades do Corinthians também no perfil da SCCP Scouts no INSTAGRAM e no FACEBOOK.

Ramiro chegou como uma das principais contratações do Corinthians para a temporada passada, já que o meio-campista era uma das peças cruciais do time de Renato Gaúcho. No Grêmio, ele conquistou quatro títulos. E três deles muito importantes: Copa do Brasil 2016, Copa Libertadores 2017 e Recopa Sul-Americana em 2018. Ramiro também foi campeão gaúcho em 2018.

E foi principalmente por conta de Renato Gaúcho que Ramiro chamou a atenção de outros clubes do Brasil e também do Corinthians. Com Renato, o meio-campista deixou de ser um segundo homem de meio e começou a atuar mais adiantado, aberto pela direita.

Ramiro fez grande partida na Sul-Americana em 2019 marcando dois gols

INÍCIO NO CORINTHIANS COM FÁBIO CARILLE

Diferentemente de seus melhores momentos com a camisa do Grêmio, Ramiro chegou ao Corinthians e começou a atuar como um segundo homem de meio-campo, trabalhando mais por dentro. Era um dos responsáveis pela saída de bola da equipe alvinegra e auxiliar nas construções ofensivas.

No entanto, com o decorrer da temporada, o camisa 28 voltou à sua posição de “origem”, como um extremo, principalmente pelo lado direito. Ali era o lugar que ele conseguia ser mais efetivo e apresentar o seu melhor futebol.

Mas com Fábio Carille e depois com Coelho, o meio-campista não conseguiu se destacar. Aliás, o time como um todo não tinha uma ideia clara de jogo e isso prejudicava não só o camisa 28, como outros atletas do elenco. Em 2019, Ramiro fez 28 jogos e deu apenas duas assistências. O atleta não conseguiu marcar em nenhuma ocasião.

Porém, nos primeiros jogos com Tiago Nunes, a sua história começou diferente.

Ramiro em atuação com a camisa do Corinthians

“NOVO” RAMIRO NA FLORIDA CUP

No dia 6 de janeiro de 2020, Tiago Nunes começou o seu trabalho no Corinthians e logo de início o novo treinador colocou as suas ideias de jogo em prática. A primeira aparição do Timão veio apenas com o torneio da Flórida Cup, diante do New York City.

Naquela ocasião foram duas equipes diferentes em dois tempos de jogo. Os considerados “titulares” iniciaram os primeiros 45 minutos. Já no segundo tempo, os reservas comandaram as ações em campo.

Em apenas 45 minutos de jogo pudemos notar algumas mudanças em relação ao modelo anterior. Saída de bola com três jogadores, laterais dando amplitude e muita movimentação dos meio-campistas. Porém, uma das principais diferenças foi a dinâmica tática de Ramiro.

O Corinthians estava postado em um 4-2-3-1. Ramiro era o extremo aberto pelo lado direito. Mas até aí, nenhuma novidade. O camisa 28 também atuou nesta posição ano passado com Fábio Carille.

No entanto, o “x” da questão foi a sua postura, sua movimentação. Ramiro não era apenas um extremo-direito fixo, ele flutuava, aparecia entre as linhas de marcação adversária para receber no setor e ajudava Luan na construção ofensiva.

Essa “mudança” de posição também interfere em outro fator: Fagner. O lateral-direito é uma das principais armas ofensivas do time. Com um ótimo passe e uma boa chegada à frente, o Corinthians consegue criar inúmeras situações pelo lado direito.

Com Ramiro fazendo o movimento da diagonal de fora para dentro, o corredor ficava aberto. Sendo assim, Fagner tinha total liberdade para atacar o espaço vazio e ser mais uma opção de ataque para o Timão.


LEIA MAIS: Diferenças e semelhanças entre Tiago Nunes e Fábio Carille


Outro ponto que chamou atenção foi a sua agressividade, intensidade e a busca pelos espaços vazios. O meio-campista não se limitava apenas por ajudar o setor de criação. Agora ele é mais um homem para entrar na área e tentar a finalização. 

Essa característica ficou evidente no segundo jogo da Flórida Cup contra o Atlético Nacional. Logo aos sete minutos de jogo, o Corinthians abriu o placar com o gol de Ramiro. Não era um gol qualquer. Era o seu primeiro com a camisa alvinegra contando jogos oficiais e partidas amistosas.

O gol é um desenho do seu novo posicionamento, da sua movimentação. Após ótima jogada trabalhada pelo lado esquerdo, Lucas Piton faz o cruzamento que atravessa toda a defesa e lá estava o camisa 28 atacando o espaço vazio nas costas do setor defensivo para empurrar para o fundo das redes. Um gol de um novo Corinthians, marcado por um “novo” Ramiro.

Além de suas características ofensivas, Ramiro também é fundamental para o sistema defensivo. Com Tiago Nunes o Corinthians optou por utilizar em diversas ocasiões uma pressão-alta, principalmente nos minutos iniciais da partida. O camisa 28 é peça chave para a nova proposta.

Ramiro tem intensidade, agressividade, consegue sustentar os duelos físicos contra os adversários e também é eficiente na pressão do portador da bola. Características importantes para esse estilo de marcação.

Ramiro virou grande parceiro de Fagner na direita no Corinthians

PRÉ-TEMPORADA EMPOLGA E RAMIRO VIRA PEÇA IMPORTANTE NA DIREITA COM FAGNER

Após a pré-temporada nos Estados Unidos, o Timão fez a sua estreia no Campeonato Paulista diante do Botafogo-SP na Arena Corinthians, em São Paulo, no dia 23 de janeiro. O início de Tiago Nunes no comando da equipe alvinegra foi mais do que empolgante. Logo de cara uma goleada. 4 a 1 diante do time de Ribeirão Preto com gols de Luan e Mauro Boselli, que anotou um hat-trick.

Ramiro começou como titular da equipe mais uma vez e suas novas características apareceram também nesse duelo. Movimentação em diagonal da direita para o meio, pressão no adversário no momento sem bola, ataque aos espaços vazios e muita intensidade. O camisa 28 comprovou ser uma das peças chaves para o funcionamento do setor ofensivo.

O primeiro gol do Corinthians na partida nasce com a sua participação. Lucas Piton faz uma ótima inversão. Ramiro faz o movimento sem bola, invada a grande área e faz a finalização. O goleiro consegue realizar a defesa, mas no rebote o argentino Mauro Boselli estufa as redes da Arena Corinthians.

No dia 26 de janeiro, o Corinthians enfrentou o Mirassol fora de casa. E mais uma vez, o meio-campista teve grande participação na partida. O Timão empatou por 1 a 1, e o gol foi marcado pelo camisa 28. Desta vez o seu primeiro em duelos oficiais e o seu segundo no ano. Lucas Piton achou Boselli na entrada da área, o argentino fez o pivô e escorou para Ramiro, que invadiu a área e bateu de perna esquerda na saída do goleiro.


VEJA TAMBÉM: Como Fagner cresceu com as chegadas de Tiago Nunes e volantes no Corinthians


Mais uma boa participação do meio-campista no início de temporada. Se em 2019 ele teve dificuldades para atingir o seu melhor nível de jogo, em 2020 ele conseguiu apresentar uma boa forma nas primeiras partidas. Mérito de Tiago Nunes.

No entanto, no dia 31 de janeiro, Ramiro sofreu um estiramento no ligamento colateral medial. A previsão de volta era de apenas duas semanas, mas a lesão acabou o afastando de nove partidas, inclusive dos dois jogos da pré-Libertadores diante do Guarani do Paraguai.

Com Ramiro fora do time titular, o Corinthians teve uma queda de rendimento. Confira os números:

  • Números do Corinthians com Ramiro:

3 jogos = uma vitória, um empate e uma derrota – 44% de aproveitamento

  • Números do Corinthians sem Ramiro:

9 jogos = duas vitórias, quatro empates e três derrotas – 33% de aproveitamento

Ramiro se tornou peça importante para Tiago Nunes durante o começo do ano

SEM RAMIRO, TIAGO NUNES TEVE DE BUSCAR ALGUMAS ALTERNATIVAS

Com a ausência do camisa 28, o técnico Tiago Nunes buscou algumas opções: Everaldo, Pedrinho, Yony Gonzáles, Janderson e até mesmo Vágner Love.  

Everaldo, Janderson e Yony apresentam características similares. São jogadores que dão profundidade, que têm como virtude a jogada individual e a definição rápida. Com esses atletas, a equipe alvinegra consegue ser mais aguda e incisiva. Porém, perde em criatividade. Luan e Cantillo ficam responsáveis pela armação no meio-campo e acabam ficando sobrecarregados.

Com Vágner Love, o Corinthians ganha em presença de área. O camisa 9 é um atleta de muita movimentação, mas menos criativo. Com ele em campo o Timão consegue preencher melhor a grande área, e Boselli ganha mais um companheiro para o auxiliar na referência e nas definições de jogadas. Além disso, diferentemente dos outros extremos do elenco, Love não tem como ponto forte as jogadas individuais para quebrar a linha de marcação.

Já Pedrinho é um jogador com mais recursos, consegue ser efetivo como um ponta de “origem”, quebrando as linhas com dribles e dando profundidade ao time, assim como também pode ser um colaborador na armação. Não era incomum ver Pedrinho trabalhar mais por dentro e abrir o corredor para Fágner.

No entanto, há um fator importante: a intensidade. O camisa 10 não tem o mesmo vigor físico de Ramiro. Isso prejudica o Corinthians no momento sem bola, principalmente na pressão no campo defensivo do adversário.

Outra diferença entre os dois atletas é a movimentação no espaço vazio. Ramiro mostrou-se eficiente nessas jogadas. É o atleta que se desloca para receber o passe mais longo ou a inversão. Por outro lado, Pedrinho busca o jogo, se movimenta próximo ao jogador que tem a posse de bola para fazer a triangulação, ou ele mesmo criar a jogada.

O fato é que Ramiro fez falta nos jogos em que esteve ausente. O camisa 28 foi uma das grandes surpresas positivas neste início de temporada do Corinthians. Foram cinco jogos na temporada (três oficiais) e dois gols. Além dos seus números, o que mais chamou atenção foi a sua mudança tática.

Com Ramiro, o Timão ganha em repertório, em intensidade e principalmente em movimentação. É um jogador muito importante para o elenco e que pode crescer ainda mais no decorrer da temporada.  

VEJA ENTREVISTAS EXCLUSIVAS:

Matheus Donelli: “Admiro Alisson e Éderson… mas meu ídolo mesmo é o Cássio”

Osmar Loss fala sobre equipe sub-23 e promete “potencializar” promessas do Corinthians

Como Tiago Nunes teve tanto sucesso no Athletico e o que esperar no Corinthians

Deixe uma resposta