O trabalho de Dyego Coelho no sub-20 do Corinthians vem sendo questionado desde o fim caótico de sua passagem pelo profissional interinamente. Nesse tempo, a equipe de jovens do Timão chegou a ser vice-campeã do Paulista, perdendo para o Palmeiras nos pênaltis e foi semifinalista do Brasileirão sub-20.

Porém, ainda assim, Coelho recebe críticas pela forma como comandou o trabalho no elenco principal. Mas a sua passagem pelo sub-20 é realmente ruim?

Segundo o professor Leonardo Samaja, coordenador de cursos da ATFA (Associação de Treinadores da Federação Argentina), “a única função de um treinador de base é entregar ferramentas para que os jogadores aprendam o jogo, entendam o jogo, consigamresolver situações do jogo”.

No começo de um trabalho há elaboração de um grande plano. Dentre os temas definidos, os gerais e específicos valem sem ressaltados no texto, com base no material de Leo Samaja, na The360:

  • Gerais: Representam a conduta final que se espera do jogador e da equipe depois de um processo de Ensino/Aprendizado completo. Têm um caráter de longo prazo.
    • Por exemplo:
      • Melhorar o nível de técnica individual de JOGADOR X;
      • Melhorar a velocidade de ação de JOGADOR X;
      • Classificar a EQUIPE entre os 4 primeiros do torneio.
  • Específicos: Representam a conduta final que se espera do atleta ou da equipe após cada sessão de trabalho ou grupo de sessões (microciclos). Têm um caráter de curto ou médio prazo, e concretizam e colocam em operação os Gerais.
    • Por exemplo:
      • Melhorar o controle orientado de JOGADOR X;
      • EQUIPE alcançar 60% de posse bola no próximo jogo;
      • Melhorar saída de bola da EQUIPE.

Os dois tópicos são importantes para o que o clube quer do trabalho do treinador na equipe. Portanto, pode-se perceber que vencer (ou chegar à fase final) dos torneios é apenas uma das diversas metas estabelecidas. No meio de toda a temporada em busca do troféu, o trabalho diário no desenvolvimento do atleta e da equipe é o foco no futebol formativo.

VENCER É IMPORTANTE, MAS FORMAR É O PRIMORDIAL

Além de destacar o foco no desenolvimento dos atletas, Samaja afirma que a partida e os campeonatos fazem parte do processo de ensino. Isso, claro, considerando a importância do caráter esportivo/competitivo para o “desenvolvimento da cultura esportiva”.

Partindo dessa ideia, o futebol de base (ou futebol formativo, segundo Samaja) tem um foco muito diferente do trabalho no profissional. No sub-20, Coelho tem objetivos a curto/longo prazo. Além de conquistar os torneios e desenvolver o lado competitivo, o treinador sempre precisa estimular o desenvolvimento individual de seus atletas.

Fica difícil avaliarmos um trabalho de base se não sabemos os objetivos gerais e específicos avaliados pela direção e pelo próprio treinador. Após assumir o time em setembro, Coelho acabou sendo marcado pelos resultados ruins em uma sequência problemática de desfalques. Porém, nesse tempo, detalhes importantes mostram como o seu papel está sendo bem executado.

MUDANÇAS DE FUNÇÕES E POTENCIALIZAÇÃO DE ATLETAS

O principal deles é a tentativa de encontrar novas funções e até mesmos posições para os seus atletas. Recentemente, Reginaldo (lateral), Du Queiroz (volante) e Luiz Mandaca (volante de origem) foram testados como zagueiros. O último, inclusive, termina o ano como titular na posição. Além disso, o lateral Lucas Pires cada vez mais surge como uma opção como ponta até para o elenco principal nos próximos anos.

Isso é um dos pontos primordiais para o desenvolvimento dos jovens nesta fase final de trabalho de formação. Principalmente àqueles que estão com a idade perto de ‘estourar’ na categoria, como o meia-atacante Vitinho.

Vitinho assumiu protagonismo na equipe sub-20 do Corinthians
Vitinho assumiu protagonismo na equipe sub-20 do Corinthians (Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians)

Já conhecido pela torcida do Corinthians, o meia já chegou a atuar como ponta aberto pela esquerda ou como camisa 10 clássico, centralizado atrás do centroavante. Porém, assim que Coelho assume o comando da equipe, Vitinho passa a ter experiências como segundo volante. Mais que a posição recuada, ele assume funções de construção na base da jogada e também usa a experiência antiga para ser agressivo no ataque. Em 2020, ele marcou oito gols em 22 jogos e é o vice-artilheiro da temporada no sub-20, ao lado de Matheus Araújo.

Além de Vitinho, alguns outros jogadores passaram a se destacar nessa reta final de passagem pelo sub-20. Vale destacar que alguns jogadores, como no caso do meia-atacante, não poderão mais atuar na categoria quando completarem 21 anos. O zagueiro Ronald é outro desses casos.

Criticado durante a edição da Copa São Paulo, o defensor já destacou, em entrevista exclusiva ao SCCP Scouts no começo do ano, a importância do Coelho para o seu desenvolvimento com a camisa do Corinthians.

“Pelo tempo que eu tenho trabalhado com ele, tem me ajudado muito em diversas coisas, como na parte profissional, por exemplo. Já em campo as cobranças dele eu sempre levo como elogio para melhorar as coisas que eu preciso como arranque, bola aérea… Nisso ele vem me ajudando muito e cada dia que passa eu vou melhorando cada vez mais. Quando eu subi pro meu primeiro ano de sub-20 aprendi muito com o Coelho sobre as exigências de trabalho”.

Ronald, sobre Coelho, em maio de 2020, ao SCCP SCOUTS.

No fim, o trabalho de um treinador de base deve ser analisado pela direção, evidentemente. Vencer é bom, sempre será, por causa de premiações e também por poder consolidar um bom trabalho. Mas ainda é mais importante entender as nuances de todo o desenvolvimento, de acordo com as metas gerais e específicas determinadas. E, com um pouco de atenção, você consegue ver um dedo de Dyego Coelho na potencialização de muitas promessas que devem brilhar no Corinthians em breve.

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