Por Iúri Medeiros

É normal que, em um início de temporada, um técnico novo logo queira estabelecer padrões táticos dentro da sua equipe para que os jogadores assimilem cada vez mais seus papéis e o time ganhe entrosamento. É exatamente o que o Tiago Nunes vem fazendo no Corinthians, buscando dar logo uma “cara” ao Timão.

Dentro desses padrões se encontra um que diversas equipes no mundo usam: em fase ofensiva, os pontas saem da linha lateral para o meio e abrem o corredor para os laterais ultrapassarem.

O objetivo desse texto é mostrar o porquê dessa ideia, talvez, não ser a ideal, pelo menos em partes, para esse início de trabalho, tendo em vista os jogadores que nós temos.

Contra o Guaraní, Janderson e Everaldo centralizam e Fagner e Sidcley possuem os corredores para eles (Foto: Reprodução/SporTV)
Mais uma vez, Janderson e Everaldo oferecendo opção por dentro, longe da linha lateral (Foto: Reprodução/SporTV)

Dentro dos pontas utilizados com frequência como titulares até aqui temos três nomes: Ramiro, Janderson e Everaldo. Desses três, quem entende com maestria essa função de cair por dentro em fases com a posse de bola é o ex-gremista, que funcionou muito bem assim já durante a sua carreira, sendo peça chave em títulos do Grêmio, mesmo que nunca sendo o protagonista.

Os outros dois nomes citados, especialmente o Everaldo, se notabilizaram pelo bom enfrentamento em jogadas individuais em setores mais abertos do campo, como típicos pontas de velocidade. Por isso, essa dinâmica pode estar limitando a capacidade individual de ambos, que muitas vezes recebem a bola de costas e têm seus raios de ações limitados, especialmente contra boas marcações.

Para se ter uma noção, na partida de ida contra o Guaraní (PAR), Janderson e Everaldo somaram 32 perdas de posse de bola, o que é terrível para um time com problemas de transição defensiva.

É claro que talvez a jogada que mais tenha dado certo até aqui no ano é a inversão de bola – geralmente realizada por Victor Cantillo para o Fagner em profundidade na direita -, e não seria correto mexer nela agora. Logo, o ponta-direita vai centralizar mais suas ações naturalmente.

Agora, o lado esquerdo pede por um ponta agressivo, que seja capaz de desequilibrar a partir do drible e o Everaldo pode ser esse cara, como foi no Fluminense. Além do aspecto ofensivo, privilegiando suas características, seria importante para dar equilíbrio pensando no aspecto defensivo, já que o lateral-esquerdo (Sidcley ou Piton) poderia dosar mais suas subidas e poderiam estar mais bem posicionados para conter um contra-ataque rival (lembrando que a recomposição defensiva tem sido um dos nossos grandes problemas).

A ideia de acumular homens por dentro e ter mais opções de passe é interessante, mas estamos esbarrando em dois problemas: nossos pontas não estão se adaptando a ela e estamos com poucas alternativas de jogo pelas laterais, especialmente no setor esquerdo.

Tiago Nunes certamente está atento quanto a isso. A questão que fica é: ele manterá esse posicionamento em busca de aperfeiçoamento ou mudará por sentir que a ideia não se adéqua a esse momento. O jogo de quarta talvez nos mostre isso.

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