Na última quarta-feira (30), o Corinthians empatou por 0 a 0 no clássico diante do São Paulo, na Neo Química Arena, em jogo válido pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Um duelo com muito importância para a equipe de Sylvinho. Importante para a autoestima do elenco e para a tabela de classificação. Os três pontos contra um dos maiores rivais em casa seriam essenciais para o time adquirir confiança e ter um ambiente de trabalho sem conturbações.

Já do outro lado, um São Paulo que teve o retorno de diversos jogadores recuperados de lesão. A vitória para o tricolor seria fundamental para se afastar da má fase e, consequentemente, da pressão da zona do rebaixamento.

Entretanto, ainda havia o tabu contra o Corinthians na Neo Química Arena. Em 14 jogos na casa do Timão, o São Paulo foi derrotado em dez oportunidades, além de outros quatro empates.

Foto: Divulgação/Twitter – Corinthians

Sylvinho seguiu com o que já podemos chamar equipe titular, com a permanência do jovem Vitinho, dos absolutos Gustavo Mosquito e Cantillo, e dos medalhões em crescimento: Jô e Gil.

PRIMEIRO TEMPO

Já nos primeiros minutos ambas as equipes deixaram claras suas propostas. Corinthians no seu tradicional 4-1-4-1 focando a saída de bola pelo chão no lado direito. Do outro lado, o São Paulo apostava em um 3-4-1-2 ou 3-4-2-1 que sufocava o meio campo alvinegro na busca pela bola.

Foto: Reprodução

Jô retornava totalmente por dois motivos: puxar a marcação e participar fazendo o pivô na construção. A busca por apoios em uma zona mais baixa do campo era fundamental, visto que o tricolor paulista marcava bem o meio campo construtivo. Principalmente com os encaixes individuais em Victor Cantillo.

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O São Paulo subia a sua marcação para tentar anular o lado direito muito forte do time da casa. Reinaldo marcava Fagner na saída e Léo Pelé tinha a função de fazer os embates contra Gustavo Silva.

Já o Corinthians continuava com a ideia de marcar em um bloco médio/baixo para não deixar espaços livres nas entrelinhas até retornar sua posse. Neste sentido, é nítida a melhora na organização defensiva e ofensiva.

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O jogo foi bem equilibrado durante os 20 primeiros minutos. Dois times que anularam as suas qualidades e tornaram o jogo um duelo de meio campo, onde o time do Morumbi permaneceu mais com a posse, porém sem muita efetividade. O Corinthians conseguia neutralizar as ações do adversário e limitar o jogo entrelinhas de Benítez, Liziero e Daniel Alves.

Neste cenário de Corinthians e São Paulo se anularem e jogarem para isso, o duelo ficou morno, visto que nenhum dos times conseguia progredir com a posse e criar situações de perigo nos terços finais do campo.

Um dos principais erros corintianos foi a aposta desnecessária em bolas longas para Gustavo Silva. Léo, o seu marcador na partida, é um defensor que se impõe fisicamente e tem velocidade para acompanhar e controlar a profundidade do extremo direito do Corinthians.

Sendo assim, o Timão tinha dificuldades para construir o jogo e o São Paulo recuperava sem muitos problemas. Isso mostra como é importante ter um jogador mais criativo jogando no entrelinhas. Um meio-campista que saiba cumprir as funções em fase defensiva e que seja mais incisivo com a bola nos pés.

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Novamente, uma partida não tão boa de Mateus Vital. Após um período muito bom com Vagner Mancini, fica nítido a queda de rendimento de Mateus Vital, mas, por quê? Com Mancini a impressão que fica é que Vital era um cara muito mais importante, confiante e solto em campo, e por vezes o argumento foi que dificilmente continha a bola nos pés, mas mesmo recebendo e sendo acionado não é o mesmo.

Uma explicação pode ser o posicionamento de Vital. Antes, mesmo jogando pelo lado esquerdo, o meio-campista tinha liberdade para se associar por dentro, cair na zona da bola e buscar o jogo.

Com Sylvinho a sua dinâmica alterou drasticamente. Vital é o responsável por se posicionar na ponta esquerda e receber sempre em amplitude. Falta o diálogo, a associação e companheiros para jogar curto.

Com todos os problemas e um bom desempenho defensivo de ambos os times, a primeira etapa foi pouco movimentada ofensivamente. As melhores chances do Timão vieram em cruzamentos, algo que foi mais explorado melhor somente após os 35’ minutos já decorridos.

Jô foi o grande destaque da equipe fazendo o meio campo respirar, segurando muito bem a pressão nas costas e não perdendo em nenhum duelo – aéreo ou pelo chão.

Com uma marcação adversária individual tão forte, o melhor a se fazer seria entrar com algum jogador mais potente fisicamente na referência para suportar a pressão com uma saída direta. Foram apenas cinco finalizações durante o primeiro tempo inteiro.

SEGUNDA ETAPA

Ambas as equipes voltaram com a mesma configuração e mantiveram suas estratégias. Timão continuou com o 4-1-4-1 em bloco médio/baixo buscando também as saídas em velocidade.

Corinthians
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Neste jogo tivemos uma novidade no Corinthians, a melhora – minuciosa – nas jogadas aéreas. Nas últimas atuações, o alvinegro vinha sendo nulo e inefetivo em jogadas de bola parada com sua estratégia de bater os escanteios na segunda trave, que pode ser claramente uma arma importante em jogo.

Porém, contra o São Paulo, as ações mais perigosas e que o time chegou melhor, foram em cruzamentos – seja em faltas ou em escanteios – buscando Jô ou Gil.

O duelo Mosquito x Léo continuou, porém, na segunda etapa Vitinho foi mais acionado no ataque, Jô também recebeu mais, tirando levemente o foco dessa disputa que estava difícil para o ponta corintiano. Inclusive, Jô foi o destaque da partida, sendo uma boa opção nas jogadas ofensivas mas que dependia muito da criação dos pontas e dos meias.

Novamente o jogo muito páreo e pouco efetivo na criação. As duas equipes optaram por substituir o lado direito, mas, nada que alterasse demais na criação.

Do lado corintiano a opção foi por Marquinhos em Gustavo, que não fazia uma boa partida e tinha muita dificuldade. Já do lado adversário a opção foi por entrar com Rigoni, dando mais ritmo e aceleração pelos lados ou pelo centro.

O Corinthians continuou com pouca criatividade. O time de Sylvinho apostava unicamente em jogadas laterais cruzando a bola na área, sem contar com infiltrações dos volantes e com pouca presença de área também. Pode ser citado também as substituições feitas, onde o time não teve evolução técnica e nem tática.

Corinthians
Foto: Divulgação/Twitter – Corinthians

A impressão foi que o empate seria um resultado aceitável. Aliás, estamos falando de um clássico. Qualquer resultado negativo poderia impactar ainda mais a sequência do trabalho.

Nos minutos finais o duelo continuou o mesmo. Duas equipes que tinham as mesmas dificuldades para propor e que buscavam se “travar” em campo. No final, o confronto termina como era esperado. E as estatísticas evidenciam isso.

São muitos pontos claros para Sylvinho e comissão reverem nos treinamentos e corrigirem o quanto antes se quiserem fazer um bom campeonato com o Corinthians. Caso contrário teremos mais 30 rodadas parecidas e sem almejar grandes coisas.

Estatísticas de Corinthians x São Paulo:

Corinthians x São Paulo

42% Posse de bola 58%
10 Finalizações 8
3 Finalizações no gol 3
5 Finalizações para fora 4
15 Faltas 26
1 Grandes oportunidades 0
1 Grandes chances perdidas 0

O próximo confronto para o alvinegro paulista é contra o Internacional, na Neo Química Arena, às 21 horas, em jogo válido pela 9ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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