Jemerson foi anunciado como novo reforço do Corinthians. O SCCP SCOUTS preparou um material sobre as últimas atuações do jogador e conversamos com Renato Gomes (especialista em futebol francês) e o jornalista Matheus Eduardo (SuperesportesMG), que acompanharam sua passagem por Mônaco e Atlético Mineiro, respectivamente.

PERÍODO NO ATLÉTICO-MG – PROJEÇÃO DE UM GRANDE ZAGUEIRO

Foram vários anos no Galo. Jemerson chegou ao clube em meados de 2010, ainda nas categorias de base. Após um empréstimo para o Democrata de Sete Lagoas em 2012, foi integrado ao elenco principal do Atlético em 2013 e de lá ficou até 2016 no alvinegro mineiro.

“O Jemerson no CAM foi um sucesso entre 2014 e 2015. Entrou muito bem no lado esquerdo da zaga, cara de bom tempo de bola, de marcação forte, rápido. Por ter velocidade possui boa cobertura, consegue dificultar a ação do atacante antecipando o movimento dele”, afirma Matheus.

“É uma das grandes revelações do Atlético na década, um dos poucos jogadores do Galo que chegaram com projeção para Seleção Brasileira. É um jogador que pode agregar, o Corinthians precisa de um zagueiro e seu nível está acima da maioria dos que estão ali”, conclui.

Foram 100 jogos disputados no Atlético entre 2013 e 2015

PERÍODO NO MÔNACO – DA EXPECTATIVA À DECEPÇÃO

Ex-Galo, Jemerson encaminha acordo com o Corinthians | SUPERFC
Jemerson foi para o Monaco após ser destaque no Brasil – Foto: Divugação/Monaco

Jemerson deixa o Atlético em janeiro de 2016, custando 11 milhões de euros ao Mônaco. Porém, mesmo com tal badalação, na prática sua carreira não avançou como o esperado e ele deixa o Principado em baixa.

Renato deixa bem claro que, por mais que individualmente ele não tenha ido bem, o coletivo do Mônaco também não ajudou em vários momentos. “Muitas vezes era um 4-4-2 com um time que pressionava por encaixe. Só que os zagueiros acabavam ficando recuados e não acompanhavam a pressão. Logo, ficavam expostos.”

“Com a queda do time ao passar dos anos, ele foi caindo junto. Jardim (técnico no período) tentou improvisar ele como volante mas foi um desastre. Com a troca de técnico, ficou ainda mais difícil. Ele sofreu uma queda muito grande dentro do elenco”, conclui.

Matheus também fez seu comentário em relação ao período de Jemerson na França: “O que atrapalhou ele foi a falta de concentração. A mobilidade dele fez com que Jardim e Henry testassem ele como volante. Não deu certo, ele não agregou tanto com a bola como se imaginava”.

“O Jemerson estava muito em baixa no Mônaco e desde a temporada 2018/2019 que ele vinha mal. Vem jogando muito pouco e essa falta de ritmo pode atrapalhar. Acho importante olhar para esse lado da readaptação”, acrescenta Matheus.

Foram 153 jogos disputados no Mônaco entre 2016 e 2020

COMO VINHA JOGANDO

O último jogo disputado pelo Jemerson foi no dia 28 de janeiro, pela Copa da França. Ou seja, nove meses sem atuar em campo e a tendência é que ele passe por um processo de readaptação até estrear com a camisa do Timão.

Como já deu para perceber, o zagueiro de 28 anos pode jogar em diferentes funções. Até aqui você viu que ele foi zagueiro pela esquerda no Atlético e chegou até a ser volante na França.

Nós pegamos os últimos cinco jogos dele pelo Mônaco e analisamos seus posicionamentos. Entre os jogos estudados, em apenas um ele foi zagueiro de uma linha de quatro: justamente na última partida, diante o Saint-Étienne. Atuou como zagueiro pela direita.

Linha de quatro e Jemerson como zagueiro pela direita. Foto: Reprodução
Mais uma vez a linha de quatro formada e ele pela direita. Foto: Reprodução

Porém, é interessante notar que em alguns momentos de saída de bola um dos laterais avançava ao ataque enquanto outro ficava contido, formando uma linha de três. Nesse caso, Jemerson ficava centralizado.

Jemerson centralizado em uma linha de três. Foto: Reprodução

Já em outros dois jogos analisados seu posicionamento foi de zagueiro pela direita em uma linha de cinco defensores ou três dependendo da fase do jogo.

Linha de cinco com Jemerson pela direita. Foto: Reprodução
Em fase ofensiva mais definida, Jemerson na direita em linha de três. Foto: Reprodução

Indo para os outros dois jogos, mais mudanças: Jemerson atuou como lateral-direito.

Jemerson como lateral-direito em uma linha de quatro. Foto: Reprodução

Embora a posição possa sugerir um papel mais ofensivo, é importante contextualizar sua função atuando assim. Ele atuou como lateral recuado, ou seja, não avançava ao campo de ataque para dar amplitude (alargar o campo) nem dar profundidade (ir à linha de fundo). Teve como prioridade ser uma opção de retorno na defesa, até pensando em uma transição ofensiva do adversário.

Mesmo como LD, Jemerson fica mais recuado ajudando a saída de bola. Foto: Reprodução

E mesmo assim, quando pisava no campo de ataque, notou-se que ele ocupava prioritariamente uma zona interior do campo. Ou seja, o ponta jogava aberto e ele se posicionava por dentro.

Jemerson posicionado por dentro enquanto o ponta abre o campo. Foto: Reprodução

Jemerson em partida pelo Monaco — Foto: Tim Clayton/Getty Images

NÚMEROS DO JEMERSON NA TEMPORADA 2019/2020:

  • 15 jogos (15 como titular)
  • 2,6 desarmes por jogo
  • 17/26 disputas aéreas vencidas (65%)
  • 84% de acerto no passe
  • 895 ações com a bola (59,5 por jogo)

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

Começando pelo aspecto defensivo, Matheus entende que sistemas que privilegiam uma formação mais agressiva sem bola podem favorecer seu futebol. “A impressão que eu tenho é que em alguns tipos de sistemas de jogo ele rende mais, sobretudo com times mais agressivos, que quando sobem as linhas, sobem bem”, afirma.

Isso vai ao encontro com o que ele falou anteriormente, citando a velocidade do zagueiro. Mas como Renato bem ressaltou, é importante haver coordenação. Se ele ficar exposto, a tendência é que sofra.

Em relação a defesa de área, Matheus não entende que esse seja seu forte. “Não acho o Jemerson uma referência em defesa de área. Vejo o Gil melhor que ele nisso, por exemplo.”

Quando falamos no zagueiro nascido em Jeremoabo (BA), um fator tem que ser citado: saída de bola. Ele é um jogador que busca o passe vertical, que ajuda a romper linhas. Se não é um passe em linha reta, ele também pode usar das inversões para o lado oposto como uma arma para abrir defesas.

Claro, isso é ótimo e até fundamental para uma equipe que se proponha a ter uma saída qualificada. Porém, Jemerson ainda peca em alguns pontos, especialmente quando é pressionado. Entrando na citada falta de concentração do início do texto, não é raro ver ele sendo pressionado por um atacante e errar o passe, devolvendo a bola ao adversário, que pode armar um contragolpe a partir disso.

Para finalizar, tanto Matheus como Renato afirmaram que Jemerson tem uma boa presença ofensiva para cabecear, com boa chegada e facilidade para fazer gol. Em um time que tem bons batedores de falta laterais ou escanteios como Fagner, Cazares e Luan isso pode ser uma excelente notícia

No Galo foram 8 gols anotados, no Mônaco foram 4


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