O Corinthians teve poucos treinadores nos últimos anos, se comparado a outras equipes grandes do Brasil. Com temporadas brilhantes de Mano Menezes, Tite e Fábio Carille, alguns comandantes passaram pelo banco de reservas do Timão e até tentaram, mas não conseguiram marcar o torcedor positivamente.

Um deles foi o técnico Jair Ventura, que comandou a equipe alvinegra por alguns meses de 2018. Após bom trabalho no Botafogo e muitas críticas no Santos, o profissional, que é filho do ex-jogador Jairzinho, faz parte da famosa nova escola de treinadores, que tem Fábio Carille, Alberto Valentim e Tiago Nunes, atual comandante do Corinthians, entre outros.

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Jair Ventura chegou ao Corinthians ainda com muitos elogios vindo do ótimo trabalho que tinha feito pelo Botafogo. Com uma equipe com elenco inferior, conseguiu fazer ajustes precisos e levou o time para as quartas da Copa Libertadores em 2017, perdendo para o futuro campeão Grêmio. Um ano antes, venceu o próprio Corinthians por 2 a 0, deixando boa impressão para os torcedores alvinegros.

Nas duas primeiras partidas como treinador do Corinthians, contra Palmeiras e Flamengo, Jair encontrou dificuldades para propor o jogo e ter a posse de bola. Em entrevista exclusiva ao SCCP Scouts, o profissional afirmou que não teve tempo para impôr sua metodologia até os grandes confrontos em questão.

“A verdade é que não fiz nenhuma mudança, mantive o mesmo time. Fiz esses dois jogos com menos de cinco dias, sem nenhuma sessão de treino. Gradativamente, com o passar dos jogos, nós tivemos 68% de posse nos jogos em que eu fiquei. Incluindo a final contra o Cruzeiro, que tivemos 75%. Tivemos momentos de defender, mas a maior parte nós pudemos controlar os jogos. Nesses dois jogos nós sofremos mais, porém não por estratégia, mas por necessidade”, contou Jair.


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Apesar das críticas que recebeu, mesmo chegando à final da Copa do Brasil (tema da segunda parte da entrevista que sairá nesta terça-feira, 9), Jair Ventura deixou uma mensagem aos torcedores do Corinthians:

“Vocês me proporcionaram um dos momentos mais marcantes da minha vida como treinador. O treino aberto foi uma coisa que eu nunca mais vou esquecer. Foram mais de 40 mil torcedores na arquibancada e você trabalhando ali no meio. Foi um momento emocionante. Queria agradecer pelo carinho. Realmente, a torcida é o 12º jogador. Teve um jogo em que a gente estava mal, contra o Bahia, com o gol do Danilo de bicicleta. Quanto mais chovia, mais vocês apoiavam e nós conseguimos a vitória. Uma pena não ter ficado marcado com o título, mas só tenho que agradecer pelo apoio no tempo em que estivemos juntos”

– Jair Ventura, à torcida do Corinthians

Com a experiência de ter convivido alguns meses com a torcida do Corinthians, Jair Ventura, ao comentar a dificuldade de Tiago Nunes de impôr a sua metodologia e conseguir bons resultados, chama a atenção para a cultura do clube alvinegro. Analisando a própria carreira, o treinador diz que comandou três equipes diferentes (Botafogo, Santos e Corinthians), com estilos de jogo adaptado ao elenco e o tempo que tinha à disposição.

“Eu mostro a situação de fazer trabalhos distintos de acordo com o elenco, a competição. Dou um exemplo do Luxemburgo, que era reativo no Vasco e hoje propõe no Palmeiras. O Roger Machado propunha no Palmeiras e hoje joga na transição no Bahia. O treinador tem que ser mutável com o seu elenco, característica do seu clube, com a cultura”, comentou

CONFIRA OS NÚMEROS DE JAIR VENTURA NO COMANDO DO CORINTHIANS:

  • O treinador esteve à frente do comando do Corinthians por 19 partidas. Com aproveitamento de apenas 32%, Jair Ventura foi derrotado em nove confrontos, empatou outros seis e venceu quatro.
  • Dos 12 gols feitos pelo Corinthians durante o comando de Ventura, nove foram de bola rolando e 10 saíram na segunda etapa da partida. O time de Jair também teve dificuldades como visitante, marcando apenas duas vezes.
  • A defesa do Corinthians em 2018 era um dos problemas do elenco alvinegro. Foram 19 gols tomados, tendo, em média, um tento sofrido por partida. Dez deles foram na Arena, enquanto outros nove foram na casa da equipe adversária.
  • Outro problema foi a bola parada do Corinthians, que foi destaque negativo nas últimas temporadas. Se o time alvinegro conseguiu marcar apenas três vezes através de faltas e escanteios, os adversários conseguiram aproveitar e balançaram a rede sete vezes após jogadas desse tipo.
Jair Ventura durante treino no CT Dr. Joaquim Grava pelo Corinthians

UM NOVO JAIR VENTURA

Sem clube desde a saída do Corinthians, em 2018, Jair Ventura afirmou que tirou ano de 2019 para passar mais tempo com a família, já que tinha acabado de ser pai. Porém, o treinador afirmou que seguiu estudando para melhorar o seu nível de trabalho.

“Tirei o ano passado para aprimorar como treinador, de muito estudo. Consegui ver tendências, estudar o futebol mundial como um tudo. Quando a gente está trabalhando, vivemos o clube em 1000%. Não temos tempo para nada. Com certeza hoje sou um profissional muito melhor. Por ter vivido grandes clubes como vivi, ter jogado duas Libertadores consecutivas, ter chegado à semifinal da Copa do Brasil de 2017 e à final de 2018”, comentou Ventura.

“O poder de percepção, gestão, liderança e a comunicação, junto com o controle emocional, são os cinco pontos principais para a carreira de um treinador”

O ex-treinador do Corinthians também afirmou que tem se reunido semanalmente com sua comissão técnica para criar novos treinos. “Já estamos montando novos treinos, temos muita coisa bacana. Sou um cara que busca muito os estudos, mas lógico que a percepção do treinador individual é muito importante”, ressaltou.

“Com tudo que eu aprimorei, meus treinos são diferentes, as minhas metodologias já são diferentes. Você sempre precisa estar atualizado sempre. Na minha volta, eu vou ser um profissional muito melhor do que na época do Corinthians. Eu tive muitas propostas de 2019, mas não quis escutar. Assim que o futebol voltar, estou pronto para poder trabalhar. O futebol é minha paixão. Que possa voltar o quanto antes”, concluiu Jair Ventura.

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