Entenda os mecanismos ofensivos executados por Mosquito que melhoram o rendimento do lateral-direito corinthiano. Estatísticas reforçam a importância da dupla.

Ao entrar em campo na partida contra a Inter de Limeira, Fagner completou 400 jogos pelo Corinthians. Fruto do Terrão, ele retornou para a sua segunda e atual passagem em 2014 e é considerado o melhor lateral direito do país por grande parte da crítica especializada. Tendo como principais virtudes seu apetite e capacidade ofensiva, Fagner formou excelentes duplas pelo corredor direito do Corinthians desde então. Talvez, a principal delas tenha sido ao lado de Jadson, em 2015.

Com a volta de Gustavo Silva ao Corinthians na temporada de 2020, Fagner ganhou outro parceiro capaz de potencializar seu jogo, ainda que com mecanismos distintos aos do meia em 2015.

Gustavo tem ótimo posicionamento em campo, naturalidade e confiança para acelerar as jogadas, explorar o 1×1, driblar e atacar o espaço, além de boa condução de bola e tomada de decisão no terço final do campo. Entenda como essas qualidades não só potencializam o jogo de Fagner, mas transformaram essa dupla na principal arma ofensiva do Corinthians em 2020.

CORREDOR ABERTO: O QUE FAGNER PRECISA PARA FAZER A DIFERENÇA

O apetite ofensivo do lateral direito corintiano se soma à excelente capacidade de passe, cruzamento e enfrentamento no 1×1. Enquanto isso, o bom posicionamento de Gustavo no entrelinhas e sua ótima capacidade de drible exigem acompanhamento constante dos defensores, o que proporciona a liberação do corredor para Fagner, onde o lateral faz a diferença. Observe a jogada abaixo.

Foto: Reprodução
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Cantillo lança e encontra Fagner livre no corredor, pois Mosquito prendia o lateral esquerdo adversário em uma zona mais central. Na sequência, o lateral adversário é obrigado a se deslocar para marcar Fagner, mas, ao fazê-lo, deixa Mosquito aparecer livre atacando o espaço no último terço do gramado. Esta foi uma das investidas ofensivas mais frequentes do Corinthians no Brasileirão de 2020. Na sequência do lance acima, Fagner aciona o atacante corinthiano em lindo passe de cabeça e Mosquito faz um belo gol de canhota, inaugurando o placar contra o Athletico, na Neo Química Arena.

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Agora em uma faixa mais avançada do campo, Cantillo executa a inversão e, novamente, encontra Fagner no corredor. Aqui, Mosquito está posicionado dentro da área, abrindo espaço para o lateral.

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O frame acima ilustra como o posicionamento de Mosquito é fundamental para atrair o lateral adversário e, assim, abrir a amplitude para Fagner receber livre.

Além das inversões, Gustavo também se posiciona no entrelinhas como opção de passe em profundidade, para abrir espaço para Fagner. É o que ocorre na jogada abaixo, com Bruno Mendez acionando Mosquito no passe de ruptura. Na sequência, o atacante já se apresenta à frente para ser opção de profundidade para o próprio Fagner, atraindo os marcadores e liberando espaço às suas costas para a chegada de Cazares.

A capacidade de acelerar as jogadas e ser sempre uma opção de passe em progressão é uma das principais qualidades ofensivas de Gustavo.

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Abaixo, Mosquito se posiciona como opção de passe no entrelinhas para Cazares, que o encontra livre. O deslocamento dos defensores para marcá-lo deixa Fagner solto na direita, e já no último terço do campo. Gustavo aciona o lateral corintiano e se apresenta na área. Na sequência à finalização de Gustavo, Jô abre o placar para o Corinthians contra o Fluminense no rebote do goleiro Marcos Felipe.

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GUSTAVO ATACANDO O ESPAÇO E EXPLORANDO O BOM PASSE VERTICAL DE FAGNER

Além de abrir o corredor para Fagner, Mosquito também explora outras conexões com o lateral em campo. Uma delas é um mecanismo para atrair o marcador adversário para o centro do campo, gerando e atacando o espaço às suas costas. E, para isso, explorando a ótima capacidade de passe em profundidade de Fagner. Em geral, Mosquito parte do espaço entre o quarto zagueiro e o lateral esquerdo, Fagner lança a bola por fora do lateral esquerdo e o atacante a recebe à frente dos dois.

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ASSOCIAÇÕES CURTAS ENTRE FAGNER E MOSQUITO NO CAMPO DE ATAQUE

Com bom domínio orientado e qualidade na condução de bola e no passe, Mosquito também promove associações curtas com Fagner pelo lado direito. Em geral, essas associações se dão também na presença de outros jogadores por ali, em momentos em que o Corinthians aglomera meio-campistas no setor. Na jogada abaixo, Ramiro apareceu e o passe de calcanhar de Mosquito quebrou a linha de marcação, permitindo a infiltração rápida de Fagner. Essa jogada em velocidade remonta o Corinthians de 2015, sendo bastante explorada por Jadson naquela oportunidade.

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ALTERNÂNCIAS ENTRE FAGNER E MOSQUITO NA OCUPAÇÃO DO CORREDOR

Como Fagner e Mosquito são capazes tanto de explorar o corredor quanto de agregar ofensivamente à equipe em uma zona mais centralizada, há alternância nessas posições ao longo das partidas, o que confunde as defesas adversárias. Isso porque Fagner, ao ocupar zonas mais centrais, atua como armador, enquanto Gustavo invade a área ou aparece como opção de passe em profundidade. Nas imagens abaixo, Fagner aparece por dentro e deixa Mosquito livre pela direita, acionando-o.

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A COMPARAÇÃO COM LÉO NATEL

Gustavo Silva tem 1,68m e 63 kg. Léo Natel, 1,79m e 74 kg. A diferença de porte físico entre os dois se traduz também no estilo de jogo. Enquanto um é mais leve e apresenta maior capacidade de drible curto, condução de bola e 1×1, outro se destaca pela superação em duelos pelo alto ou pelo chão contra defensores adversários. Léo Natel não apresenta a mesma naturalidade de Mosquito para se posicionar entre as linhas adversárias, partir para o 1×1 e acelerar rapidamente as investidas corintianas.

Escalado pela extrema direita, o atacante ex-São Paulo fica mais preso ao corredor e apresenta mais dificuldade de promover associações bem-sucedidas com Fagner e de liberar espaço no corredor para ele.

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Acima, Leó, mesmo em uma zona baixa do campo, tenta partir no 1×1, mas é facilmente desarmado pelo adversário.

O mapa de calor de Léo Natel na partida diante do River Plate do Paraguai pela Copa Sul-Americana, em comparação ao mapa de Gustavo no jogo contra o Athletico, pelo Brasileirão de 2020, ilustra essa diferença. Arraste a imagem abaixo para a esquerda e para a direita para comparar.

NÚMEROS REFORÇAM A IMPORTÂNCIA DA DUPLA FAGNER – MOSQUITO

A dupla Fagner-Mosquito se transformou em uma das principais alternativas ofensivas do Corinthians em 2020. Entre as 23 partidas disputadas sob o comando de Vagner Mancini pelo Brasileirão, os dois foram a campo juntos na equipe titular em 11 delas. Foram 19 gols anotados pelo Timão nestes jogos, contra apenas 9 marcados nos outros 12. A média com a dupla é de 1,73 gols por jogo, versus 0,75 sem ao menos um deles.

Dos 19 gols marcados sob a presença de Fagner e Gustavo, 8 contaram com a participação direta (gol ou assistência) de ao menos um dos 2.  Além disso, na presença de Gustavo, a nota média de Fagner salta de 7,1 para 7,4, segundo o Sofascore.  

Apesar disso, a presença de Mosquito implica também em mais vulnerabilidade do sistema defensivo corintiano. Isso porque a dedicação e atenção do extrema na recomposição são menores que a de outros atletas que jogaram com Mancini no setor, como Ramiro. Em média, o Timão sofreu 1,36 gols por jogo com Gustavo em campo como titular, contra 0,75 sem.

O saldo de gols, no entanto – +4 com a dupla e -1 sem – evidencia que houve mais bônus que ônus na equação. Além disso, é tarefa da comissão técnica aprimorar a recomposição de Mosquito e evitar que o time sofra gols por jogadas trabalhadas às suas costas. Muito mais difícil é lapidar tecnicamente jogadores com outras características, como Ramiro e Léo Natel, para exercerem todo o repertório de funções ofensivas que Gustavo proporciona ao Timão quando está em campo.

Aos 23 anos, Gustavo Silva terá tempo para desenvolver sua postura defensiva. Enquanto isso, segue sendo excelente alternativa para a equipe em fase ofensiva, gerando movimentos, associações e atacando espaços que permitem a progressão do Corinthians e ajudam a extrair o melhor de alguns de seus companheiros. Fagner, um dos principais atletas do Timão há anos, que o diga.

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