Seguindo a série de artigos que o SCCP SCOUTS se propôs a elaborar, apresentando os motivos que explicam o desempenho  do Corinthians em 2020, agora vamos avaliar outro fator que influencia negativamente no rendimento da equipe: o posicionamento dos pontas no momento em que o time está atacando.


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Talvez a principal carência do elenco do Corinthians sejam os pontas agudos e capazes de desequilibrar em situações de 1×1. Atualmente, o clube conta as seguintes opções para essa posição: Everaldo, Janderson e Léo Natel. O grande problema é que nenhum desses jogadores mostraram ter qualidade técnica suficiente a ponto de serem considerados como alternativas confiáveis.

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Obviamente que essa carência no elenco poderia ser solucionada prontamente com uma contratação de um jogador que atue nessa posição e de qualidade reconhecida. Mas, diante da situação financeira caótica atual do Corinthians, essa possibilidade parece ser improvável. Então, a hipótese que resta (caso Tiago Nunes permaneça com a ideia de atuar com sistemas que utilizem pontas) é criar um cenário em que a organização tática e coletiva da equipe potencialize o rendimento de jogadores com esse perfil.

É importante dizer isso, pois a forma como os pontas do Corinthians tem atuado com Tiago Nunes não tem contribuído para otimizar o rendimento desses jogadores. Esse argumento pode gerar contrariedade ou até espanto em algumas pessoas, mas as razões para essa afirmação ter sido feita não são tão complexas de explicar.

No modelo de jogo que Tiago Nunes tem predileção, quando a equipe está atacando, os pontas costumam trabalhar por dentro (no espaço entrelinhas), recebendo muitas bolas de costas para o adversário. A foto abaixo ilustra bem essa ideia:

Importância dos pontas por dentro e posicionamento dos laterais na equipe de Tiago Nunes

Mas isso pode suscitar uma dúvida: por que esse posicionamento atrapalha o rendimento dos atacantes de lado do Corinthians? Pois bem: para os pontas conseguirem boas atuações, trabalhando no corredor central e de costas para os defensores, é necessário que estes atletas possuam, pelo menos, uma das condições apresentadas abaixo:

  • Resistência física para suportar os duelos físicos constantes no espaço entre as linhas de marcação do rival;
  • Muita agilidade e inteligência para pensar e executar o movimento de girar o corpo, se desvencilhar da pressão do adversário e direcionar um passe, sempre buscando tabelas curtas com companheiros próximos ao setor da bola. 

Como Everaldo, Janderson e Léo Natel não possuem nenhuma dessas características mencionadas acima, a utilização deles no espaço entrelinhas, acaba prejudicando o rendimento individual e, consequentemente, influi negativamente na dinâmica da equipe no momento de criar situações de gol.

Uma prova cabal disso é a atuação de Janderson e Everaldo contra o Guaraní (PAR), no jogo de ida da segunda fase preliminar da Libertadores 2020: diante de uma linha defensiva do Guaraní-PAR, que era composta por jogadores que se impõem pela força física, Janderson e Everaldo tiveram muitas dificuldades de se adaptar ao que o jogo necessitava.

Em muitas ocasiões da partida, os pontas do Corinthians (que são frágeis fisicamente) recebiam a bola de costas para o gol, tinham que fazer o pivô rapidamente mas eram facilmente desarmados pelos defensores do Guaraní-PAR ou tinham pouco tempo para dominar a bola e direcionar um passe antes que fossem pressionados pelos jogadores rivais com muita “agressividade”.

Um número que sinaliza a dificuldade de Janderson e Everaldo, nesse jogo mencionado, é o número de perdas de posse de ambos: Janderson foi o 2° jogador com mais perdas de posse do Corinthians na partida (no total, foram 20), enquanto Everaldo apresentou um número mais satisfatório (teve 12 perdas de posse).

Janderson é um dos nomes mais criticados do atual elenco do Corinthians (Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians)

Portanto, certamente, a fragilidade física de Janderson e Everaldo (além de Léo Natel, recém contratado, mas que possui a mesma dificuldade) é um fator impeditivo para quem ambos tenham desempenho satisfatório jogando por dentro.


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Por isso, é recomendável que Tiago alterne a dinâmica da movimentação na fase ofensiva no lado esquerdo do campo: ao invés de insistir com o ponta atuando na entrelinhas e o lateral dando amplitude, Tiago pode inverter isso, fazendo com que o lateral esquerdo sirva como um apoio no corredor central e o ponta esquerda funcione dando amplitude para a equipe.

Desse modo, os extremos que atuam pelo lado esquerdo do Corinthians poderiam ser potencializados (especialmente Everaldo, que é o atacante de lado mais qualificado do plantel atual) ao receberem a bola de frente para o marcador, facilitando a virtude de drible e do mano a mano que possuem.

Pelo lado direito, Tiago pode manter a ideia do lateral dar amplitude e o ponta centralizar, uma vez que Fagner (lateral) é melhor no 1×1 e mais incisivo do que Ramiro (ponta mais indicado para atuar pelo lado direito).

Não há nenhum problema que Tiago proponha essa assimetria na forma de atacar entre os dois lados (no lado esquerdo o ponta é utilizado para dar amplitude e no lado direito o ponta atua por dentro). Afinal, um bom técnico tem que tentar extrair o máximo de cada jogador, independente se isso necessitar movimentações diferentes de jogadores da mesma posição.

Veja a seguir uma animação que representa essa ideia apresentada no texto, para potencializar os atacantes de lado do Corinthians:


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