Por Renan Oguma

Dono da posição desde 2014, Fagner é sem dúvidas um dos melhores laterais-direitos de todos os tempos do Corinthians. Quase 400 jogos, dois Brasileiros e três Paulistas fizeram com que a cria do ‘Terrão’ carimbasse o nome na história do clube. Mas justamente essa comodidade fez com que se criasse um problema que até hoje nos incomoda: a falta de um reserva à altura do titular.

Peça fundamental nos esquemas de Tite, Carille e companhia, o jogador de 31 anos possui 10 gols e 45 assistências em mais de sete anos de Timão. Seja por convocação para Seleção ou por cartões, é inevitável que Fagner não vá jogar todas as partidas no ano (mesmo com uma média de 51 jogos por temporada). Vários jogadores passaram pelo time para suprir quando necessário, mas nenhum se firmou.

Após a aposentadoria de Alessandro, Fagner foi contratado por empréstimo junto ao Wolfsburg para assumir a posição, com Ferrugem, Guilherme Andrade e Diego Macedo se revezando no banco de reservas. Para se ter uma noção do tempo de jogo dos substitutos, se somar os minutos em campo dos três na temporada inteira equivale à minutagem do nosso camisa 23 apenas no Paulistão. Foram sete, oitro e três partidas respectivamente (a maioria entrando no 2º tempo).

Fagner melhorou seu desempenho e se tornou peça importante para Mancini
Fagner melhorou seu desempenho e se tornou peça importante para Mancini (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

O ano de 2015 foi quando houve um revezamento maior. Edílson chegou para fazer uma sombra ao lateral e conseguiu. Foram 29 jogos (a maioria pelo Brasileirão), sendo 21 como titular, uma assistência e nove cartões amarelos. Logo no ano seguinte, o camisa 2 foi vendido para o Grêmio, depois de apenas dez jogos em 2016. Tal transferência fez com que o Corinthians olhasse para a base, fazendo com que Léo Príncipe ganhasse algumas oportunidades.

Ganhando minutos e moral após marcar o primeiro gol como profissional na vitória por 3 a 0 contra o Sport, Léo acabou ficando marcado após ser expulso na derrota no clássico contra o Palmeiras por 2 a 0 em casa. O jogador continuou sendo o principal/único reserva na lateral direita em 2017. Atuou em 13 partidas, mas não convenceu a torcida e foi emprestado em 2018 ao Le Havre, da França. Depois foi para o Guarani e Paraná e após o fim do contrato no final de 2019, se transferiu para o CRB.

Em 2018, o Corinthians sofreu para achar um substituto do Fagner. Em ano de Copa do Mundo, o lateral era figura constante nas convocações de Tite, sendo inclusive convocado para o torneio na Rússia. A solução foi improvisar o volante Guilherme Mantuan. Resultado: jogador extremamente queimado pela torcida e lembrado pela falha contra o Internacional, jogo em que deixou o campo chorando após o erro cometido que resultou no gol colorado. Foram 23 jogos, sendo 12 sob o comando de Fábio Carille, dez de Osmar Loss e um de Jair Ventura.

Desde 2019 o nosso reserva é Michel Macedo. Campeão da Libertadores pelo Atlético-MG em 2013 e jogando na Espanha desde 2014, o lateral chegou pouco conhecido pela torcida. Jogou 19 partidas no primeiro ano de Corinthians e apenas oito em 2020. O auge do atleta pelo clube foi o lindo gol contra o Palmeiras, no empate em 1 a 1 pelo Brasileirão de dois anos atrás.

Nesses sete anos de Fagner, foram sete reservas de todos os tipos: base, experiente, improvisado ou aposta. A posição não ajuda também, diversos clubes sofrem com a lateral direita titular, imagina para se ter um reserva de qualidade. Porém, o jogador de 31 anos não vai render em alto nível para sempre.

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