Marcado historicamente por ser o time do povo, o Corinthians contou poucas vezes com treinadores negros. Baseado nos quase 110 anos de história do clube alvinegro, buscamos todos os nomes de técnicos pretos que já passaram pelo clube e levantamos seus desempenhos durante suas respectivas passagens.

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1 – Gentil Cardoso

O primeiro da lista foi Gentil Cardoso, em 1948, que teve uma passagem curta de aproximadamente seis meses. Nesse período, ele comandou a equipe em 22 partidas, venceu 13, empatou três e perdeu seis – marcando 49 gols e sofrendo 35, segundo dados do AcervoSCCP.

Mesmo com bons números, o técnico acabou caindo devido a pressão da diretoria. Na época. o Corinthians estava em seu sétimo ano de jejum do Campeonato Paulista. Logo, o foco era todo nesse campeonato, cujo Gentil não foi bem, sem conseguir ganhar de nenhum rival (sofreu uma goleada para o Palmeiras na Taça Cidade de São Paulo, perdeu para o São Paulo em duas oportunidades e contou com duas derrotas para o Santos, uma na disputa pela Taça das Taças e uma no Paulista).

O seu melhor momento no clube foi na Taça Cidade de São Paulo, onde a equipe perdeu de 6 a 0 para o Palmeiras e, na outra ocasião, empatou e venceu a Portuguesa duas vezes. Ele acabou sendo campeão desse campeonato e indo disputar a Taça das Taças (Campeão da Taça Cidade de São Paulo e o da  Taça Cidade de Santos) contra o Santos, que foi o campeão.

2 – Sylvio Pirillo

Com duas passagens pelo Corinthians (1959-60 e 1974-75), Sylvio Pirillio esteve no banco do Corinthians em 124 partidas, ganhando 67, perdendo 31 e empatando 31 – fazendo 158 gols e levando 209. Pelo Timão, o técnico conquistou a Copa São Paulo em 1975.

Sua primeira passagem não foi boa. No Campeonato Paulista de 59, Pirillo ficou com a quinta colocação – a pior na década de 50 – e perdeu a confiança da torcida por ter sido responsável pela saída de Idário e Luizinho. Em 1960 fez seis amistosos antes de ser substituído por  Alfredo Ramos . Nessa ocasião, ele venceu duas partidas e perdeu uma, empatando três, mas marcando 16 gols e sofrendo 14.

De volta em 1974, Sylvio conseguiu liderar o Paulista no primeiro turno com oito vitórias, três empates e duas derrotas. Porém, no segundo turno, Pirillo não conseguiu o mesmo sucesso e acabou na sétima colocação. Em 28 jogos, ele venceu 13 deles, perdeu nove e empatou seis marcando 29 gols e sofrendo 23.

Como campeão do primeiro turno, o Corinthians enfrentou o Palmeiras, campeão do segundo turno – foi a primeira final de Campeonato Paulista do Corinthians desde 1957. Na primeira partida, as equipes empataram. Mas na segunda o rival levou a melhor e foi campeão. Como a expectativa era alta o resultado gerou uma crise no clube e Ricardo Rivello foi culpado pela resultado, sendo foi negociado posteriormente.

No ano seguinte, o Corinthians quase foi campeão do primeiro turno, mas deixou o titulo escapar nas ultimas rodadas para o São Paulo. No inicio do segundo turno, Sylvio Pirillo foi demitido, fazendo uma campanha com 12 vitorias seis empates e três derrotas em 21 partidas, marcando 34 gols e sofreu 15.

3 – Baltazar

Baltazar foi jogador do Corinthians de 1945 a 1957, com 267 gols marcados, sendo até hoje um dos maiores artilheiro da história do clube. E, em 1965, foi convidado pelo Timão para ser auxiliar técnico, mas só foi efetivado no final do Campeonato Brasileiro – participando de seis partidas. vencendo três e empatando três, mas marcando 14 gols e sofrendo cinco.

No campeonato nacional, Baltazar chegou com o Corinthians sem chances de conseguir o título, mas estava no comando da equipe na partida contra o Santos, na qual chegou a estar perdendo por três gols e o Timão conseguiu o empate no segundo tempo com gols do zagueiro Marçal e dois de Mirandinha. Seu vínculo com o Timão não continuou devido a seus conflitos com a diretoria na época.

4 – Super-Zé

O ex-lateral Zé Maria participou de alguns dos maiores momentos da história do Corinthians. Jogando na equipe de 1977, ele foi capitão na conquista do Campeonato Paulista que deu fim a um jejum de 23 anos sem títulos. Além disso em uma partida em 1979, o jogador feriu o supercílio. Porém, continuou em campo com a camisa branca machada com o vermelho de seu sangue, se transformando em um simbolo de raça do clube.

No ano de 1983, Zé Maria foi eleito pelos jogadores como técnico da equipe na conquista do Campeonato Paulista daquele ano, no momento em que o clube vivia a Democracia Corinthiana.

5- Zé Maria

No ano de 1986, o presidente Vicente Mateus concedeu a José Maria Oliveira a chance de assumir a equipe principal. Com o desafio aceito, Zé Maria ficou 36 rodadas invicto, tirou a Taça dos Invictos do Palmeiras e revelou Marcelo, Márcio, Marcos Roberto, Viola e Paulo Sérgio.

De volta ao Corinthians em 1990 para substituir Basílio, Zé Maria assumiu a equipe no final do Campeonato Paulista, ficando um ponto atrás do Bragantino e terminando a terceira fase invicto – foram 11 jogos, oito empates e quatro vitórias, marcando 12 gols e tomando sete.

No Campeonato Brasileiro, nas duas partidas no comando, perdeu ambas: 3 a 0 para o Grêmio e 1 a 0 para o Cruzeiro.

No geral esteve no comando em 20 jogos, saindo vencedor em sete, empatando em dez e perdendo três, tendo anotado 21 tentos e levado 15.

6 – Basílio

Além de herói como jogador, Basílio também foi treinador do Corinthians
Além de herói como jogador, Basílio também foi treinador do Corinthians (Foto: Divulgação/Corinthians)

O ídolo do Corinthians Basílio, autor do gol do titulo em 1977, tentou a carreira de técnico e passou pelo Timão seis vezes.

Sua primeira passagem foi em 1985, quando se tornou técnico interino e esteve no comando em apenas uma partida do Campeonato Paulista que perdeu para o São Paulo por 1 a 0.

Depois em 1986,  substitui Rubens Minelli em nova oportunidade, vencendo e empatando quatro partidas e perdendo uma, o time comandado por ele marcou 11 gols e sofreu 6.

Novamente como interino em 1987, substituiu Jorge Vieira por nove partidas, perdendo e vencendo duas partidas e empatando cinco, marcando e levando dez gols.

Após 19 jogos no total como interino, em 1989 foi efetivado. Em 18 partidas venceu oito, empatou seis e perdeu quatro. Brigou pela pela vaga na final do Campeonato Brasileiro até as últimas rodadas, mas não conquistou.

Mesmo assim em 1990 teve sua segunda chance, mas por cair na semifinal o técnico não teve sequência e acabou a passagem com 26 partidas, doze vitórias e empates e duas derrotas, além de 23 gols marcados e 9 tomados.

Em sua ultima passagem pelo clube, em 1992, o técnico fez 53 partidas, venceu 25, empatou 15 e perdeu 13, marcou 77 gols e levou 40. No Campeonato Brasileiro, Basílio levou o Corinthians até a segunda fase onde foi eliminado em um grupo com Botafogo, Bragantino e Cruzeiro. Na Copa do Brasil, foi demitido após perder de 4 a 0 no Pacaembu para o Internacional, nas oitavas de final.

7 – Carlos Alberto Torres

Carlos Alberto Torres, ou ”Capita”, foi técnico do Corinthians em duas oportunidades, somando no total 48 jogos, onde venceu 20, empatou 17 e perdeu 11, sofreu 38 gols e balançou a rede adversária 62 vezes.

Na primeira passagem em 1985, comandou uma das melhores equipes da historia do Corinthians: Carlos; Édson, Juninho, De León, Wladimir; Biro-Biro, Dunga, Zenon; Paulo César, Serginho e João Paulo, além de jogadores como Arturzinho, Casagrande e Eduardo. No campeonato brasileiro caiu na segunda fase em um grupo com Coritiba, Joinville e Sport, somando no campeonato 21 jogos, oito vitorias, sete empates e seis derrotas, levando 16 gols e marcando 23.

Já no Campeonato Paulista comandou a equipe durante 16 partidas e foi demitido após perder para a Ferroviária, finalizando a campanha com sete vitorias e empates e duas derrotas, balançando a rede adversaria 26 vezes e tendo sua rede balançada em 15 oportunidades. No fim da primeira passagem, em 39 oportunidades saiu vitorioso em 17, foi derrotado oito vezes e empatou 14, além de ter marcado 67 tentos e levado 42.

De volta em 1988, ”Capita” teve uma passagem conturbada que o fez jogar apenas nove partidas – onde venceu, empatou e perdeu três vezes, levando 6 gols e marcando cinco. O mau desempenho se deve pelo Corinthians passar por uma reformulação entre seus 31 jogadores, além de problemas por ter se candidatado a vereador pelo PDT no Rio de Janeiro naquela época.

8 – Cilinho

O técnico chegou ao Corinthians em 1991 para substituir Nelsinho e acabou conquistando o vice-campeonato Paulista, além de estar no comando da equipe em 36 oportunidades, vencer e empatar 16 e perdeu quatro, além de sua equipe sofrer 19 gols e marcar 39.

9 – Júnior

Com passagem pelo Corinthians em 2003, Leovegildo Lins Gama Júnior comandou a equipe por apenas dez dias e disputou duas partidas, perdendo ambas por 3 a 0 para o São Caetano e São Paulo no Campeonato Brasileiro. O motivo da sua passagem ser relâmpago é algo que aconteceu fora das quatro linhas: Roque Citadini e Andrés Sanchez prometeram um investimento que não Júnior percebeu que não aconteceria, e então abandonou o projeto.

10 – Cristóvão Borges

Após Tite deixar o clube rumo à Seleção, Cristóvão chegou sob grande expectativa, após jogar pelo clubes em 1986 e 1987. Em 2016, durou três meses no cargo. Esteve no comando da equipe por 18 jogos, ganhou sete, empatou cinco e perdeu seis, além de sofrer 20 gols e marcar 23. O ex-jogador do Corinthians foi demitido depois de uma derrota de 2 a 0 para o Palmeiras, com muita pressão e desentediamento com a torcida.

11 – Jair Ventura

Jair Ventura e Dyego Coelho foram dois dos negros que comandaram o Corinthians recentemente
Jair Ventura e Dyego Coelho foram dois dos negros que comandaram o Corinthians recentemente (Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians)

O Treinador chegou ao Corinthians para substituir Osmar Loss em 2018. Pelo clube foram 19 jogos, quatro vitórias, seis empates e nove derrotas. Com o pior aproveitamento desde 2007 (31,5%), Jair Ventura ainda conseguiu levar a equipe à final da Copa do Brasil, na qual enfrentou o Cruzeiro e foi vice-campeão. No Campeonato Brasileiro, brigou contra o rebaixamento até a penúltima rodada, na ultima perdeu para o Grêmio por 1 a 0 e foi demitido.

12 – Dyego Coelho

Com passagem pelo Corinthians como jogador de 2003 à 2009, Dyego esteve – e está – treinando o Corinthians sub-20, mas em 2019 ele “subiu” para substituir Fábio Carille no Campeonato Brasileiro em que comandou a equipe em oito jogos com três vitórias e derrotas e dois empates, além de deixar o time classificado para a pré-Libertadores.

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