Nesta quarta-feira (30), em jogo válido pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro, às 21h30, na Neo Química Arena, o Corinthians terá o clássico majestoso contra o São Paulo, equipe comandada pelo técnico argentino Hernán Crespo. Veja, nesta análise, as principais armas, pontos positivos, negativos e destaques individuais do tricolor paulista.  

A TEMPORADA DO SÃO PAULO:

O tricolor paulista chega ao majestoso em crise. O clube ainda não venceu no Campeonato Brasileiro e está na zona de rebaixamento. Após o título paulista, o São Paulo sofreu com muitas lesões e teve uma notável queda física – e o físico é algo de extrema importância no estilo de jogo de Hernán Crespo.

Daniel Alves, Benítez, Miranda e Luciano são todos jogadores fundamentais que se lesionaram recentemente e desfalcaram o time, resultando na falta de vitórias na competição.

ESTATÍSTICAS DO SÃO PAULO NO BRASILEIRÃO:

  • 17º colocado (9 pontos)
  • 4 pontos: 4 empates e 3 derrotas 
  • 16ª em gols marcados (4) 
  • 14º em gols sofridos (9)
  • 19º em grandes chances (4)
  • 19º em grandes chances perdidas (2)
  • 2º em posse de bola (61.7%)
  • 4º em passes certos por jogo (425)
  • 16º em acertos de bolas longas (19.6)
  • 1º em cruzamentos precisos por jogo (7.3)
  • 15º em finalizações por jogo (7.4)
  • 17º em finalizações no alvo (2.7)
  • 5º em dribles bem sucedidos por jogo (10.3)
  • 13º em desarmes (13.6) 
  • 16º em interceptações (9.7) 
  • 19º em cortes por jogo (11.1) 

Além da provável volta de Luan, Miranda também pode voltar a ser opção ao São Paulo. O zagueiro treinou na última terça-feira (29) e estará à disposição do treinador.

SAÍDA DE BOLA:

Na primeira fase de saída de bola, feita com o goleiro, o São Paulo normalmente se posiciona em 4+1. Os três zagueiros fazem a saída ao lado de Volpi e um dos volantes se coloca nas costas da pressão do adversário. Normalmente o time se propõe a sair curto, mas não tem medo de sair longo quando necessário.

Agora, na próxima fase de construção, que se dá em uma zona mais avançada do campo, existe bastante variação na estrutura. A ideia principal é atrair o adversário com o objetivo de encontrar passes nas costas dos atraídos.

Para isso, existem duas estruturas principais: a 3+2 e a 3+1. Os três zagueiros se alinham em distâncias médias/curtas (assim construindo com passes mais curtos e forçando adversário a subir) e os médios se colocam nas costas da linha de pressão do adversário. 

Outra dinâmica que o tricolor paulista adota nessa primeira atração é estruturar, mesmo que momentaneamente, a saída em 4+1. Um dos médios desce e entra no meio da linha de três. Os zagueiros externos sobem e viram laterais, enquanto o outro médio continua dando apoio nas costas da pressão. Veja:

Durante as partidas, o time do Morumbi muitas vezes tira um zagueiro e coloca um meio-campista. Quando o fazem, a estrutura de saída muda para um 4+2 com os laterais baixos. Novamente, uma construção sustentada com o objetivo de atrair o adversário e encontrar as costas.

FASE OFENSIVA:

o São Paulo se organiza em um 3-4-2-1 ou 3-4-1-2 na fase ofensiva. Feita a primeira atração detalhada na seção de saída de bola, o tricolor tenta encontrar o espaço entre linhas do adversário ou lateralizar a jogada com os alas para cruzamento. Quando cruzam, o ala do lado oposto vai para área junto aos atacantes para concluir.

Em situações de ataque posicional, as principais vantagens saem dos momentos em que os atletas se juntam no lado esquerdo e se associam por lá.

Além disso, por ter um zagueiro canhoto e com capacidade de construir jogo, o São Paulo utiliza muito e consegue criar bastante vantagens a partir da perna esquerda de Léo Pele.

O defensor avança com conduções atraindo um médio adversário e abre o espaço. O volante aparece como apoio/passe de segurança e o ala é o responsável pela amplitude e atacar o fundo. Sara, quando em campo, também soma por ali, sempre se movimentando bastante.

É, de certa forma, difícil prever os comportamentos ofensivos do São Paulo. Muitos jogadores voltam na partida de hoje. Apesar das dificuldades que a equipe tem em ataque posicional, é bom tomar cuidado com Dani Alves se desgarrando da ala e construindo por dentro e Benítez recebendo entre as linhas.

BOLAS PARADAS OFENSIVAS:

Escanteio ofensivo:

Nos escanteios ofensivos, o São Paulo busca as batidas fechadas com os pés trocados. Canhoto fazendo a cobrança no lado direito (Reinaldo) e um destro no escanteio pelo lado esquerdo. No entanto, Reinaldo também pode fazer a cobrança pelo lado esquerdo com o pé habitual. As batidas são fechadas e próximas à primeira trave. 

Faltas laterais ofensivas: 

Cobranças buscando a segunda trave. Alas dos setores opostos sempre aparecem nas costas da defesa.

FASE DEFENSIVA:

O time do São Paulo é, afirmadamente, um time que apresenta mais perigos quando não tem a bola e pressiona do que quando tem ela e precisa trabalhar em ataque posicional. Quando a pressão são-paulina dá certo, o time normalmente supera seus adversários. Quando não dá, sofre.

O time de Crespo adota uma marcação individual por todo campo. Cada um encaixa no seu e o persegue onde quer que vá. É uma opção que depende demais da vitalidade física dos jogadores – e isso está em falta no São Paulo.

Mas, quando há fisicalidade necessária e essa marcação encaixa, é muito difícil encontrar espaços para jogar. Foi com essa estratégia que o tricolor ganhou o paulista.

Quando pressiona os tiros de meta do adversário, o São Paulo normalmente encaixa os dois atacantes nos dois zagueiros e o meia do 3-4-1-2 adotado nessa fase no volante. Os atacantes induzem sempre os zagueiros a jogar pelas laterais e então os alas sobem para pressionar, forçando o lateral a jogar longo.

A estrutura de pressão, claro, muda a depender do adversário. Se fazem a saída com mais elementos, mais gente sobe pra pressionar. Com menos elementos, menos gente. Contra o Galo, por exemplo, o São Paulo marcou com menos gente (e o Galo fazia saída com menos também) e encontrou dificuldades.

Nesse jogo, o tricolor paulista estava bastante desgastado fisicamente e não conseguiu pressionar para tirar tempo e espaço dos adversários.

Agora, pro Corinthians desmantelar esses encaixes individuais tricolores, Sylvinho tem muito a aprender com a estratégia adotada por Fernando Diniz na partida entre São Paulo e Santos.

A estrutura fixa de saída do Corinthians nas últimas partidas (2+3, com laterais baixos e Cantillo sendo o primeiro volante) é bastante confortável para o São Paulo. Encaixam atacantes nos zagueiros, o meia no volante e induzem a construção do time adversário para as laterais, onde pressionam com os alas.

Na partida contra o Santos, não ficaram tão confortáveis assim. O Santos trazia bastante gente pra fazer a saída – Marcos Guilherme, ponta, vinha buscar no pé do goleiro – e assim atraíam e tiravam de posição os jogadores do São Paulo.

Reparem como o Santos trazia vários elementos para a saída de bola e forçava os jogadores do São Paulo a percorrer longas distâncias e a sair de sua zona. O Santos encurtava as distâncias, aproximava os jogadores, atraía o São Paulo e buscava as costas.

Ou seja, a pressão do São Paulo esbarrou em dois problemas nesta temporada: desgaste físico e mobilidade do adversário. Ficar estático não vai adiantar nada: o Corinthians precisa se movimentar e tirar os jogadores do rival de posição, para assim explorar os espaços vazios.

Em momentos de organização defensiva, o nosso rival também apresentou algumas dificuldades, principalmente contra o Galo. Os jogadores concediam tempo e espaço demais para os jogadores atleticanos jogarem. Desgaste físico.

A transição também foi prejudicada nos últimos jogos, novamente devido ao desgaste físico. Muitas vezes os adversários se livravam dos encaixes e atacavam em superioridade. No futebol, toda estratégia adotada tem seus prós e contras – e os encaixes individuais não se eximem disto.

Com a volta de Luan, muito disso pode mudar. O volante se destacava pelo vigor e sempre marcou muito bem os meias adversários quando tinha a tarefa de persegui-los. Claudinho e Scarpa foram jogadores que tiveram muitas dificuldades nos embates contra o jovem são paulino.

BOLAS PARADAS DEFENSIVAS:

Escanteio defensivo:

Agora, falando de bola parada, nos escanteios defensivos, o São Paulo trabalha com duas situações. Marcações predominantemente individuais e dois jogadores na primeira trave para impedir uma cobrança mais fechada. Entretanto, em alguns momentos, o time monta um tripé (princípios de marcação em Y do futsal) com dois jogadores no primeiro pau e um outro por trás. 

DESTAQUES INDIVIDUAIS DO SÃO PAULO:

Luan (VOL): o volante são paulino fez bastante falta nos jogos que esteve fora. Sua vitalidade física é importantíssima nos encaixes individuais de Crespo e para dar sustentação defensiva para o tricolor paulista.

Rigoni (ALA/PE/MEI/ATA): o recém contratado argentino pode jogar em qualquer lugar. Ala esquerdo, direito, meia e atacante. É ambidestro e consegue desequilibrar tanto em cruzamentos quanto achando soluções criativas por dentro.

Benítez (MEI): O argentino é importantíssimo de volta ao time. É um dos melhores do país recebendo entre as linhas e sempre sendo muito criativo no último terço.

VEJA TAMBÉM:

COLUNA ALVINEGRA: O CORINTHIANS FEMININO DEMANDA MAIOR TRANSPARÊNCIA

Deixe uma resposta