No jogo desse domingo (21), o Corinthians saiu da Neo Química Arena com o zero gols no placar, diante de um Vasco da Gama postulante ao rebaixamento, desorganizado e cedendo espaços ao adversário. Diante disso, quais os motivos para que o alvinegro oscile tanto?

Nesse texto, vamos desde o campo, até as escolhas extracampo, para justificar essa temporada abaixo e a classificação apenas para a Copa Sul-Americana.

TEMPORADA DE IRREGULARIDADE OFENSIVA

Em toda a temporada, com a fragmentação em três trabalhos (Tiago Nunes, Coelho e Mancini), é difícil eleger o momento que o Corinthians mais produziu no setor ofensivo. Entre o início promissor de Tiago no Campeonato Paulista e a ascensão de Vagner Mancini no Brasileirão, ficaremos com a época do atual treinador, pelo nível de dificuldade. E mesmo assim, foi um curto auge.

LEITURAS EQUIVOCADAS DE VAGNER MANCINI

Mesmo alcançando o melhor momento ofensivo do Timão na temporada, Mancini oscilou muito. Erros de leituras antes das partidas, e também durante, marcaram a reta final de 2020/21 para o treinador.

Um ponto positivo da passagem foi a retomada de Gabriel e sobre isso Mancini deve ser elogiado. Por outro lado, a escolha do volante que divide cancha com o camisa 5 foi motivo de muitas críticas. Em jogos como Red Bull Bragantino e Vasco, ambos em casa, o Corinthians precisava de qualidade para construir e Mancini optou por Ramiro na vaga de Cantillo.

Continuando nesse confronto com o RB Bragantino, o alvinegro perdia o jogo por 0-2 no intervalo, e Mancini resolveu trocar Mosquito e Vital por Léo Natel e Otero, enquanto Cantillo continuava no banco. Não seremos injustos, o colombiano recebeu uma sequência na titularidade, porém acabou sendo pouco perto do que entregava quando estava em campo.

Repare nas duas imagens abaixo. Em jogos que, somados, o Corinthians fez 8 gols, as zonas mais vermelhas são ocupadas por Cantillo, Mosquito e Fagner. Contra o Fluminense, o Timão utilizou de mais alternativas e a partida beirou a perfeição. Contudo, diante do CAP, a contribuição de Cantillo/Mosquito foi massiva e mesmo previsível dessa forma, o Corinthians ainda fez três gols.

Via Espião Estatístico/GE
Via Espião Estatístico/GE

Agora, veja o mapa do jogo contra o Vasco, o fatídico 0-0 na Neo Química Arena.

Via Espião Estatístico/GE

A bola passou muito pelo centro, no lado direito. Por ali atuaram Ramiro e por vezes Gabriel, jogadores que não possuem a capacidade de construir igual a de Cantillo. Com isso, as ações se concentraram apenas em passes horizontais, sem as inversões e passes verticais que davam tão certo nos pés do colombiano. A opção por Ramiro se mostrou equivocada, o próprio placar conclui isso.

Outro momento equivocado no critério de Mancini foi retirar Mateus Vital do time em sua melhor fase. Rómulo Otero contraiu covid-19 e deu espaço ao camisa 22, que fez excelente sequência (4 jogos/3 gols). No entanto, logo que Otero se recuperou, assumiu novamente a titularidade e produziu pouco, enquanto Vital amargou a reserva.

A CULPA NÃO É SÓ DO TREINADOR

Mancini testou diversas formações de ataque durante sua passagem em 2020/21. A dupla de volantes se revezou, Jô e Léo Natel se alternaram, Mateus Vital e Otero também, Cazares se machucou e Araos ganhou minutos. O único que se tornou fixo foi Gustavo Silva, coincidentemente ou não, o que mais evoluiu.

Ou seja, a equipe sofreu bastante com essas trocas. A lesão de Juan Cazares é ponto crucial nessa história toda. O meio-campista se machucou após a partida contra o RB Bragantino, perdendo cinco das últimas sete rodadas do Campeonato Brasileiro. Araos entrou bem, mas longe de ser dinâmico e decisivo como Cazares.

Outro fator importante é a ausência de centroavante. Nessa temporada, Jô teve dificuldades físicas e técnicas, a ponto de não ser sustentado na titularidade. Léo Natel por sua vez, apesar de mais dinâmico, peca em gestos e desperdiças muitas tentativas de ataque do Timão. Essas duas questões fogem do alcance de Mancini, que até tentou fornecer alternativas para ambos os problemas.

QUAL A SOLUÇÃO PARA ESSA OSCILAÇÃO?

A palavra da vez é paciência. Após um jogo improdutivo contra o Vasco e as chances de Libertadores zeradas, o Timão já pensa na próxima temporada. Para ela, o Corinthians não irá forte ao mercado, reduzirá gastos do próprio elenco e terá que utilizar as categorias de base, mais do que nunca.

Mancini já anunciou que pelo menos SETE jogadores serão promovidos ao profissional e cabe aos torcedores a tão pedida paciência. Enquanto muitos jogadores de alto custo não são aproveitados, usar a base e gastar pouco é uma conta simples para quem sofre economicamente.

Entre esses atletas que devem subir, Cauê é a maior expectativa. Centroavante, presente em seleções de base, Cauê vira alternativa em um cenário preocupante de Jô e Léo Natel. O jovem se movimenta bem e sabe fazer gols.

Outra problema do Timão, dificultado pelo aperto do calendário, é a recuperação do bom desempenho por parte dos atletas mais consagrados. Cássio, Gil, Fábio Santos, Luan e Jô, possuem dos mais altos salários do clube e entregaram pouco na temporada. Mancini terá a missão de integrar jovens e recuperar os experientes, missão das mais difíceis do Timão nos últimos anos.

Assim, conclui-se que o empate desse domingo, foi apenas para escancarar problemas que o Corinthians enfrentou durante toda a temporada e que Mancini, conseguiu estancar por algum tempo. Ele errou em alguns momentos, mas acima disso está o planejamento falho, ausência de peças produtivas e a pressão natural pela alta folha salarial. Mancini deverá fazer revolução e à torcida do Corinthians em 2021, o pedido é de PACIÊNCIA.

CONFIRA AS NOTAS DO CORINTHIANS CONTRA O VASCO:

Cássio: O ídolo finaliza as ambições na temporada com jogo que foi pouco exigido. Pouco decisivo em 20/21, Cássio precisa recuperar a boa forma técnica. NOTA: 6,0

Fagner: Se lesionou durante o jogo e preocupa para o início do Paulistão. Enquanto esteve em campo, tentou algumas investidas ofensivas. Um dos poucos que se salvam na temporada. NOTA: 6,5

Jemerson: Jogou bem. É um atleta que marca muito bem e tem boa construção. É um diferencial quando joga ao lado de Gil. NOTA: 7,0

Gil: Foi bem no jogo e mal na temporada. Gil deixou a desejar e foi questionado até sobre sua titularidade nessa reta final. Porém, já que a nota dada é diante do Vasco, o camisa 4 foi um dos melhores do Corinthians. NOTA: 7,0

Fábio Santos: É um jogador que cai a cada partida, sofrendo muito com a reta final da temporada. A sequência de jogos e a desorganização coletiva tornaram Fábio Santos um jogador muito ineficiente. NOTA: 6,0

Gabriel: Faz pressões interessantes, ajuda bastante defensivamente e apresenta isso em quase todas as partidas com Mancini. Muito participativo ofensivamente também contra o Vasco, Gabriel supre lacunas, sem muito êxito. NOTA: 6,5

Ramiro: Cometeu muitas faltas e não produz ofensivamente. A bola passa muito por seus pés e isso acaba tirando a qualidade do setor ofensivo. NOTA: 5,5

Gustavo Silva: Outro que lesionou e preocupa. Gustavo caiu de produção nas últimas partidas, mas ainda é titular absoluto. Contra o Vasco, 35 minutos foram poucos para demonstrar algo efetivo.  NOTA: 6,0

Araos: Substituído no intervalo, Araos fez um jogo tímido e precisa melhorar sua movimentação na entrelinha. Hoje sua função é ser o reserva imediato de Cazares. NOTA: 5,5

Mateus Vital: Partida bem abaixo de Vital. Após lampejos e boas sequências no Timão, Vital dessa vez fez um jogo para esquecer. NOTA: 5,5

Léo Natel: Pecou em contragolpes e desperdiçou chances de ouro para a equipe. Léo Natel precisa urgentemente melhorar sua tomada de decisão. NOTA: 5,5

Gabriel Pereira: Finalmente entrou em um contexto favorável. Buscou se associar, participou muito, mas ainda assim não teve êxito. O time como um todo foi muito mal e isso prejudicou a entrada do atleta. GP é peça-chave na revolução de Mancini. NOTA: 7,0

Cazares: Em poucos toques, Cazares achou Ramiro para finalizar livre. Movimentou bem nas entrelinhas, e com a retomada da forma física, é essencial no esquema de Mancini. NOTA: 7,0

Michel Macedo: Fagner machucou e Michel cumpriu apenas a função defensiva do camisa 23. Ofensivamente foi nulo. NOTA: 5,5

Jô: Temporada para esquecer e o jogo diante do Vasco não foi muito diferente. Ou Jô evolui, ou perde completamente espaço na equipe. NOTA: 5,5

Otero: Entrou alguns minutos e assim como todo o time, não conseguiu produzir. Puxou um contra-ataque e deixou Jô em boas condições, mas o centroavante desperdiçou. NOTA: 6,0

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