O Corinthians foi a campo nessa quarta-feira (25) para enfrentar a equipe do Coritiba, no Estádio Couto Pereira. A equipe treinada por Vagner Mancini foi ao jogo de uma maneira diferente. Mesmo com apenas dois zagueiros de origem, Fábio Santos por muitos momentos fez uma saída de bola pela esquerda como terceiro zagueiro, enquanto Fagner e Piton jogavam abertos. Em entrevistas coletivas nas últimas semanas, Mancini chegou a falar sobre a possibilidade dessa variação, e hoje conseguiu-se enxergar os primeiros passos de uma mudança que pode ser a solução corinthiana à médio prazo. Contaremos a história do jogo abaixo!

Por Matheus Mazon


Escalação do Coritiba: Wilson, Mailton, Rhodolfo, Sabino e Willian Matheus; Matheus Bueno, Matheus Sales e Mattheus Oliveira; Rafinha, Giovanni Augusto e Robson. Técnico: Rodrigo Santana

Escalação do Corinthians: Walter, Fagner, Bruno Méndez, Gil e Fábio Santos; Xavier, Gabriel, Roni, Luan e Lucas Piton; Jô. Técnico: Vágner Mancini

DETALHE IMPORTANTE: Cássio sentiu um desconforto no aquecimento e Walter assumiu a titularidade de última hora.


EXPECTATIVAS E PRIMEIRO TEMPO


Minutos antes do jogo, a escalação foi divulgada e quem acompanha o Timão ficou em dúvida da maneira que as peças escolhidas iriam funcionar em um plano tático. De início, pensou-se na possibilidade de 3-5-2, 4-4-2, 4-2-3-1, e a realidade foi que o Corinthians jogou de diversas formas durante o jogo.


No começo do jogo, ficou bem clara uma postura ofensiva do Corinthians, na busca de propor o jogo contra uma equipe inferior tecnicamente, e logo nesse momento já foi possível ver a linha de três zagueiros. Nesse contexto, B. Méndez, Gil e Fábio Santos formavam a trinca, com Fábio às vezes avançando para ser um lateral-interior. Fagner e Piton atuavam como alas e Xavier (dir.) preenchia o setor central junto à Gabriel (esq.). Na frente, Roni fechava da direita por dentro (a fim de liberar a passagem do corredor para o lateral-direito), Luan se movimentava do meio para a esquerda (com o intuito de associar com Piton e Fábio), e Jô centralizava (importante nas ligações longas de Walter e na retenção da bola para a chegada dos alas ao ataque).


Assim, o alvinegro paulista produziu muitas jogadas interessantes no início da partida, e logo aos 21 minutos foi premiado com uma bola na mão de Mailton, após chute de Piton. Fábio Santos, jogador que possui muita frieza e é especialista em penalidades, conferiu a abertura do placar. A partir do gol, o Corinthians manteve uma intensidade interessante, com uma solidez defensiva muito evoluída e um ótimo volume ofensivo, alcançando nove finalizações no primeiro tempo, fato que não ocorria desde a partida de ida contra o América Mineiro, pela Copa do Brasil.


Dessa maneira, o Timão chegou perto do gol de Wilson novamente outras duas vezes e a principal delas foi em um lance fruto da formação que Mancini escolheu para a partida. No caso, não é uma bola curta com a saída dos zagueiros, e sim uma ligação direta de Walter, mas repare a movimentação de Jô no chute do goleiro, a ida de Roni por dentro para que Fagner ultrapassasse, a calma de Luan e mais dois detalhes interessantes: Piton pisa na área e Gabriel chega para finalizar. O Corinthians passa a atacar com seis jogadores muito próximos ou dentro da área, e isso aproxima a equipe do objetivo máximo do jogo: o gol. Confira!


SEGUNDO TEMPO E CONCLUSÕES


Na segunda etapa, a equipe começou no mesmo empenho e pressionou a equipe de Rodrigo Santana logo na saída de bola. Nessa pressão, o time se formava em um 4-2-4 e se movimentava para o lado que o Coritiba possuía a bola na defesa, apertando os adversários. Por exemplo, quando o Coxa saía pelo lado esquerdo, Roni mordia o lateral Willian Matheus, Luan e Jô marcavam as aproximações. No caso, o camisa 7 apertava o volante daquele lado e o centroavante fechava em Sabino, enquanto Lucas Piton fechava a possibilidade de inverter em Rhodolfo ou Mailton, atletas que atuam pela direita. Essa jogada, aos 10 minutos de segundo tempo, ilustra bem a explicação:


Com o jogo anterior em um espaço de 72 horas, a equipe sentiu o cansaço e começou a deixar as linhas mais baixa, além de falhar em gestos técnicos. Fagner, um dos ótimos jogadores do elenco, errou passes básicos, um deles que inclusive lhe rendeu a necessidade de cometer uma falta para cortar transição e, consequentemente, um cartão amarelo. Entretanto, no geral, o atleta fez um bom jogo.

Dessa maneira, o Coritiba se viu na necessidade de buscar o resultado e avançou suas linhas, e assim precisaríamos de força e concentração de todos na participação defensiva, principalmente os protetores de funil. Para isso, Mancini fez substituições necessárias para manter a intensidade física da equipe, sendo a primeira delas a entrada de Everaldo na vaga de Lucas Piton, em tese com a estratégia de aumentar a velocidade do time, inclusive em possíveis contra-ataques. No entanto, Everaldo errou muito mais uma vez e colaborou apenas com a corrida sem bola.


Nesse sentido, as outras mudanças foram a estreia de Gabriel Pereira com Vágner Mancini e a volta de Cazares, lesionado há quatro jogos, nos lugares de Roni e Luan, respectivamente. A entrada do garoto deu um gás novo pelo lado direito, tanto na recomposição, bem como na fluidez dos contra-ataques. GP, como é chamado, puxou dois contragolpes que poderiam ter ampliado a vantagem no placar, um deles ele errou a tomada de decisão no passe, e no outro resolveu finalizar e a bola passou perto do gol de Wilson. Por fim, Mancini trocou Xavier e Gabriel (o camisa 5 fez uma partida excelente, tanto na marcação, bem como nas inversões e eficácia em passes importantes) por Camacho e Éderson, para novamente renovar as energias da equipe. Porém, a queda técnica foi nítida com a entrada de ambos, principalmente do ex-Cruzeiro, que pecou em ações básicas com a bola.


Por fim, o Corinthians soube suportar os 62% de posse de bola do Coritiba no segundo tempo, e mesmo com vários jogadores exaustos, assegurou três pontos fundamentais na caminhada do clube durante o Campeonato Brasileiro. Destaque para mais uma bela partida de Bruno Méndez e Gil na proteção do funil, e outro jogo muito seguro de Walter, com três defesas, sendo uma delas de maior dificuldade. O próximo jogo do Corinthians é na próxima quarta-feira (2), contra o Fortaleza, no Ceará. Ou seja, Vágner Mancini terá semana cheia para trabalhar com os atletas.

CONFIRA AS NOTAS DO CORINTHIANS CONTRA O CORITIBA:

Walter: Foi muito seguro em mais uma oportunidade. Salvou um belo chute de Matheus Galdezani e foi importante na saída de bola. NOTA: 6,5

Fagner: Outra partida ótima do lateral, com participações ofensivas interessantes e defensivamente muito confiante. Errou em alguns gestos técnicos, que não diminuem em quase nada sua excelente partida. NOTA: 7,5

Bruno Méndez: Bela partida do uruguaio, protegendo de forma excelente o funil e com importância em algumas saídas pela direita com Fagner. Demonstrou raça e concentração. NOTA: 7,0

Gil: Belíssima partida de Gil. Acumulou sete cortes, duas interceptações e dois bloqueios, além de mais dois desarmes. Protegeu muito bem a área ao lado de Bruno Méndez e Fábio Santos. Uma das melhores do ano para o camisa 4, NOTA: 7,5

Fábio Santos: Devido à aplicação intensa, Fábio cansou e caiu de rendimento no final do jogo. Porém, foi muito importante na saída de três, seguro defensivamente por quase todo o jogo e fez o gol da vitória. NOTA: 7,0

Gabriel: Marcou novamente muito bem e surpreendeu com ótimas inversões para Fagner. Fez movimentações interessantes de “toca e sai para receber”, além de aparecer bem como elemento surpresa no ataque. Evolui com Mancini! NOTA: 7,5

Xavier: O jovem mostra novamente que tem potencial para ser titular e faz boa partida ao lado de Gabriel. No entanto, hoje se destacou mais pela marcação em si, e não foi muito importante no setor ofensivo. Partida boa, sem encanto. NOTA: 6,5

Roni: Mais um jovem escalado, Roni foi empenhado nas pressões de saída de bola e se esforçou para cumprir uma função que Ramiro geralmente ocupa. Foi útil, porém erra em alguns gestos e pode melhorar muito ainda. NOTA: 6,0

Luan: Cada vez melhor, Luan evolui muito com Vágner Mancini e consegue assegurar uma sequência na equipe titular. Cansou naturalmente devido à maratona anterior contra o Grêmio, entretanto se movimentou bem e fez boas ações com bola. NOTA: 6,5

Lucas Piton: Foi bem no primeiro tempo e conseguiu pisar na área em vários momentos. Ademais, também deu consistência defensiva ao lado esquerdo. No entanto, caiu muito durante o jogo (fisicamente e tecnicamente) e teve que ser substituído. NOTA: 6,0

Jô: Se recuperou de lesão e foi para a partida com boas expectativas, e durante o primeiro tempo correspondeu a elas com boas movimentações e também na retenção da posse enquanto os alas e meio-campistas ocupavam o campo de ataque. No entanto, cansou muito e no segundo tempo caiu de rendimento. Ainda é possível melhorar mais. NOTA: 6,0

Everaldo: Entrou para renovar o gás do lado esquerdo, e renovou. Porém, errou muito com a bola nos pés e foi nulo no lado esquerdo. Partida bem abaixo de Everaldo. NOTA: 5,0

Gabriel Pereira: Entrou muito bem e se mostrou um jogador diferente do elenco, conseguindo interiorizar as jogadas provenientes do lado direito, por ter a perna esquerda como preferida. Puxou contragolpes e em um deles, quase marcou. NOTA: 6,5

Cazares: Na volta de lesão, Cazares foi menos encantador e passou desapercebido na partida. Fez movimentações boas em contra-ataques puxados por GP, porém participou pouco. NOTA: 5,5

Camacho: Entrou fechando bem o funil, porém fez uma falta desnecessária no final do jogo que poderia levar perigo ao gol de Walter. Não comprometeu, mas deve ficar atento à infrações sem necessidade. NOTA: 6,0

Éderson: Entrou com um erro de recomposição que gerou uma jogada perigosa ao Coxa, e pecou em alguns gestos técnicos. Precisa ser mais intenso, ainda mais quando está com o tanque cheio para jogar poucos minutos. NOTA: 5,0

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