Por Pedro La Ferreira

O ano de 2019 certamente será lembrado como um marco para o futebol feminino, com eventos como a Copa do Mundo da França, que bateu recorde de audiência, superando 1 bilhão de espectadores. A representatividade da atacante Rapinoe, liderança técnica da seleção norte-americana, que, além de ter sido destaque dentro de campo, reforçou em inúmeros momentos a luta pelo espaço e igualdade das mulheres no futebol. As americanas ficaram com o título mundial, o quarto na história.

Teve também a quebra no recorde de público em jogos do futebol feminino no Brasil. 28.609 mil torcedores encheram a Arena Corinthians, na final do campeonato Paulista, entre a equipe alvinegra e o rival São Paulo. O público no estádio quebrou outro paradigma sobre o futebol feminino: que o jogo das mulheres não é tão atrativo quanto o dos homens. A arquibancada lotada contrapôs esse argumento. Outro fator importante também é a consolidação e, principalmente, o sucesso em países da Europa, como Espanha, Itália, Inglaterra. Lá a modalidade é levada a sério e o público corresponde indo aos jogos.

Equipe alvinegra acompanha a evolução

Diante de todo esse cenário mais evidente do futebol feminino, o Corinthians é um dos poucos clubes brasileiros que não apresenta atraso nessa leva de evolução e feitos da modalidade. Já no início de janeiro, o clube oficializou a profissionalização do elenco e, a partir de agora, todas as atletas terão registro na carteira.

Segundo um levantamento feito pela Folha de S. Paulo em 2019, apenas oito equipes do futebol brasileiro tinham as atletas no regime CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), que são Santos, pioneiro a aderir à prática, em 2016, Inter, Santos, Cruzeiro e Grêmio, que disputam a Série A do Brasileiro Feminino, e para completar a lista, América-MG, Atlético-MG, Ceará e Chapecoense, da segunda divisão.

Os dados refletem a dura realidade para a maioria das atletas no meio, que é conciliar o futebol com outra profissão, então, o preparo, a qualidade e até a profissionalização das atletas no futebol feminino é brutalmente afetada.

A maioria dos clubes adere a ajuda de custo, bolsa para pagar as jogadoras ou com bolsa-auxílio de prefeitura, como é o caso da Ponte Preta, Ferroviária, São José, equipes da primeira divisão, e o Taubaté, da segunda. 

Da separação ao sucesso

Em 2018, o Corinthians optou em trilhar o seu próprio caminho e pôr fim a parceira com o Audax. Durante os dois anos da união, o retrospecto não foi nada mau. Foram 88 jogos disputados, com 61 vitórias, 17 empates e 10 derrotas. Além dos dois títulos conquistados: Copa Libertadores da América, em 2017, e a Copa do Brasil, em 2016.

Nos dois anos seguintes da independência corintiana, as comandadas de Artur Elias, que permaneceu no clube, atingiram números impressionantes e levantaram troféus. Foram duas temporadas históricas em 2018 e 2019. Colocando o Corinthians, hoje, como a equipe a ser batida no Brasil.

Os números traduzem bem a campanha do Corinthians nesse período e o patamar da equipe no futebol brasileiro. São 89 jogos, sendo 76 vitórias, 10 empates e apenas 3 derrotas. A equipe chegou a decisão de todas as competições que disputou e levantou as taças de Campeão Brasileiro, Paulista e Libertadores.

A temporada anterior não poderia encerrar de maneira melhor. As meninas disputaram a decisão do campeonato Paulista, diante do São Paulo, com mais de 28 mil torcedores na Arena Corinthians. Embalada pela torcida, a equipe bateu o adversário por 3-0 e se sagrou campeã paulista, atingindo um recorde histórico de invencibilidade por um time de futebol, sendo masculino ou feminino, de 44 partidas consecutivas sem perder um único jogo no ano.

As meninas de Arthur Elias foram campeãs paulistas no ano passado (Foto: Bruno Teixeira / Ag. Corinthians)

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