Neste sábado (12), às 19h, o Corinthians enfrenta o Palmeiras pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Veja, nesta análise, as armas e as fraquezas do time comandado por Abel Ferreira.

A TEMPORADA DO PALMEIRAS:

O Palmeiras, assim como o Corinthians, busca se reabilitar após a eliminação precoce perante o CRB na Copa do Brasil. Assim sendo, os comandados de Abel vêem o Derby como a chance de se reerguer.

Mesmo depois da temporada de 2020-2021, na qual o Palmeiras ganhou Paulista, Libertadores e Copa do Brasil, o time  ainda não conseguiu convencer a torcida de que dará continuidade às conquistas. O trabalho de Abel Ferreira é fortemente contestado pelos torcedores, pela falta de desempenho e resultado.

Nessa temporada, o Palmeiras já perdeu três finais e nessa semana foi eliminado da Copa do Brasil. O retrospecto recente é uma montanha-russa: derrota na final do paulista, vitória por 6×0 na Libertadores, derrota para o Flamengo, vitória sobre a Chape, eliminação na Copa do Brasil… o time oscila bastante.

Mesmo assim, é um time que apresenta boa solidez defensiva, tendo 12 jogos em que a defesa passou sem ser vazada e em apenas uma oportunidade tomou mais de 3 gols.

ESTATÍSTICAS DO PALMEIRAS NO BRASILEIRÃO: 

  • 6º em gols marcados (3)
  • 6º em gols sofridos (2)
  • 2º em grandes chances (6)
  • 1º em grandes chances perdidas (4)
  • 9º em posse de bola (52.5%)
  • 10º em passes certos por jogo 
  • 5º em acertos de bolas longas (29.0)
  • 9º em cruzamentos precisos por jogo (4.0)
  • 4º em finalizações por jogo (12.0)
  • 8º em finalizações no gol (4.0)
  • 12º em dribles bem sucedidos (7.5) 
  • 7º em desarmes por jogo (14.0)
  • 2º em número de interceptações (15.5)
  • 16º em cortes por partida (9.5) 

PROVÁVEL ESCALAÇÃO

Segundo o GE, o Palmeiras provavelmente vai para o jogo em um 4-3-3. A principal dúvida nas peças reside na presença de Raphael Veiga em campo. O meia poderia tomar o lugar de Gustavo Scarpa na formação inicial.

 Apesar de vir jogando no 3-5-2 na maioria dos jogos nesta temporada, Abel Ferreira vem buscando variações, e o 4-3-3 foi o escolhido. Na partida contra a Chape, esse esquema foi bastante fluido e gerou dinâmicas ofensivas interessantes. 

SAÍDA DE BOLA:

O Palmeiras varia muito na sua saída, em estrutura e em sair curto/longo. Os lançamentos de Weverton direcionados a Rony ou Luiz Adriano são bastante utilizados e um recurso válido para o time quando quer pular a primeira fase na saída de bola, indo direto para o ataque.

 Quando entra com 3 zagueiros e se propõe a sair curto, o Palmeiras geralmente se estrutura em 3+4, com Weverton trabalhando ao meio dos zagueiros, com o central saindo e se posicionando na frente da zaga ao lado do volante e os laterais atuando baixos. O objetivo com a saída do central (que normalmente é Gustavo Gomez, que não vai jogar) é criar superioridade numérica.

Em outros momentos, o Palestra estrutura sua saída em 4+1, com Weverton e Gomez participando por dentro e os zagueiros externos bastante abertos. Felipe Melo oferece apoio na frente dessa linha e os alas avançam bastante.

Nos momentos em que a saída se dá em zonas mais avançadas, um princípio fundamental de Abel Ferreira é a saída a três. Nos jogos com três zagueiros, essa estrutura já é mais “natural”. Os zagueiros conduzem bastante e buscam, principalmente a partir das construções de Luan, achar passes verticais em direção aos atacantes. 

Agora, quando o Palmeiras entra sem três zagueiros, por via de regra um dos laterais se posiciona ao lado dos zagueiros formando essa linha. Nessas situações, Luan fica por dentro, vendo o jogo de trás e fazendo ligações bem efetivas com Luiz Adriano. Sempre vertical.

Nessa saída estruturada a três, os externos sempre estão à pé natural, ou seja, o zagueiro pela esquerda é canhoto e o pela direita, destro. O Corinthians tem que tomar cuidado ao pressionar por dentro, pois pode abrir espaços para conduzirem e acharem passes. 

Também deve tomar cuidado com os passes verticais de Luan direcionados ao Luiz Adriano. A história daquele fatídico derby do 4×0 no Allianz em Janeiro foi essa: Luan com a bola, sem ser pressionado, encontrando Luiz Adriano em apoio/os espaços às costas dos zagueiros atraídos pelo apoio do ex-jogador do Shakhtar. O Corinthians não pode dar espaço para que essa relação aconteça.

FASE DEFENSIVA

O momento defensivo talvez seja o momento em que o Palmeiras se sinta mais confortável. Independentemente se marcam com 5 ou 4 na última linha, os zagueiros do Palmeiras apresentam ótimo controle corporal para controlar a profundidade e impedir que os adversários criem. 

Dependendo do jogo, o Palmeiras pode se portar em um bloco mais alto em 5-2-3, dependendo de como os adversários atraem. Contra o Flamengo, por exemplo, que faz saída a 3, o Palmeiras marcava com 3 na linha de ataque.

Em bloco mais baixo, normalmente se portam em 5-3-2, e aí que são fortes. Reparem nesta imagem no perfilamento corporal da última linha. Todos de lado e preparados para cobrir a profundidade no caso de um lançamento para trás das linhas.

Mesmo quando entram com 4-3-3 (ou 4-2-3-1) como formação inicial, o Palmeiras pode acabar marcando com linha de 5 atrás. O jogo contra o River em Avellaneda, na Libertadores, foi o começo e maior exemplo disso.

Um ponto fundamental  também do Palmeiras no momento defensivo são as perseguições dos zagueiros. Para não deixar os atacantes dos adversários receberem a bola e girar, os zagueiros palmeirenses acompanham eles agressivamente e não deixam que progridam. É uma dinâmica importante, mas que pode ser explorada, dado que o zagueiro quando sai deixa espaços abertos nas suas costas. 

Para pressionar em tiros de meta, Patrick de Paula sobe e se junta aos atacantes. É um ponto de virtude do time, que não é utilizado sempre (por vezes, abrem mão de pressionar), porém pode ser explorado. O Flamengo, por exemplo, esperava o Palmeiras subir o bloco para lançar nas costas da linha de meio. Assim que saiu o gol dos cariocas na vitória por 1×0.

FASE OFENSIVA

Atacando, o time palestrino se sente mais confortável em contra-ataques/ataques rápidos. Se baseiam bastante em roubar a bola e lançar Rony, que tem seu forte atacando a profundidade. Os espaços para os ataques do camisa 7 são gerados pelas descidas em apoio de Luiz Adriano. Ele saí da referência, dá opção em zonas mais baixas e assim atraí um zagueiro, que sai de sua zona e deixa um espaço nas costas para Rony atacar.

Porém, quando o Palmeiras enfrenta um adversário que lhe dê a bola, tem bastantes dificuldades para criar. O time se limita a cruzamentos e lançamentos para Rony; mas, como o adversário está em bloco baixo, simplesmente não há espaço para os movimentos do atacante ex-Athlético-PR. Ou seja, o time não consegue criar. Eles também mostraram problemas em manipular a marcação de times que marcam individual, como o São Paulo.

Tendo isso em vista, talvez seja uma estratégia interessante para o Corinthians esperar em bloco baixo, para que esses movimentos não tenham espaço para acontecer.

Já em momentos de ataque posicional, o Palmeiras normalmente deixa os corredores ocupados pelos laterais e os extremos por dentro, justamente com a intenção de que os extremos ataquem a profundidade nos espaços gerados por Luiz Adriano.

Pensando no 4-3-3, o esperado para o jogo, o Palmeiras apresentou novas variações, mas mantendo o lateral por fora e ponta por dentro.

Uma das características principais do time do Palmeiras em organização ofensiva desde o início do trabalho de Abel são os constantes ataques à linha adversária. Perceba como todos os jogadores da linha de ataque estão atacando a última linha, se tornando alvos de lançamento e gerando espaços entrelinhas.

Outra característica importante são os momentos em que os jogadores de ataque, principalmente Raphael Veiga e Luiz Adriano, baixam em zonas mais baixas e auxiliam na construção.

Em suma, é um time bastante vertical, de constantes ataques a profundidade, de uma posse por vezes pobre contra times que marcam mais baixo e muito forte nos contra-ataques.

DESTAQUES INDIVIDUAIS DO PALMEIRAS:

Luiz Adriano: muito importante abrindo espaços baixando em apoio e vindo atrás para construir. Por vezes faz seu gol, vários deles contra o Corinthians.

Rony: válvula de escape do Palmeiras, ótimo jogando por dentro e atacando a profundidade, muito importante em contra-ataques com espaço para correr. É relativamente limitado trabalhando em espaços curtos.

Patrick de Paula: médio extremamente criativo, pode jogar de segundo ou de primeiro.

Danilo: camisa 5, ótimo saindo da pressão e soltando lançamentos. É o ritmista da equipe quando está em campo e abre um leque de opções.

Gabriel Menino: outro garoto da base do Palmeiras, joga bem por dentro e por fora, bastante versátil. Consegue desequilibrar em jogadas individuais e criando para os companheiros.

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