Nesta quinta-feira (24), às 19h (horário de Brasília), em partida válida pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Corinthians recebe, na Neo Química Arena, o Sport Club do Recife. Nas próximas linhas, como de praxe, o SCCP SCOUTS pretende dissecar taticamente a equipe comandada pelo técnico Umberto Louzer.

ESTATÍSTICAS DO SPORT NO BRASILEIRÃO: 

  • 15º lugar: 1 vitória, 1 empate e 3 derrotas 
  • 14º em gols marcados (3)
  • 13º em gols sofridos (5)
  • 13º em grandes chances (7)
  • 10º em grandes chances perdidas (5)
  • 17º em posse de bola (43.4%)
  • 15º em passes certos por jogo (316)
  • 20º em acertos de bolas longas (15.2)
  • 18º em cruzamentos precisos por jogo (2.6)
  • 16º em finalizações por jogo (7.0)
  • 17º em finalizações no gol (2.4)
  • 17º em dribles bem sucedidos (6.4) 
  • 9º em desarmes por jogo (15.2)
  • 18º em número de interceptações (8.8)
  • 13º em cortes por partida (14.0) 

MOMENTO DA EQUIPE

No dia 15 de abril, portanto há pouco mais de dois meses, o Sport anunciou, após a demissão de Jair Ventura, a contratação de Louzer. Por mais que tenha desembarcado em meio ao caos político que atualmente paira sobre a Ilha do Retiro, a comissão técnica encabeçada pelo treinador chegou prestigiada em Recife. Isso porque, na temporada 2020, à frente do comando técnico da Chapecoense, Umberto conquistou não somente o Campeonato Catarinense como também o acesso à elite do futebol brasileiro, coroado com o título da Série B. Neste período, para se ter uma noção, foram 56 jogos, com 31 triunfos, 18 igualdades e apenas sete reveses, um aproveitamento de 66,07%.

Para além dos resultados, no que diz respeito à metodologia de trabalho, a diretoria do Leão escolheu Louzer para o cargo intuindo, especialmente, a potencialização do sistema ofensivo, demasiado aleatório nas mãos de Ventura. Nesse sentido, o clube também movimentou-se no mercado, viabilizando o retorno do centroavante André, que soma 112 partidas e 44 gols com a camisa Rubro-Negra, bem como a chegada dos extremas, Neilton e Paulinho Moccelin, um pedido especial de Umberto Louzer, uma vez que o atleta se destacou sob sua batuta na Chape, tendo anotado cinco tentos e distribuído seis assistências.

Outro aspecto que credenciou Louzer a função, sem dúvidas, foi a solidez defensiva. A título de informação, o Verdão do Oeste foi vazado somente em 21 oportunidades, a melhor defesa da era dos pontos corridos da história da Série B, e a segunda melhor se estendermos esse número para as principais divisões nacionais.

Por esses fatores, ainda que de maneira incipiente, é possível diagnosticar alguns conceitos de operacionalização de jogo no time. Contudo, a busca por uma plataforma tática base ainda perdura. Vale pontuar que, diante de Internacional, Atlético Mineiro e Fortaleza, Louzer estruturou a equipe nos seguintes esquemas: 1-4-4-2, 1-4-2-3-1 e 1-4-2-4. Porém, tanto na vitória contra o Grêmio quanto na derrota contra o Juventude, o esquema com três zagueiros foi implementado.

Enquanto aos desfalques, por questões contratuais, Everaldo e Marquinhos, peça-chave dentro da engrenagem do Leão, estão fora. A importância da cria do Terrão para o funcionamento do conjunto é tamanha que, após o confronto no Alfredo Jaconi, ao ser questionado sobre o substituto do camisa 97, Umberto disse:

“Temos que pensar em outra estratégia, pensar em quais jogadores podem entrar na partida”.

Por outro lado, o técnico contará com os retornos do meia Thiago Neves e dos atacantes Gustavo e Neilton, citado anteriormente.

PROVÁVEL ESCALAÇÃO DO SPORT PARA O JOGO CONTRA O CORINTHIANS:

Provável escalação do Sport Club do Recife

SAÍDA DE BOLA

Independentemente da estrutura tática, pode-se constatar uma intencionalidade muito límpida nesta primeira fase de construção. Explica-se: a proposta de Louzer está intrinsecamente atrelada à segurança do portador da bola. Ou seja, dentro do contexto da linha de quatro, tanto os centrais quanto os laterais e os volantes funcionam de modo a sustentar a saída, sendo frequentes, portanto, plataformas táticas como o 1-4-1 e o 1-4-2. 

Por mais rígidas que pareçam, tais estruturas apresentam variações. Comumente, por exemplo, um dos médios inverte a base com o lateral, o qual torna-se responsável por gerar amplitude em uma altura do campo mais elevada, ao passo que o extremo flutua do corredor para o meio-espaço. Por dentro, fixado atrás da primeira linha de pressão do adversário, encontra-se o outro volante. Outro mecanismo passível de execução diz respeito ao meia-atacante, que baixa alguns metros no campo de jogo exatamente para auxiliar na iniciação das jogadas.

Quando a comissão técnica elege o sistema com três centrais como sendo a estratégia mais apropriada, o 1-4-1 (ou um 1-3-2 assimétrico) se mantém como plataforma base para a estruturação da saída de bola. O funcionamento nesse contexto dá-se da seguinte forma: o ala do setor da bola trabalha na base da jogada, praticamente alinhando-se com um dos médios, enquanto o ala do lado oposto avança, sendo encarregado de ampliar o campo.

Ainda assim, existem variações, dentre as quais destacam-se o 1-3-1 e o 1-3-2, executadas apenas pelos zagueiros e pelos volantes, e que veem à tona a depender dos cenários impostos ao time ao longo do jogo.

Para além das estruturas, é válido destacar que existe uma tendência do Sport em priorizar a iniciação do jogo pelo lado direito. Isso deve-se, sobretudo, a presença de Rafael Thyere no setor, visto que o camisa 15 assume-se como um central construtor, externando esse viés tanto com conduções progressivas quanto com passes de ruptura.

À vista disso, seu(s) companheiro(s), Iago Maidana e/ou Sabino também exibem bom trato com a bola nos pés. 

FASE DEFENSIVA

Em organização defensiva, mais precisamente em bloco alto, a ideia de Umberto Louzer, independentemente do sistema, passa pela realização de encaixes individuais, pressionando o homem da bola.

Logo, com linha de quatro, o Sport posiciona-se mediante ao sistema 1-4-4-2, com variação, intuindo um maior alcance vertical e a manutenção da compactação entre os setores, para o 1-4-2-3-1. Nesse contexto, os extremas são responsáveis por vigiar os laterais rivais, ao passo que o meia-atacante e o centroavante se revezam entre a pressão e a ocupação do corredor central.

Quando o sistema com três zagueiros é usado, os encaixes, naturalmente, modificam-se. Sendo assim, o centroavante alterna entre subir e coibir a ação do goleiro ou fechar o espaço do corredor por dentro. Juntam-se a ele os extremos, incumbidos de marcar os zagueiros adversários. Por sua vez, os alas avançam de modo a encaixar no laterais, enquanto, por dentro, os volantes marcam os volantes e centrais batem de frente com atacantes.

No entanto, o Sport comete erros regulares de execução quando propõem-se a marcar desse modo, expondo, com isso, a primeira linha de marcação. As explicações para tais equívocos vão desde tomadas de decisões ruins (com uma pitada de desconcentração), passando pela distância excessiva dos encaixes e chegando até a ausência de pressão no portador da bola.

Portanto, o jogo apoiado, que rendeu, por exemplo, o tento marcado diante do Palmeiras, se apresenta como uma potencial brecha a ser explorada pelo Corinthians.

É sabido, todavia, que essa postura, por inúmeros fatores, dificilmente é mantida por uma equipe ao longo de toda uma partida. Logo, em bloco médio/baixo, diferentes princípios nortearam a abordagem defensiva da equipe comandada por Louzer durante o transcorrer dessas rodadas iniciais.

Frente ao Internacional e ao Atlético Mineiro, por exemplo, o espaço era ocupado essencialmente de maneira zonal, tendo a bola como principal referência, e o 1-4-4-2 como plataforma tática base. 

Esse mesmo sistema foi mantido para o embate diante do Fortaleza, com variações de funcionamento e posicionamento. No Castelão, o Sport também lançou mão de perseguições individuais, curtas e por setor, marcando, por conseguinte, de maneira mista.

Além disso, tendo em vista o funcionamento ofensivo da equipe comandada por Juan Pablo Volvojda, Umberto Louzer atribuiu uma função defensiva, ou melhor, a intensificou, a Paulinho Moccelin, o qual recompunha pelo lado esquerdo, incorporando-se a linha de quatro. Cabe ressaltar que, sob o comando do técnico, na Chapecoense, Moccelin foi o segundo atleta que mais desarmou em toda a Série B, com 77.

Tendo em vista a influência do lado direito na fase ofensiva do time de Sylvinho, reforçado graças a volta de Gustavo Silva, existem grandes chances desse mecanismo ser utilizado pelo Leão na Neo Química Arena.

Contra Grêmio e Juventude, o Sport foi a campo com três centrais, tendo como principal referência para a ocupação do espaço o adversário, isto é, marcando individualmente, na maior parte do tempo, a partir da plataforma tática 1-5-4-1.

Nessa estrutura, o centroavante é responsável tanto por “startar” o movimento de subida do bloco quanto por bloquear o primeiro passe por dentro. Os médios e os extremas trabalham de modo a pressionar o portador da bola, com o intuito de forçar um erro técnico ou o recomeço da construção ofensiva adversária. Por sua vez, os alas vigiam os geradores de amplitude do rival, enquanto os centrais marcam os atletas que preenchem o meio-espaço.

Especialmente contra o Grêmio, após o ingresso de Douglas Costa e com o placar favorável, Paulinho Moccelin agrupou-se a linha de defensiva, variando o esquema para um 1-6-3-1. 

Seja com linha quatro ou três zagueiros, o Sport possui quatro pontos que podem ser atacados pelo Corinthians: 

  1. Má ocupação do funil: nenhum dos médios (seja Marcão, Thiago Lopes ou Ricardinho) é capaz de proteger razoavelmente a frente da área, que, vira e mexe, está exposta. Um passe para trás, procurando a infiltração de um dos volantes, pode ser um caminho para o Corinthians.
  2. Entrelinhas: em dados momentos, os setores da equipe ficam descompactados. Com isso, os espaços acentuam-se entre a primeira e a segunda linha de marcação. Passes de ruptura dos defensores e capacidade para escanear o espaço e dominar orientado serão essenciais para o aproveitamento desse defeito.
  3. Fragilidade defensiva dos laterais/alas: ofesivos, tanto Hayner quanto Sander exibem acentuadas dificuldades no momento sem bola, concedendo espaços generosos em seus respectivos setores. O retorno de Mosquito vai de encontro com esse aspecto.
  4. Bola parada: especialmente nos escanteios, o Sport mostra-se muito desatento. Explica-se: a abordagem defensiva segue princípios da marcação mista. Assim, um tripé é responsável por cuidar do primeiro pau, com dois homens, via de regra os centrais, postados no centro da área, e um outro (lateral do lado oposto a bola ou o terceiro zagueiro) vigiando o segundo pau. A marcação individual fica à cargo de dois ou três atletas, em geral os de menor estatura, que precisam bloquear os melhores cabeceadores adversários. E é aqui que reside a incongruência, uma vez que esses comumente “perdem” os seus marcadores. Gil, João Victor e Jô podem levar vantagem nesse sentido.

FASE OFENSIVA

Ainda que tenha regressado à Ilha do Retiro há pouco tempo, nota-se um entendimento avançado entre André e Paulinho Moccelin. Diferentemente do que muitos podem imaginar, não condiz com os atributos do ex-corinthiano fixar-se entre os defensores, sustentar bolas longas e apenas finalizar as construções ofensivas, muito pelo contrário.

Técnico e dono de uma boa leitura de jogo, o camisa 90 frequentemente baixa alguns metros no campo para auxiliar na construção das jogadas, de modo a oferecer apoios frontais, trazendo consigo algum dos zagueiros, abrindo, portanto, espaço, preenchido por Moccelin, que o compensa. Essa é uma dinâmica com a qual o sistema defensivo precisa ficar atento, já que movimentos semelhantes acarretaram no segundo gol marcado pelo Red Bull Bragantino.

Muito daquela tendência do Sport em pender para o lado direito deve-se a presença de Hayner, outro pedido especial de Umberto Louzer, que enfrentou o camisa 2, ex-jogador do Cuiabá, na Série B da temporada passada. Em ataques posicionais, dentro do contexto com linha quatro, os extremos flutuam do lado para centro, abrindo o corredor para os avanços dos laterais.

Entretanto, não somente esse mecanismo como também toda a produção ofensiva da equipe intensificou-se após a remodelação tática para a plataforma com três centrais. Não à toa, diante do Juventude, pela primeira vez no campeonato, o Rubro-Negro finalizou mais do que o rival: 13 a oito. 

Quando Rafael Thyere, Iago Maidana e Sabino atuam juntos, o Sport estrutura seus ataques posicionais mediante as plataformas táticas 1-3-1-3-3, 1-3-4-3 e 1-3-2-5.

Assim, pela presença dos zagueiros, os alas, naturalmente, funcionam mais próximos ao terço final do campo, sendo encarregados de gerar amplitude ao time. Por isso, comumente, Hayner, também, pisa dentro da área para finalizar as jogadas. Desse modo, os extremas funcionam por dentro, nos meios-espaços, gerando apoios para o médios e atacando os espaços viabilizados pela movimentação de André. 

Marquinhos vem funcionando muito bem dentro desse contexto. Flutuando do corredor para o meio-espaço direito, o corinthiano entrosou-se rapidamente com Hayner, fortalecendo ainda mais esse lado no que diz respeito as ações ofensivas. No entanto, a cria do Terrão é ainda mais fundamental para a equipe, visto que assume-se como sendo o único jogador capaz de mudar o ritmo das jogadas, seja acelerando-as, com passes ou conduções, ou pausando-as, sempre com muito critério.

DESTAQUES INDIVIDUAIS DO SPORT

Rafael Thyere: central de destacada capacidade construtiva, importante na primeira fase de construção da equipe e seguro no que diz respeito ao momento defensivo.

Hayner: por mais que apresente dificuldades no momento sem bola, sobretudo em matéria de orientação corporal, o lateral/ala é uma importante válvula de escape pela direita, gerando amplitude e, por vezes, chegando dentro da área para finalizar.

Paulinho Moccelin: os movimentos do extremo visam compensar os de André. Tático, defensivamente, possui um papel importante de recomposição e proteção ao elo fraco mais nítido do time, Sander.

André: técnico, o centroavante sente-se a vontade com a camisa do Sport. Está em frequente movimento, gerando apoios frontais e buscando abrir espaços para os demais.

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