Neste domingo (06), às 16h, o Corinthians enfrenta o América-MG pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Derrotado pelo Athletico na estreia, o time mineiro busca a primeira vitória no Brasileirão. Conheça agora as armas do Coelho que o Timão vai precisar neutralizar para evitar que isso aconteça.

A TEMPORADA DO AMÉRICA-MG:

Apesar de não balançarem as redes adversárias há quatro partidas, os comandados de Lisca vivem momento de forte euforia com o retorno à principal divisão nacional. No estadual mineiro, o time foi vice-campeão, saindo sem ser derrotado nas finais pelo badalado Atlético-MG, que, dono da melhor campanha, se sagrou campeão após dois empates.

Já na Copa do Brasil, houve contestação por parte da torcida americana após as dificuldades enfrentadas para superar o Ferroviário, que disputa a Série C. O Coelho avançou nas penalidades e encara o Criciúma pela 3ª fase do torneio. Na partida de ida, empate sem gols em Belo Horizonte.

Dona do treinador mais longevo na primeira divisão nacional, a equipe foi derrotada por dois ou mais gols de diferença em apenas 3 oportunidades sob o comando de Lisca. O técnico já soma 61 jogos à frente do clube e afirmou recentemente em entrevista ao portal “O Tempo” que seu objetivo é a permanência na Série A. Revelamos agora os principais destaques da equipe, que foi algoz do Corinthians na Copa do Brasil de 2020.  

PROVÁVEL ESCALAÇÃO DO AMÉRICA-MG PARA O JOGO CONTRA O CORINTHIANS:

Provável escalação do América-MG para encarar o Timão

O Coelho deve vir a campo estruturado na plataforma tática 1-4-1-4-1 com: Matheus Cavichioli; Diego Ferreira, Anderson Jesus, Eduardo Bauermann, Marlon; Zé Ricardo; Bruno Nazário, Juninho, Alê e Felipe Azevedo; Rodolfo.

A principal dúvida recai sobre a possibilidade de Ademir, que se destacou contra o Corinthians pela Copa do Brasil em 2020, ganhar uma vaga na equipe titular. O meia poderia ocupar o lugar de Felipe Azevedo, Juninho ou mesmo Alê, tendo em vista a recente escassez de gols do América.

SAÍDA DE BOLA:

A princípio, o América-MG estrutura sua saída de bola a partir da plataforma tática 3+1. Logo, Matheus Cavichioli é o centro do “3”, composto ainda por Anderson e Eduardo Bauermann, os centrais pela direita e esquerda respectivamente. O “1” à frente da linha alterna bastante, mas em geral é desempenhado por Alê.

Foto: Reprodução

Quando a saída se dá sem o goleiro em uma zona mais avançada no campo de defesa, Alê também recua para oferecer apoios na linha de 3, sustentando os avanços dos laterais – como ocorre abaixo com Diego Ferreira.

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Em outros momentos, o Coelho organiza sua saída no 1-3+2. A mecânica nesta fase do jogo passa por utilizar um dos laterais, neste caso João Paulo, como terceiro zagueiro, com a função de sustentar a saída.

Consequentemente, o lateral do lado oposto, Diego, precisa preencher o campo adversário. Por dentro, atrás da primeira linha de pressão do rival, encontram-se fixados Zé Ricardo e Alê – sendo que este exerce função de box-to-box na equipe americana.

Foto: Reprodução

Apesar de atuar pela esquerda, Bauermann é destro e apresenta dificuldades para trabalhar com a canhota.  Ao receber a bola, em vez de orientar seu corpo para fora, o faz para dentro, o que faz com que qualquer pressão pelo centro dificulte sua saída.

Além dele, Anderson Jesus também não apresenta naturalidade para executar passes ousados e verticais. O resultado disso é um América-MG que apoia a saída empurrando a bola e meio-campistas para as laterais, com a presença de Diego Ferreira e João Paulo, ou opta pela bola longa.   

Tendo em vista essa estruturação, o Corinthians poderia adotar um plano de jogo que passasse por uma abordagem defensiva mais proativa nos laterais e nos volantes e menos intensa nos centrais, forçando, assim, com que ambos construam o jogo e, portanto, errem em demasia.

FASE DEFENSIVA:

Na fase defensiva, a princípio, o América-MG se estrutura a partir da plataforma tática 1-4-4-2. No instante em que a equipe se propõe a marcar em bloco alto, o faz mediante a ativação de alguns gatilhos de subida de pressão.

Neste caso, por exemplo, a linha de passe zagueiro-zagueiro (Ramon-Weverton) é sinal para a subida do bloco, movimento “startado” por Bruno Nazário, responsável por marcar mais à frente ao lado de Rodolfo.

Foto: Reprodução

É comum ver essa pressão alta do América-MG na região da bola causar desconforto ao adversário, que, ao optar por arriscar um passe vertical, pode se ver vulnerável na retomada de bola por parte dos meio-campistas americanos. Abaixo, Zé Ricardo recupera e possui linhas de passe no campo ofensivo, contra a defesa quebrada do Athletico.

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Assim que a equipe adversária indica que há a possibilidade de jogar apoiado, o América sobe suas peças. O intuito é realizar uma pressão organizada, mediante encaixes individuais, os quais se dão dentro do contexto de uma variação do 1-4-1-4-1 (plataforma tática do momento ofensivo) para o 1-4-1-3-2.

Desse modo, os extremas (Juninho e Felipe Azevedo) são responsáveis por encaixar nos laterais. O interno pelo lado direito (Alê) é responsável por encaixar no homem que se fixa atrás da primeira linha de pressão do América-MG. Bruno Nazário sobe até zonas mais altas do campo, já que precisa marcar ao lado de Rodolfo e, assim, encaixar em um dos centrais.

Abaixo, pelas extremas, Juninho e Felipe Azevedo se mobilizam a fim de inibir os avanços de Matheus Pereira e Raúl Cáceres, respectivamente, ao passo que, por dentro, Alê vigia Adriano, que fixa-se atrás da primeira linha de pressão do América-MG. De maneira mais posicional, no centro do campo, mas fora da imagem abaixo pelo enquadramento da câmera, encontra-se Zé Ricardo.

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Abaixo, assim que a bola cumpre a trajetória zagueiro-volante (Weverton-Adriano), Lisca grita: “Agora! Sobe!”. Ou seja, essa é uma mecânica importante dentro da estrutura do América, que, em bloco médio, se comporta a partir da plataforma tática 1-4-4-2, com os extremas e os jogadores livres balançando conforme o lado da bola. Neste modelo de marcação zonal americano, as principais referências para o posicionamento da marcação são os companheiros de time e a bola.   

Foto: Reprodução

Utilizar a bola como referência para deslocar jogadores e pressionar o adversário auxilia o América-MG na recuperação da posse, mas também produz espaços para o outro time aproveitar às costas dos marcadores, deixando a primeira linha defensiva exposta.  Repare abaixo.

Foto: Reprodução

FASE OFENSIVA:

O América-MG aposta boas fichas ofensivas nos ataques em transição após a recuperação da bola via saltos de pressão. Como a equipe acumula jogadores na zona da bola para pressionar, quando o atleta adversário arrisca um passe vertical para romper a pressão e a bola é recuperada por um volante americano, já há uma quantidade razoável de jogadores à frente da jogada, permitindo uma progressão rápida e encontrando a defesa adversária desajustada.

Outro mecanismo coletivo de transição interessante é o avanço em velocidade do jogador mais próximo à recuperação da jogada. Abaixo, a recuperação de bola de Juninho é um gatilho para o avanço vertical do lateral direito Diego Ferreira.  

Foto: Reprodução

Em momentos de ataque posicional, a saída da referência executada por Rodolfo atrai defensores adversários, e os espaços por ela gerados são bem atacados pelo meia Bruno Nazário. Além de oferecer apoio em zonas centrais, Rodolfo também executa papel importante para gerar apoios ou explorar espaços nas laterais do campo.  

Foto: Reprodução

Abaixo, uma iniciativa construída de ataque exibe alguns dos movimentos do América-MG:

1 – A participação na base da jogada de Alê; 2 – A presença mais à frente de Zé Ricardo; 3 – A flutuação de Rodolfo para além dos limites da área; 4 – A ocupação entrelinhas do Bruno Nazário e 5 – O preenchimento de área do extrema do lado oposto, Felipe Azevedo.

Foto: Reprodução
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Além de ocupar a área, Felipe Azevedo também é responsável por gerar amplitude à equipe, via de regra, recebendo a bola colado à linha lateral. O objetivo disso é explorar a capacidade individual do camisa 7, que pode definir individualmente ou através de um passe para dentro da área, que aparece preenchida pelo centroavante, pelo meia central e o ponta do lado oposto.

Foto: Reprodução

DESTAQUES INDIVIDUAIS:

Bruno Nazário (MEI): Como se apoia muito na bola longa, o América-MG aproveita a capacidade de Bruno Nazário de aparecer no entre-linhas e jogar de costas. Ao mesmo tempo, o meia é capaz de explorar os espaços gerados por Rodolfo, quando este é quem sai da área atraindo centrais adversários.

Rodolfo (ATA): O atacante gera apoio pelos lados e flutua bastante pelo campo, atraindo defensores adversários e gerando espaços às suas costas. Bruno Nazário e Alê são capazes de explorar esses espaços e atacar a área adversária.

Alê (MC): O meio-campista do América-MG é um dos principais responsáveis pela dinâmica da equipe. Seja descendo para participar da saída de 3, para se posicionar atrás da primeira linha de pressão adversária ou no ataque, para pressionar a zona da bola e participar das ações ofensivas na intermediária adversária. 

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