O Corinthians começou o ano com uma grande novidade. Tiago Nunes assumiu o comando como novo treinador do Timão. Depois de ótima passagem pelo Athlético Paranaense, onde conquistou os títulos da Copa Sul-Americana em 2018 e da Copa do Brasil em 2019, o gaúcho recebeu uma proposta da diretoria alvinegra ainda no final do ano passado e aceitou ser o novo técnico da equipe paulista.  

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Tiago Nunes iniciou o trabalho na Flórida Cup em mais uma edição do torneio amistoso. Lá o Timão enfrentou o New York City e o Atlético Nacional. Nos dois jogos, o Corinthians teve uma vitória sobre os americanos e uma derrota para o time colombiano.

O resultado não era o fator mais relevante. O que todos esperavam era a “ruptura” de estilo. Uma nova ideia de jogo em um clube que já estava mais do que adaptado em um modelo que durou longos anos. A missão do treinador gaúcho não é a das mais simples. Implantar uma cultura futebolística diferente requer tempo, paciência e muito trabalho.

Mas as primeiras amostragens foram positivas. Os jogadores assimilaram a “filosofia” e começaram o projeto com o pé direito. E a impressão dada na estreia oficial do time na temporada, diante do Botafogo de Ribeirão Preto no Campeonato Paulista, foi um bom exemplo disso.

No dia 23 de janeiro, o Corinthians recebeu o Botafogo-SP, na Arena Corinthians, em São Paulo. E a expectativa de demonstrar um bom futebol era grande. Um roteiro perfeito e uma noite iluminada do Timão. Em seu primeiro jogo oficial, Tiago Nunes escalou a seguinte equipe: Cássio; Fágner, Pedro Henrique, Gil, Lucas Piton; Camacho, Richard; Janderson, Luan e Ramiro; Boselli.

Ofensivamente o time se comportava em um 4-2-3-1. Porém, nos momentos sem a bola, Luan se alinhava ao lado de Boselli e o Corinthians variava a sua formação para um 4-4-2. Ramiro e Janderson permaneciam abertos e se posicionavam com Richard e Camacho em uma linha de quatro no meio-campo. Variações táticas. Que também foram apresentadas na Flórida da Cup.

O Corinthians começou a partida com o seu “novo estilo”. Muita intensidade, uma pressão média-alta na saída de bola e também no momento pós-perda. Com essa postura, o time de Tiago Nunes tinha o controle da posse de bola e procurava achar os espaços na defesa do Botafogo, que optou por uma estratégia mais reativa em Itaquera.

E os cinco primeiros minutos iniciais já evidenciaram essa forma do Timão se comportar em campo. No momento de construção ofensiva, o técnico gaúcho também propôs mudanças. Tiago Nunes começou a utilizar a saída de “três”.

Camacho aparecia entre os zagueiros e Richard se posicionava mais à sua frente para dar opção vertical ao passe. Já os laterais (Fágner e Lucas Piton) ganhavam mais campo e geravam amplitude.


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No segundo terço do campo Luan se movimentava. O camisa 7 tinha total liberdade para ficar mais próximo aos organizadores de jogo (principalmente Camacho), ou se posicionar entre as linhas de meio-campo da equipe adversária.

Pelos extremos, Ramiro e Janderson. O primeiro não executava a função propriamente de um ponta de profundidade e agressividade no 1×1. Era um extremo que tinha o objetivo de ajudar na articulação ofensiva do time.

Em muitas ocasiões da partida, seja da direita ou da esquerda, Ramiro fazia o movimento na diagonal (de fora para dentro) sem bola para dar opção de passe e ser mais um homem responsável pela construção ofensiva. Além disso, tinha liberdade para atacar os espaços vazios e preencher a área.

Ao contrário disso, Janderson era a válvula de escape. O jovem jogador do time alvinegro tinha a função de dar muita velocidade, profundidade e quebrar linhas com dribles e jogadas no 1×1. E na referência, Mauro Boselli.

O argentino teve dificuldades em 2019. Mas logo no início de 2020 o camisa 17 se adaptou melhor ao esquema de Tiago Nunes. Tinha liberdade para trabalhar próximo aos meias, de receber passes em profundidade e o seu principal, a presença de área.

No entanto, diferentemente dos jogos da Flórida Cup, onde o Timão teve Cantillo nos 11 iniciais, Richard foi o escolhido para começar a temporada já que o meio-campista colombiano ainda não havia sido inscrito na competição.

Importante destacar que Richard não possui as mesmas características que Cantillo. Ele é um jogador de intensidade na marcação, força física e chegada à área. Mesmo assim, o Corinthians soube extrair o melhor de seus atletas para fazer uma grande estreia.

O primeiro gol saiu aos 11 minutos de jogo. Fruto da intensidade e também da movimentação do “novo Corinthians”. Piton fez ótimo lançamento vertical para Ramiro. O camisa 28 entrou no espaço vazio e finalizou. Na sobra, Boselli completou para o fundo das redes. Um gol com outra cara. Um gol do novo trabalho.

O passe longo e a inversão também foram características evidentes dessa equipe. E o primeiro tento marcado em jogos oficiais foi uma junção de tudo. Inversão, movimentação sem bola de Ramiro (do extremo para dentro) e referência de Boselli.

O Corinthians teve o controle total do primeiro tempo. Porém, mesmo com seus 74% de posse de bola, a equipe teve dificuldades de criar mais ocasiões de gol.

Defensivamente o time não sofreu tanto. O Botafogo teve apenas 24% de posse e uma finalização durante todo o primeiro tempo. A equipe do interior não conseguia sair rápido em transição e gerar perigo ao gol de Cássio com a sua proposta.

Goleada e Hat-trick de Boselli: uma estreia mais do que iluminada em Itaquera

Boselli foi um dos grandes destaques do Corinthians no início do ano (Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)

No segundo tempo o cenário da partida foi diferente. Logo aos oito minutos, o Corinthians teve uma rara jogada de transição com a defesa adversária exposta. Janderson conduziu e achou Boselli. O argentino fez o desmarque, recebeu livre e finalizou. A bola explodiu na trave. Na sobra, Janderson chutou de primeira e Reginaldo, defensor do Botafogo, colocou a mão na bola. Pênalti. O atleta do tricolor ainda foi expulso.

Luan foi para a cobrança e ampliou o placar para o Corinthians. Com a vantagem e com um jogador a mais o Timão ficou mais solto em campo. E o terceiro gol não demorou para sair.

Aos 14 minutos, o Corinthians fez uma ótima triangulação. Tudo começou com Fágner bem aberto e projetado pelo lado direito.

O lateral achou Richard no espaço curto, que dominou e tocou para Janderson. De primeira o jovem jogador devolveu para o camisa 26, que infiltrou na grande área. Sozinho, o volante apenas rolou para Mauro Boselli completar para o fundo das redes.


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Um gol com a assinatura de Tiago Nunes. Triangulação, passes rápidos, verticais e com muita movimentação sem bola. Um 3 a 0 mais do que animador na Arena Corinthians. Timão viria sofrer um gol. Resultado de outra mudança tática. A linha alta na defesa.  Já que o time pressionava na saída de bola e fazia uma pressão pós-perda, a linha defensiva seria um pouco mais alta. Natural.

E o gol do Botafogo nasce justamente em uma jogada de transição defesa/ataque em alta velocidade, pegando o sistema defensivo corintiano exposto. 3 a 1. O gol não trouxe complicações para a estreia tão desejada. E ainda deu tempo de Mauro Boselli fazer o seu hat-trick e sacramentar a bela vitória do Corinthians.

Fágner cruzou na área e “sem querer” o argentino mandou para o fundo das redes. 4 a 1. Goleada na Arena Corinthians e uma atuação “diferente”. Uma vitória que comprova que o Timão está em uma outra direção.

Números que mostram o grande volume do Corinthians de Tiago Nunes

O Timão terminou o jogo com 730 passes trocados e 92% de acerto (668). Além disso, importante destacar o alto índice de bolas longas. A equipe alvinegra fez 51 passes longos e com um aproveitamento de 76% (39).

Se em 2019 o Corinthians tinha dificuldades de criar finalizações, o primeiro jogo oficial de 2020 mostrou uma nova cara. Foram 16 chutes, 11 deles dentro da grande área e cinco no alvo. Dados que mostram a agressividade do time durante os 90 minutos de jogo.


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