América de Cali e Corinthians jogavam a semifinal da Libertadores feminina de 2020. Assim como em 2019, edição na qual as alvinegras se sagraram campeãs, tudo indicava mais um avanço para a final da competição e, quem sabe, a vencer de novo. Mas no meio do caminho tinha uma Guarecuco, assim como uma pedra, e sabemos o que aconteceu a seguir.

Doloroso para um time e uma torcida que se acostumaram a vencer? Muito. Mas ainda mais dolorosa foi a constatação, agora “embasada”, de que Tainá não poderia ser titular do Corinthians. Muitos creditam à ela, e somente à ela, a falha que resultou no gol de empate do América de Cali, visto que estava adiantada.

Acontece que, na memória de quem cobre o Corinthians e da própria torcida ainda há a lembrança fresca de uma outra goleira que conquistou muito como titular e deixou saudades. Lelê deixou o Timão ao final de 2020, mas os torcedores ainda não a deixaram, e nem poderiam. A goleira que agora defende as cores do Benfica fez milagres, fez história, fez seu nome, saiu daqui como a melhor goleira do Brasil.

Apesar de ser óbvio, e título desse texto, é preciso dizer: Tainá Borges não será uma nova Lelê. Assim como, a recém chegada, Kemelli também não será. Assim como, a recém promovida ao elenco profissional, Isa Cruz não será. Assim como, a tão experiente quanto, Paty não será. Nem a própria Lelê quando assumiu o posto de titular era a Lelê que conhecemos hoje. É óbvio que a Tainá também não seria e nem será. Superem! Só a Lelê é e será Lelê. Tainá é e será Tainá Borges, primeira e única (até aqui) na história do clube.

A nova titular do Corinthians precisa de tempo e paciência. Ainda peca em algumas coisas? Peca! Vai evoluir em muitos aspectos nos quais ainda está abaixo – em outros nem tanto – e isso é absolutamente normal. A própria Letícia era excelente em algumas situações e pecava em outras, nenhuma atleta é perfeita, nem mesmo aquelas que são fora da curva. É preciso que se pese as críticas e que haja análise de contextos quando qualquer coisa for ser dita sobre as atuações de Tainá.

O gol marcado por Guarecuco jogou um balde d’água fria nos torcedores, mas a falha não foi exclusiva da goleira, foi do sistema defensivo como um todo. Não é nem questão de opinião, é algo nítido no lance. O mesmo sistema defensivo falhou no jogo contra a Ferroviária e isso resultaria em outro empate amargo lá pelas tantas do segundo tempo, mas dessa vez Tainá estava lá e com sua envergadura evitou o empate das rivais com uma defesa digna de capa de jornal. Entretanto, desse lance poucos comentaram ou se atentaram, ignoraram apenas para seguir com a opinião de que ela não pode ser a titular.

O futebol permeia a incerteza, não sabemos se ela conseguirá se manter como titular em toda a sua passagem pelo Corinthians, principalmente agora que ela terá sua sequência interrompida por lesão no ligamento cruzado anterior. Mas, uma coisa é certa: é preciso que a olhem como Tainá e na hora de opinar, façam única e exclusivamente com esses olhos. É preciso que se abram os corações para que outra goleira possa trabalhar com calma, trilhar seu próprio caminho. É preciso que deixem Tainá, com seus erros e todas as suas qualidades (que estão longe de serem poucas), ser a Tainá. 

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