Estamos em um ano incomum, sendo que acabamos de sair de outro ano incomum e sem perspectiva comprovada de quando teremos um ano comum novamente. Talvez nunca  tenhamos mais e esse seja o novo “normal”. É o mundo de sempre com uma realidade nunca antes vista ou vivenciada. 

Nesse contexto tudo é afetado. Inclusive o esporte. Não é de hoje que o fator psicológico é tão fundamental quanto o condicionamento físico e as habilidades para ganhar ou perder uma partida seja lá do que for. Dentro do contexto de mundo atual ele passa a ser mais importante até mesmo do que o físico e os atributos, pois além de ser determinante para esses dois pontos, está potencializado nesse momento. Há muito mais situações à volta que podem desequilibrar. 

Adicione isso a um time que está pouco acostumado com adversidades e que, mesmo com uma pausa abrupta e incomum na temporada passada, conseguiu ser predominante e vencer os campeonatos que disputou. 

Adicione também a estruturação e evolução do futebol feminino brasileiro através de seus clubes, com a expectativa de um campeonato que tende a ser o mais disputado da história da modalidade, e o resultado vai ser mais agentes desequilibradores a um time que está no topo. Esse time é o Corinthians.

O psicológico está estreitamente ligado à concentração, se colocarmos apenas os 90 minutos dentro do assunto. Dentre os exemplos que dá para citar de jogos nos quais houve uma quebra nítida de concentração destaco dois; Corinthians x América de Cali – semifinal da Libertadores 2020; e Corinthians x Grêmio – partida válida pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro feminino. 

Nos primeiro dois casos, um pequeno momento de falta de concentração gerou um erro defensivo que resultou em um gol das adversárias. Ir para uma disputa de pênaltis nesse contexto é um peso imenso. E o Corinthians caiu. 

No segundo dos casos, o time desperdiçou chances como sempre, mas a bola entrou como na maioria das vezes. O Timão abriu uma vantagem de três gols no marcador sem oferecer chances do Grêmio conseguir qualquer espaço que fosse. Isso mudou depois de algumas substituições e depois dos trinta minutos, quando o time gaúcho aproveitou um acomodamento (que também pode ser considerado uma perda de concentração) e fez dois gols, a sobrevida resultou numa pressão desnecessária sofrida nos últimos minutos de jogo. Dessa vez deu certo, três pontos conquistados e a liderança retomada. Mas fica o alerta.

Tivemos algumas mostras na temporada passada, assim como na atual, de que a concentração do time de Arthur Elias já não é a mesma que era em 2019. 

Claro que algumas mudanças aconteceram, novas jogadoras chegaram, velhas conhecidas partiram, houve um período eleitoral no clube e talvez outras coisas mais que nunca saberemos. 

Talvez aquele Corinthians fosse atípico e este seja o normal. Talvez esse seja o maior desafio para jogadoras e comissão técnica. São muitas dúvidas dentro de uma certeza, algo precisa ser feito para evitar possíveis (e prováveis) desequilíbrios (ou ao menos diminuí-los). 

São necessários mecanismos e muitos entendimentos do que acontece em um jogo de futebol ou dentro das paredes do CT para encontrar o caminho da solução.

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