Texto escrito pelo torcedor do Corinthians, @trickbruno_

Este texto já começa mureteiro, então se você chegou aqui esperando grandes polêmicas, eu peço que mude suas expectativas. Mudou? Ótimo, vamos lá.

Quando um time grande está em má fase, numa fase lamentável ou quase caindo, é normal ocorrerem manifestações, de apoio ou crítica, de parte da torcida. Parte da opinião pública, influenciada ou não pela imprensa, solta a já batida frase “ninguém vai protestar contra o garçom que não está fazendo um bom trabalho”, que está errada por dois motivos: O que mais tem é gente protestando contra um atendente que erra em suas funções – até com uma dose de prepotência e arrogância – o reportando diretamente a seu superior. E o outro motivo é simplesmente que ninguém “torce” pelo bar ou restaurante onde está comendo. O futebol é movido pela paixão, foge do racional, então portanto é necessário que o coloquemos em seu específico contexto.

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Os protestos podem e até devem ocorrer. Ao contrário do que a cagação de regra – especialmente das redes sociais – sugere, não há uma maneira correta de se protestar. Há quem deixe de consumir o clube, afinal, dinheiro move o futebol atual. Há quem pense que isso prejudica o clube, e não só quem é o alvo do protesto, e prefira gritar palavras de ordem em aeroporto, centro de treinamento e estádio. Existe também quem pense que motivar até o último minuto é a forma mais correta. Todas são válidas, de fato. Até começarem as pedras nos carros e as agressões físicas. E nesse ponto eu não estou aberto a discussão. Não é algo normal, legal e por mais que se debata, eu sei que minha opinião sobre isso não vai mudar.

Tirando as minhas reservas com tudo o que venha de uma parcela especifica da torcida, e as supostas agressões ocorridas ontem (13), queria chamar a atenção para algo que aconteceu nos protestos pós derrotas para Palmeiras e Fluminense.

Entre os gritos generalizados de “fora todo mundo” e demais xingamentos a jogadores que realmente não deveriam estar no clube, houve aí uma cobrança ao goleiro Cássio, algo como “saudade de quando o Cássio jogava com vontade”. E aí eu pergunto: é realmente necessário colocar, agora, o Cássio neste balaio? Ele, embora apontado como uma das principais lideranças da panela que derrubou Tiago Nunes (e aqui eu não estou expressando minha opinião sobre o que acho deste tema), precisa realmente ser cobrado na mesma proporção de um Danilo Avelar? De um Gabriel? De um Luan (por mais controversa que seja a crítica)?

Vejamos: Cássio de fato vem falhando mais do que o normal para um goleiro da sua capacidade. De cabeça, me vem a lembrança de dois gols do Atlético-MG e dos gols de falta contra São Paulo e Botafogo. Ok, é uma má fase, podemos concluir. Eu não coloco o gol do Fluminense nessa lista porque não achei falha em um lance confuso e com pelo menos três erros individuais da nossa zaga.

Mas ainda que em má fase técnica, o primeiro jogo após o retorno das competições foi uma bucha. Corinthians x Palmeiras, no qual uma derrota acarretaria em eliminação matemática do Paulistão e um verdadeiro caos, pois ainda havia o risco – remoto ou não – de rebaixamento. Cássio pegou literalmente todos os chutes que foram ao gol. Uma defesa que resultou em um sonoro “PUTA QUE PARIU” do meu vizinho, palmeirense, que não acreditou que Cássio pegou com o pé um chute no canto inverso disparado por Willian Bigode. No jogo contra o Mirassol, Cássio buscou no ângulo, e foi destaque em perfis de fotos de futebol em uma falta cobrada pelo adversário. Virou capa de Facebook de muita gente, aposto. Por fim, na finalíssima, contra o nosso maior rival, antes dos 10 minutos buscou um chute do mesmo Willian que certamente transformaria o jogo se o gol fosse marcado.

Veja, quero que entendam que este texto não é uma ode ao Cássio. É o único exemplo de jogador que eu defendo porque é o único que foi incluído no grupo das grandes críticas. Orgânicas ou não, elas existiram. Eu sou um grande defensor da tese de que ninguém tem crédito eterno – vide Jô, que pesado, lento e com uma irritação inédita na sua carreira, vem sendo xingado jogo após jogo por este que vos escreve. E se o Jô não está sendo criticado porque tem crédito, por que o Cássio não tem? – e deve sim ser exposto que o Cássio vem, para dizer o mínimo, sofrendo uma queda no seu futebol, mas para isso existe a grande mídia e veículos especializados. O SCCP Scouts está aí para trazer dados (que são fatos, não opinião) sobre tudo isso.

Jogador nenhum está acima do clube, e isso eu concordo em gênero, numero e grau. Mas lançar essa ideia pra defender uma crítica que iguala Avelar e Cássio em um mesmo rebanho de condenados é, em minha humilde e provavelmente contestada opinião, não entender de futebol. Nem de interpretação de texto.

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