A minha relação com o futebol feminino nunca foi muito profunda. Lembro, quando criança, de assistir jogos da Seleção em um torneio que tinha no início do ano, realizado no Pacaembu, que a Band transmitia. Torcia pro time da Marta e da Cristiane.

Além desses torneios, tinha a Copa do Mundo. Assisti a de 2015, o que não posso dizer o mesmo da de 2019, com exceção da estreia e da eliminação contra a França. De qualquer forma, sempre algo distante, no máximo esporádico.

Mas minha relação mudou em 2020. Coloquei na minha cabeça que iria acompanhar o Corinthians Feminino de perto esse ano. Não por obrigação ou por pressão, mas porque eu via que a relação da torcida com esse time era especial, diferente com a do masculino. Eu queria sentir isso também.

Claro, não vou ser hipócrita aqui. Você lê, ouve que o time é uma máquina, que é muito bom. Isso motiva ainda mais, você quer ver o que está acontecendo ali. E eu embarquei nessa aventura, fui fundo mesmo.

Chover no molhado dizer que estou adorando, né? Vou falar disso mais para frente. Agora, vamos para o motivo principal dessa coluna. Acompanhar o Corinthians Feminino me leva de volta para os meus oito anos. Por quê? Porque eu estou descobrindo um mundo novo todo jogo. Conhecendo jogadoras, conhecendo superstições da torcida, conhecendo estratégias do Arthur, me inteirando cada vez mais no “mundinho do futebol feminino”.

O Iúri de 8 anos também estava conhecendo um mundo novo. Um mundo do Felipe, do Herrera, do Betão, do Chicão, do Dentinho, do Douglas… Fazendo meus primeiros ídolos, meus primeiros heróis. Hoje, estou conhecendo as minhas heroínas. A Zanotti (como joga!), a Andressinha, a Vic, a Crivelari… E poderia ficar até amanhã citando todas.

Para mim é tudo muito novo. Eu posso ver um jogo da equipe masculina e esperar exatamente o que cada um vai fazer ali. Eu vejo o feminino e não sei o que esperar, eu realmente não sei o que a Gabi Zanotti pode fazer, porque, primeiro que ela é craque, mas também porque estou aprendendo a ver essa craque. Seus movimentos, como ela pega na bola, onde ela gosta de jogar… E vale para todas.

Quando eu paro para ver o Corinthians Feminino, mais do que acompanhar, torcer e analisar, eu estou lá para aprender. Estou lá para descobrir, com a curiosidade de uma criança. “O que esse time pode fazer?”, “Onde elas ainda podem chegar?”. E claro, com a louca ansiedade de ter meus momentos com esse time. De vibrar, chorar, fazer parte daquilo. Como foi no Brasileirão e eu espero que seja nesse domingo.

Voltando, é lógico que valeu a pena. Além dos excelentes resultados, é uma conexão realmente especial. Um grupo maravilhoso, unido, que sente o clube de forma única e cativante. E ver como a torcida abraça esse time cada vez mais… Poxa, isso me quebra. Sabemos o descaso que o futebol feminino sofreu e ainda sofre, e ver que a Fiel compra essa briga e é ativa na luta é um dos tantos orgulhos que eu tenho como corinthiano.

Então, independente do resultado na final, ganhei meu ano já. Ganhei uma nova experiência, uma nova causa, um novo sofrimento (aliás, somos corinthianos ainda) e um novo amor. Amor que vou levar daqui em diante com todas as minhas forças. Amanhã tem Corinthians Feminino, ainda bem.

VEJA TAMBÉM:

FUTEBOL FEMININO PRATICADO NO BRASIL SOB UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

ARTHUR ELIAS: “FUTEBOL REFLETE A SOCIEDADE, QUE ERROU MUITO AO DEIXAR AS MULHERES À MARGEM DO JOGO”

SAÍDA DE BOLA DE ARTHUR ELIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO FUTEBOL FEMININO

Deixe uma resposta