Com muito respeito, modifico a letra de parte do refrão da magnífica obra de Jorge Aragão “Moleque Atrevido”, tema do heptacampeonato do Corinthians em 2017, para nos alertar de algo: é preciso lembrar do povo, foi por ele e para ele que este clube foi feito.

Coluna escrita por @yuraosccp

Há tempos não tem sido barato ser torcedor no Brasil. Desde a realização da Copa do Mundo aqui em 2014, sinto que houve um impulsionamento grande nas marcas dos clubes, que começaram a levar de fato o futebol como negócio e passaram a enxergar seus torcedores como clientes. Ingressos com preços exorbitantes, produtos oficiais e etc, tudo muito fora da realidade para a real situação da grande maioria da população que mais consome este esporte por aqui.

  • Acompanhe análises, dados e curiosidades do Corinthians também no perfil da SCCP Scouts no INSTAGRAM e no FACEBOOK.

O tema é recorrente, mas sem muita perspectiva de um alinhamento justo, tendo em vista que, ano após ano, a maioria dos grandes clubes se afundam cada vez mais em dividas, o que serve de argumento para quem tenta justificar toda a inflação absurda que existe dentro do futebol hoje.

Focando apenas no Corinthians, recentemente foi lançada a linha 2020-21 de uniformes e vestimentas casuais, mais um fruto da longa e duradoura parceria com a Nike, que está no clube há mais de 15 anos. Visando homenagear o time de 1990, comandado por Neto, que nos trouxe o primeiro título nacional, a fornecedora esportiva deu um show nos detalhes e na campanha de lançamento.

Todo o discurso, imagens e introduções. Tudo foi ligado à força do povo corinthiano, que deu o ritmo nas arquibancadas para aquela conquista inédita. Pois o time, nem de longe, era favorito para vencer o campeonato. Mas, infelizmente, ainda estamos falando de negócio. E caso você queira adquirir a versão de melhor qualidade de uma única camisa, terá que desembolsar nada mais, nada menos, do que a quantia de dolorosos R$ 400,00. Uma única camisa. E, por mais linda e mais valiosa que seja, não existe explicação palpável para tal valor, visto que um salário mínimo no Brasil hoje gira em torno de R$ 1045,00. Renda esta que, sem nenhum tipo de exagero, é a única na maioria dos lares brasileiros. E a maioria destes brasileiros? Corinthianos.

E se for padrão de preço da fornecedora, que o Corinthians, no alto da sua enorme força no cenário, faça um esforço descomunal para mudar essa realidade desproporcional, lutando para quem lhe deu tudo: o seu povo.

Essa camisa não pode ser tratada como status para quem vende e muito menos para quem compra. Por isso, cada vez mais, meios alternativos são procurados para tal aquisição. E não será aceito julgamentos. As pessoas que hoje gerem o clube que devem se atentar a isso, e se optarem por perder porque existe quem aceite pagar por tal preço, que percam.

Existem sim opções mais baratas com material de menor qualidade, mas R$ 250 ainda não são nem de longe pagáveis dentro de muitas realidades. Lembrando que, na última temporada, toda linha teve uma queda considerável em seu preço já no dia do lançamento.

É necessário olhar para dentro, o discurso de Battaglia tem que estar vivo em todos os momentos e não só em postagens de efeito nas redes sociais do clube. Pois se o povo quem fez o time, a ele tudo pertence.

VEJA TAMBÉM:

COLUNA ALVINEGRA – TIAGO NUNES E CORINTHIANS: UMA RELAÇÃO FADADA AO FRACASSO

COLUNA ALVINEGRA: COMO GOLEADA SOFRIDA PELO BARCELONA ENSINA O CORINTHIANS

COLUNA ALVINEGRA: SÓCRATES DEVERIA SER AINDA MAIS ESPELHO ENTRE OS ATLETAS

Deixe uma resposta