Se pudéssemos resumir o ano de Guilherme Camacho com a camisa do Corinthians até aqui em uma expressão, seria: volta por cima. O volante carioca de 30 anos, que retornou de empréstimo, disputou nove dos onze jogos do time na temporada, sendo titular em todos. Sua qualidade técnica para iniciar os ataques desde a defesa e o sucesso de sua parceria com Victor Cantillo comprovam que, atualmente, ele é uma peça-chave para o Timão.

  • Acompanhe análises, dados e curiosidades do Corinthians também no perfil da SCCP Scouts no INSTAGRAM e no FACEBOOK.

Camacho é, ao lado de Pedro Henrique, um dos poucos jogadores do Corinthians que já haviam trabalhado com o novo treinador, Tiago Nunes. O volante esteve emprestado ao Athletico Paranaense desde 2018, e guarda um grande carinho desse período de sua carreira na equipe.

“Esse meu tempo no Athletico com o Tiago (aproximadamente um ano e meio) foi muito importante. Mudei meu posicionamento e passei a jogar como primeiro volante, ganhando confiança. A forma como o time jogava ajudou também, a equipe não dava muito “chutão” e isso favoreceu minhas principais características. E, com certeza, ajudou minha confiança. Voltar a um time que te emprestou com um treinador te pedindo, você já chega confiante”, afirmou em entrevista exclusiva ao SCCP Scouts.

Perguntado se existe diferença entre o método de trabalho do Tiago no Corinthians em relação ao Athletico, o jogador, que tem a melhor porcentagem de passes certos do elenco (91,3%) no ano, é claro: “Acho que o trabalho segue a mesma linha, tanto os treinos como os jogos”.

“Acontece que o grupo de jogadores é diferente e ele tem que se encontrar, esse é o trabalho do treinador. No Athletico ele estava já faz um tempo e vencendo, isso trazia mais confiança e as coisas aconteciam naturalmente. Espero que a gente consiga entender sua linha de trabalho cada vez melhor e colocar ela em prática”, disse Camacho

Uma das melhores notícias, se não a melhor, que o Corinthians traz no ano é a dupla de volantes. O colombiano Cantillo e o Camacho são o alicerce de um time ainda fragilizado e em construção; eles são fundamentais para fazer o jogo corinthiano acontecer.

Camacho e Cantillo são algumas das mudanças positivas de Tiago Nunes pelo Corinthians

“Não sei se as nossas características se complementam, mas sei que são dois volantes que gostam da bola, de dar opção para os companheiros, têm um bom passe e gostam de jogar para frente. Acho que, com o tempo, cada vez mais vamos nos encaixando, veremos como o companheiro gosta de receber a bola, onde ele joga, para não ocuparmos o mesmo espaço… Isso leva um tempinho”

Camacho, em entrevista ao SCCP Scouts.

Ainda falando de seu parceiro, Camacho destaca a importância dos lançamentos de Cantillo. “Nesses primeiros jogos já deu para ver que é um jogador diferente. O lançamento é a sua principal característica, ele arrisca muito e não tem medo de errar porque a porcentagem de acerto é muito grande. Espero que continue nessa pegada e que dê alegrias para a torcida e para a gente”, complementa.

O jogo do alvinegro paulista mudou com a chegada do Tiago. Após anos de uma filosofia que priorizava a defesa (com exceções), a diretoria corinthiana optou por um técnico que preza prioritariamente pelo jogo ofensivo. O volante, terceiro jogador com mais interceptações no grupo (10) comenta sobre essa mudança de estilos.

“Falando de 2017, que foi um ano que eu estive aqui, tem muita diferença porque é a evolução do futebol. Passaram-se três anos e ocorre uma evolução de uma forma geral. Porém era um time muito bem armado, muito bom taticamente. A gente fazia um gol e era muito difícil tomar o empate ou sofrer a derrota, só que era mais defensivo. Esse time atual é mais solto, mais bonito de ver e é o que o Tiago foi contratado para fazer, o que chamou atenção no Athletico”, diz o volante

Camacho se destacou no Athletico Paranaense para conseguir uma vaga no Corinthians

INSPIRAÇÃO EM CRAQUE DO BARCELONA

Falando em Europa, o quarto jogador do elenco que mais desarmou no ano (18), nos conta que acompanha o futebol do Velho Continente e ainda revelou o jogador que ele mais se inspira. “Costumo acompanhar bastante jogos, tanto do futebol brasileiro como do europeu. A minha liga preferida é a Premier League, pelo futebol que é jogado lá”, disse o volante, que revelou um jogador que te “encanta os olhos”.

“O jogador que mais me inspira é o Sergio Busquets (Barcelona), principalmente jogando agora na posição dele. Costumo ver os jogos do Barça para acompanhar ele mais de perto, acho impressionante a simplicidade que ele dá para o jogo, acho que tenho um pouco das suas características. É um volante organizador, de bom passe que eu busco me inspirar”, finalizou.

Camacho e o restante do elenco voltarão aos treinamentos nesta segunda-feira

TREINOS E JOGOS SEM TORCIDA PÓS-QUARENTENA

O último jogo do Campeonato Paulista foi disputado no dia 16 de março. Enquanto isso, os jogadores “lutam” para seguir uma rotina de exercícios em casa para não prejudicar tanto o retorno aos treinos. Camacho falou um pouco da rotina dos jogadores e do trabalho da comissão técnica nesse período:

“A gente tem uma planilha de treinos físicos para chegar em um nível razoável aos treinos com o intuito de não perder muito tempo nessa retomada. A parte física é mais importante, mas o Tiago tem reunido setores do time para fazer reuniões online para falar de tática, mostrar vídeos… É um passo que a gente sai na frente. Vai ser difícil fazer treinos táticos logo no início e os vídeos vão ajudar muito a gente nesse sentido. Ele está mostrando o que ele quer daqui para frente e o que acertamos e erramos no início do ano”.

Camacho, em entrevista ao SCCP Scouts.

Naturalmente, os primeiros jogos do retorno ao futebol serão sem torcida. Camacho falou sobre como isso pode acabar prejudicando o time de algum modo. “Isso é ruim para o futebol em geral, sem a torcida muito da graça do esporte é perdida, mas vai ter que ser assim, não tem jeito. E ainda mais no Corinthians a falta vai ser muito maior, a torcida faz muita falta na Arena, ela ganha jogos para gente, com toda certeza. A gente está vendo na Europa que o fator do mando de campo não está fazendo tanta diferença e acho que os times de massa vão sentir mais, mas é outra coisa que vamos ter que passar por cima para se acostumar com esse novo futebol. Precisamos continuar sendo fortes em casa”, alerta

VEJA OUTRAS ENTREVISTAS EXCLUSIVAS:

Jair Ventura agradece torcida do Corinthians e diz: “Hoje sou um profissional melhor”

Osmar Loss fala sobre equipe sub-23 e promete “potencializar” promessas do Corinthians

Matheus Donelli: “Admiro Alisson e Éderson… mas meu ídolo mesmo é o Cássio”

Deixe uma resposta