Estávamos na 32º rodada do Campeonato Brasileiro e um título que estava encaminhado por conta do 1ºturno avassalador do Corinthians estava ameaçado por conta de uma brusca queda de rendimento da equipe na segunda metade do campeonato. E quem estava ameaçando esse título? Nada menos que o arquirrival Palmeiras.

Uma vitória do Verdão faria o campeonato abrir de vez, então o Derby em questão foi tratado como uma final antecipada pela imprensa e pelas torcidas. Camacho, volante do Corinthians e titular da partida explica: “Esse jogo contra o Palmeiras foi tratado como uma final de campeonato. A gente estava vindo mal e eles estavam crescendo. Sabendo que jogaria em casa, contra o maior rival, a semana foi de concentração e muitos vídeos.”

Para a partida, Fábio Carille fez alterações importantes na equipe principal. O treinador sacou Maycon para a entrada do próprio Camacho e o Jadson foi para o banco, dando lugar para Clayson. Com Camacho o time ganhava qualidade no passe e com Clayson ganhava agressividade pelos lado esquerdo, empurrando Ángel Romero para a direita.

A partida foi marcada por um ritmo intenso desde o primeiro minuto, ambas as equipes brigavam pelo espaço e pressionavam sem a bola. Nos primeiros 10 minutos o Palmeiras até foi superior, conseguindo empurrar o Timão no campo de defesa e assustando com as descidas de Keno pela direita. O jogo muda quando a equipe de Carille encaixa sua proposta de explorar a linha defensiva alta do Palmeiras, usando a bola longa para o Jô e a velocidade de Clayson contra o Mayke, lateral-direito deles.

Como Camacho explica, essa foi uma estratégia pensada pelo Carille para o confronto. “O Carille tocou muito no assunto da linha alta deles, foi o principal assunto. O Valentim tinha acabado de assumir o time e a linha alta não estava regulada ainda, estava um pouco lenta. Ele tocou muito nesse assunto e conseguimos explorar bem.”

Camacho em atuação contra Moisés, do Palmeiras
Camacho em atuação contra Moisés, do Palmeiras (Foto: César Greco/Palmeiras)

A ideia era simples: como o Palmeiras iria adiantar sua marcação e pressionar no campo de ataque, a linha composta por Mayke, Mina, Edu Dracena e Egídio iria se adiantar para ajudar a “encurralar” os mandantes. Acontece que o Corinthians explorou isso, já que Jô ganhava essa 1ºbola longa contra o Mina e acabava escorando para o Clayson partir em velocidade. Não só o Clayson, mas Rodriguinho também conseguiu escapadas em velocidade explorando esse posicionamento da defesa alviverde.

Desse jeito, o Timão foi criando superioridade na primeira etapa e foi criando ocasiões de gol. Romero, após passe de Rodriguinho que passou por toda área palmeirense abriu o placar e, logo em seguida, Balbuena ampliou em cobrança de escanteio. Em um curto intervalo de tempo o rival diminuiu em cobrança de escanteio com Mina e o Corinthians logo ampliou em pênalti que Jô sofreu e converteu. Um ritmo frenético que levava a Arena Corinthians em ebulição.

Com esse cenário de superioridade do Corinthians as equipes foram para o intervalo. Naturalmente, a segunda etapa seria marcada por um Palmeiras sendo o controlador das ações, já que precisava do resultado para sonhar ainda com o título brasileiro. O Timão não renegou o papel de esperar em seu campo de defesa e atacar em descidas rápidas.

Assim, em um cenário mais nítido de ataque contra defesa, o rival conseguiu seu gol após falha de Pablo ao tentar rebater um escanteio, dando uma espécie de passe para Moisés encher o pé e estufar a rede da Arena.

Os tons de drama estavam postos. A equipe de Alberto Valentim se lançou ao ataque de vez e até o zagueiro Yerry Mina virou atacante. Muitas bolas lançadas na área e muita pressão. Por mais que o cenário não fosse dos mais confortáveis, o Corinthians pouco sofreu de fato e não foram criadas grandes ocasiões de gol. Nem mesmo a expulsão de Deyverson reduziria o ritmo palmeirense.

No final, a vitória e a quase confirmação do título vieram. Cenário de drama na segunda etapa, ritmo alto, mas a chave esteve na tática: o Corinthians explorou com maestria o posicionamento do rival e isso foi fundamental para a criação da vantagem. O derby foi vencido com inteligência.


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