Todo bom corinthiano celebra quase que religiosamente o gol da libertação do Basílio de 1977. O camisa 8 cravou seu nome na história alvinegra ao decretar o fim de mais de duas décadas de sofrimento no Parque São Jorge, ou melhor, no Alfredo Schürig, pois em outros cantos do PSJ outras lendas amenizavam as dores da Fiel Torcida enquanto literalmente cravavam o nome na história alvinegra. Afinal, nosso ginásio, o Wlamir Marques, não leva esse nome por acaso. O Diabo Loiro foi o líder da “seleção” corinthiana da década de 60, os anos de ouro do basquete alvinegro.

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Simultaneamente aos amargos anos que jejuávamos títulos no futebol, o basquete corinthiano empilhava taças e realizava feitos marcantes para a história do basquete brasileiro e sul-americano.

Mais precisamente em 1962, deu-se início à dinastia alvinegra no continente. Wlamir vestia a camisa pela primeira vez e já era apontado como o 9° maior atleta brasileiro de todos os tempos até então, tri-campeão sul-americano e mundial pela seleção brasileira. Simultaneamente, surgia no PSJ Ubiratan Maciel, o Bira, futuro Naismith Hall Of Famer e brasileiro recordista em mundias disputados. Os dois viriam a liderar o segundo título mundial brasileiro em 63 e logo depois se juntou a eles outro bicampeão mundial, Carmo de Souza, o Rosa Branca, que havia recusado um convite para integrar o time dos Harlem Globetrotters, até hoje não se sabe bem o porquê.

Juntos, os três lideraram o Corinthians a 4 conquistas em 1965: o campeonato paulistano; o paulista; o brasileiro e o Sul-americano. Os últimos dois, até então, inéditos. Basicamente, a base da Seleção Brasileira bicampeã mundial conquistou tudo que disputou naquele ano, mas não para por aí… No ano seguinte soma-se a esse time a estrela dos dois títulos mundiais, outro Hall Of Famer, Amaury Passos. Ele completava a seleção alvinegra e liderou o time a mais 5 paulistanos, 3 paulistas e mais 2 brasileiros e sul-americanos conquistados de forma invicta.

Agência Corinthians

Para muitos, esse foi indiscutivelmente o maior time da história do basquete brasileiro. O time da década ainda conquistou outros feitos de grande proporção, como a vitória em cima do Real Madrid em 1965. A potência europeia veio ao Brasil e recebeu o cartão de visitas: jogando com febre, Wlamir liderou o Corinthians à vitória por 118 x 109, anotando 51 pontos no jogo, algo como o “Flu Game” de ninguém mais ninguém menos que Michael Jordan.

O resultado culminou na criação do mundial de clubes da FIBA um ano depois, e o Corinthians conseguiu a a vice-colocação após derrubar o Jamaico Saints, dos EUA, nas semifinais. E se os EUA e URSS no decorrer da Guerra Fria eram as superpotências do basquete, o Corinthians não ficava atrás. Em 1967, após o mundial de Montevidéu, a seleção norte- americana foi convidada para um amistoso em São Paulo, que acabou terminando em 81×79 pra equipe corinthiana. Alguns anos antes, em 1954 o Timão também bateu de frente com a União Soviética num 76×77, com muitas ressalvas sobre o árbitro russo que apitou a partida

Poucos têm o prazer de colecionar tantas glórias com a bola laranja como o Corinthians no Brasil. Entre idas e vindas da modalidade dentro do Parque São Jorge, a história sempre fica. Mais uma vez nos encontramos em um período de instabilidade financeira que dificulta o desenvolvimento do basquete, mas a camisa sempre vai pesar.

Estaremos juntos na reconstrução do time com a base jovem de 2020. Como o Corinthians anunciou, vai ser “na base da raça”. Acreditamos que será na base da raça, da juventude, da tradição, e agora, com cobertura completa do SCCP SCOUTS também.

Texto feito por Gaspar


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