Crivelari era uma das melhores jogadoras do Corinthians no fim da temporada passada e início desta. Constantemente era citada pela torcida como personagem principal ou uma das principais ao final de cada partida. Algo justo para uma jogadora que participava muito de gols, sendo a artilheira ou assistente. Isso até parar de ser relacionada. Vamos entender a história e projetar um problema do Timão: a transparência.

Voluntariosa, a atacante já atuou centralizada, pela ponta, de lateral e até mesmo de goleira (em uma situação inusitada) somente neste ano. Mas desde o jogo contra o Real Brasília não é sequer relacionada para partidas oficiais e treinava à parte. A versão oficial é que estava com um desconforto na coxa e cumpria cronograma diferenciado para se recuperar, mas rumores apontavam para uma desavença entre ela e Arthur Elias após a goleada de 5-2 aplicada no time de Brasília. Crivelari havia iniciado como titular e foi substituída no intervalo.

Algumas fontes confirmam que realmente aconteceu uma discussão e teria sido no vestiário na frente das outras atletas, o que há divergência é no momento do embate, algumas dizem no intervalo, enquanto outras falam que ocorreu após a partida. Fato é que desde então algo parece ter mudado na relação entre jogadora e treinador. Crivelari foi convocada para os amistosos pré-olímpicos e treinou junto à Seleção. No primeiro jogo após a sua volta do período com a Seleção, a assessoria informou que ela recebeu propostas e que havia sido liberada para prosseguir com conversas. A primeira versão oficial ficou ainda mais desacreditada.

Crivelari voltou a disputar uma partida oficial como jogadora do Corinthians um mês depois, na última partida da primeira fase do Campeonato Brasileiro. O jogo disputado em Santa Catarina já não valia nada para o time alvinegro, desfalcado entre titulares e reservas, que havia confirmado sua liderança uma rodada antes. Mas para o Avaí/Kindermann ainda representava uma chance de classificação, mesmo que pequena. A camisa 19 entrou no segundo tempo, quando as donas da casa ainda venciam a partida pelo placar mínimo, e teve uma atuação discreta, bem diferente das aparições anteriores.

A TRANSPARÊNCIA E COMO PODE SER RESOLVIDA

Ao Corinthians Feminino são diversos elogios, mas ainda falta mais transparência, principalmente em um momento no qual os treinamentos não podem ser acompanhados. Coletivas de imprensa mais regulares, por exemplo, é um dos pontos cobrados por torcedores e profissionais que acompanham o clube na modalidade. Óbvio que nem tudo é falado pelo clube, mas situações que vazam não podem ser cobertas com meias verdades como se tudo estivesse bem.

A equipe conta com uma base de torcedores engajada, torcem muito, mas também cobram muito e é assim que deve ser. Cabe ao clube manter esse elo, o torcedor é passional, mas não aceita ser feito de bobo.

Notas, comunicados, coletivas, qualquer coisa que fosse para criar e fortalecer um canal de informações diretas ou por onde essas poderiam ser obtidas já melhoraria e muito o ponto da transparência. Pode parecer pouco, mas isso evitaria e até mesmo ajudaria a desfazer boatos e esclarecer dúvidas.

Seres humanos erram, se estranham, discutem, brigam! Isso é característico principalmente em ambiente cercado de pressão como é o futebol, o que não dá para aceitar é a crença de que mesmo com o crescimento da modalidade cada vez mais evidente dará para encobrir histórias com versões ainda mais estranhas. Isso é falta de transparência.

É preciso ser grande e referência também quando o assunto é a transparência. O Corinthians precisa promover mais entrevistas coletivas com seu treinador e suas jogadoras e convidar a imprensa especializada para participar. Não é difícil, basta querer.

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